Publicado por: sosortomolecular | 5 de Abril de 2010

Ser doente, estar doente ou portar a doença?

Um dos princípios básicos das várias modalidades de Terapia e até da própria vida é a condição de constante mudança a que o ser humano está sujeito, em vários aspectos: Uma pessoa, por mais bela que seja, não pode centralizar sua vida em sua beleza, pois o tempo pode envelhecê-la, um acidente pode desfigurá-la. Enfim, inúmeros fatos podem ocorrer e torná-la “feia”. Portanto a colocação correta deveria ser: “Esta pessoa está bela” e não como se diz normalmente: “Esta pessoa é bela”. Da mesma forma, quem está solteiro pode casar-se, quem está casado pode divorciar-se ou enviuvar…

Sendo assim, a grande verdade é que nenhuma condição humana é irreversível a não ser a morte. E, ainda assim, para quem acredita em reencarnação, esta pode reverter-se (?)

Por isso fica meio difícil aceitar a forma como a maioria das pessoas classifica os pacientes em relação aos distúrbios que atingem os seres humanos. Diz-se: “Fulano é diabético”, “Sicrano é soropositivo”, “Beltrano é disléxico ou epilético ou qualquer coisa assim”. Com estas afirmações instala-se, além da doença, o “sentimento da doença”, ou seja, o indivíduo não mais está doente e sim, psicologicamente, passa a ser a própria doença.

Quando alguém se classifica como: “Eu sou… algum distúrbio qualquer”, na verdade, centraliza toda a sua potência na doença. Como se não existisse antes de adoecer e/ou nada do que faça tenha real importância, diante de suas limitações impostas pela doença que, no fundo, é ele mesmo. Ele e a doença são “uma só pessoa” e a partir daí, o paciente passa a viver em função do que pode ou não fazer de acordo com os “limites” que a doença lhe impõe. Isto não é visível e a maioria das pessoas não percebe, mas influencia bastante no processo de recuperação.

Quando alguém se classifica como: “Eu estou com o distúrbio X”, já melhora sua aceitação da doença, pois admite que o distúrbio existe, o acompanha, “está com ele”, mas não o domina. Sua vida continua acontecendo normalmente, apesar de um ou vários impedimentos que a doença lhe inflija. Esta pessoa tem mais chances de recuperar-se, por acreditar ser tão forte quanto a doença que o acompanha. Mesmo assim, ainda não é o ideal.

Penso que a melhor forma de um paciente classificar-se diante de um distúrbio seja: “Eu sou portador do distúrbio X”. Psicologicamente o portador sente-se forte. O fato de portar o distúrbio e ter o “poder” de conduzi-lo como e por onde quiser faz com que o paciente sinta-se capaz de dominar totalmente a doença. Por mais debilitado fisicamente e por mais poderoso que seja o distúrbio ou vírus ou o que for, este parece não ter forças contra o paciente que se julga portador, portanto “possuidor” da mesma, no sentido real de posse. Com poder para dominar o distúrbio como e por quanto tempo quiser. Isso reflete positivamente na recuperação e até em casos considerados incuráveis, pode prolongar o período de vida por vários anos além do previsto.

Desta forma é possível encontrar pessoas já bastante idosas e/ou debilitadas por inúmeras doenças e que, ainda assim, parecem achar forças para sair, desenvolver atividades diversas e viver muito, mesmo convivendo com limitações. Por outro lado é possível encontrar pacientes jovens, mas que, por falta de objetivos, perspectiva de vida e/ou motivação, acabam deixando-se sucumbir por distúrbios/doenças simples que poderiam ser facilmente controlados com perseverança e vontade de viver.

Diante de tudo isso, fica uma pergunta: Até que ponto uma doença é realmente incurável e/ou um vírus é realmente mortal? Será que nós, profissionais de saúde, não podemos mudar esse conceito com menos alarde em “descobertas científicas” e mais investimento na auto estima de nossos pacientes?

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Responses

  1. Saudações! Somos da equipe da Dra Lou de Olivier e pedimos a fineza de incluir a autoria dela neste artigo que foi escrito em 1998 e, desde então, foi publicado em diversos sites, portais e jornais impressos e online no Brasil, em Portugal e Inglaterra. Agradecemos por repassar porém, que inclua a autoria dela. Além dos portais Vania Diniz (Brasil), CEM (Portugal) e Multipasterapias (Brasil) e tantos outros que publicaram este artigo em todos estes anos, um dos links que podem comprovar a autenticidade da autoria dela é o Portal Rio Total que o publicou em 2004. http://www.riototal.com.br/feliz-idade/saude006.htm
    Muito gratos, Aline em nome da equipe Dra Lou)

    • Boa noite Aline
      Agradeço esta informação e vou preparar a ratificação da matéria, eu simplesmente recebi por e-mail e achei muito interessante por completar a anterior que havia publicado.
      Prof. Paulo Edson


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