Publicado por: sosortomolecular | 17 de Fevereiro de 2017

O perigo dos tratamentos para o colesterol

Os perigos das estatinas

A hipercolesterolemia é o tema de saúde do século XXI. É de fato uma doença inventada, um “problema” que emergiu quando os profissionais de saúde aprenderam a medir os níveis de colesterol no sangue. O colesterol elevado não exibe nenhum sintoma mais óbvio – outras condições distintas de alterações no sangue, como a diabetes ou a anemia, são doenças que se manifestam por sinais que podem denunciar algum problema, como sede ou fraqueza – a hipercolesterolemia exige os serviços de um médico para descobrir sua presença. Muitas pessoas que se sentem perfeitamente saudáveis “sofrem” de colesterol elevado – na realidade, sentir-se bem é de fato um sintoma de altas taxas de colesterol!

Os médicos que tratam dessa nova doença têm que convencer os seus pacientes, primeiro que eles estão doentes, e posteriormente que eles precisam tomar um ou mais medicamentos, de custo elevado, para o resto de suas vidas, drogas que requerem check-ups regulares e exames de sangue. Mas tais médicos não trabalham sozinhos – os seus esforços em converter pessoas saudáveis em pacientes são sustentados por imensos esforços do governo dos EUA, pela mídia, pelo consenso médico, e por agências que trabalharam em sintonia para disseminar o dogma de colesterol e convencer a população que o colesterol elevado é o precursor de doença cardíaca e possivelmente de outras doenças.

Quem sofre de hipercolesterolemia? Examine a literatura médica dos últimos 25 ou 30 anos e você obterá a seguinte resposta: qualquer homem de meia-idade cujo colesterol seja maior do que 240, associado a outros fatores de risco, como fumar ou obesidade.

Depois da Conferência de Consenso do Colesterol em 1984, os parâmetros se modificaram; qualquer um (homem ou mulher) com colesterol maior do que 200 mg/dL poderia receber esse temido diagnóstico e uma prescrição para uso de pílulas. Recentemente esse valor foi reduzido para 180. Se você teve um ataque do coração, você será orientado a usar medicamentos que reduzem o colesterol, mesmo se seu colesterol já for muito baixo – afinal de contas, você cometeu o pecado de ter um ataque do coração assim seu colesterol só pode ser alto demais. A penitência será o uso por toda a vida desse tipo de medicamentos associado com uma enfadonha dieta com baixo teor de gordura. Mas por que esperar até que você tenha um ataque de coração? Considerando que todos nós trabalhamos sob o estigma de pecado original, nós todos somos candidatos ao tratamento. As novas leis  estipulam a medição do colesterol e seu tratamento para adultos jovens e até mesmo para as crianças.

As drogas que os médicos utilizam para tratar essa nova doença são chamadas de “estatinas” – e são vendidas sob uma variedade de nomes que incluem, entre outros:

– Lipitor® (Atorvastatina) – Zocor® (Sinvastatina)

– Mevacor® (Lovastatina) – Pravacol® (Pravastatina).

Como as estatinas funcionam?

O diagrama abaixo ilustra os caminhos envolvidos em produção de colesterol.

O processo começa com a acetil-CoA, uma molécula com dois carbonos, às vezes chamada de “formadora dos tijolos da vida” (building block of life). Três moléculas de acetil-CoA se combinam para formar uma molécula de seis carbonos, a HMG (ácido hidroximetil glutárico). O passo de HMG para o mevalonato requer uma enzima, a HMG-CoA redutase. As drogas estatinas funcionam ao inibir essa enzima – conseqüentemente tem o nome formal de inibidores da HMG-CoA redutase. Nisso jaz o potencial para numerosos efeitos colaterais, uma vez que tais drogas  não inibem apenas a produção de colesterol, mas uma família inteira de substâncias intermediárias, muitas, se não todas, com funções bioquímicas importantes em si mesmas.

Considere os resultados de pediatras da Universidade da Califórnia, em San Diego, que publicaram a descrição de uma criança com um defeito hereditário da mevalonato-quinase, a enzima que catalisa o próximo passo após a HMG-CoA redutase.1 A criança era mentalmente retardada, microcefálica (cabeça muito pequena), pequena para a idade, profundamente anêmica, acidótica e febril. Ela também teve catarata. De maneira previsível, o colesterol dele era constantemente baixo – 70 a 79 mg/dL. Ela morreu com idade de 24 meses. A criança representa um exemplo extremo de inibição do colesterol, mas o caso dele ilumina as possíveis conseqüências de utilizar estatína em doses elevadas ou num período prolongado de tempo:

– depressão da acuidade mental,

– anemia,

– acidose,

– febres freqüentes,

– catarata.

O colesterol é um entre os três produtos do final da cadeia de transformação do mevalonato. Os dois outros são ubiquinona e o dilocol. Ubiquinona ou Co-enzima Q10 é um nutriente celular crítico biosintetizado na mitocondria. Desempenha um papel crucial na produção de ATP nas células e funciona como um carregador de elétrons para o citocromo-oxidase, nossa principal enzima respiratória. O coração requer níveis altos de Co-Q10. Uma forma de Co-Q10 (ubiquinona) é encontrada em todas as membranas celulares onde tem o papel de manter a integridade da membrana, aspecto crítico para a condução nervosa e a integridade muscular. A Co-Q10 também é vital para a formação de elastina e colágeno. Os efeitos colaterais da deficiência de Co-Q10 inclui debilidade muscular que pode levar a fraqueza e severa dor nas costas, parada cardíaca (o coração é um músculo!), neuropatia e inflamação dos tendões e ligamentos, que podem freqüentemente romper.

O dolicol também desempenha um papel de imensa importância. Nas células ele orienta a fabricação de várias proteínas em resposta a diretivas do DNA frente a diversos propósitos, assegurando que as células respondam corretamente às instruções geneticamente programadas. Assim drogas estatina podem conduzir a um caos imprevisível a nível celular, semelhante à ação de um vírus de computador quando ele apaga certos caminhos ou arquivos do disco rígido.

O esqualeno, o precursor imediato para colesterol, tem efeitos anticâncer, de acordo com pesquisas. O fato de que alguns estudos mostrarem que as estatinas podem prevenir doença de coração, pelo menos em um curto prazo, não é explicado pela inibição de produção do colesterol, mas, provavelmente, porque elas bloqueiam a criação do mevolanato. A redução do  mevolanato parece  fazer as células de músculo liso menos ativas e deixam as plaquetas menos capazes de produzir tromboxane. A aterosclerose começa com o crescimento de células de músculo lisas dentro das paredes das artérias e o tromboxane é necessário para o sangue se coagular.

Colesterol

É evidente que as estatinas inibem a produção do colesterol – e elas fazem isso muito bem. Nada demonstra de forma tão óbvia o tamanho das falhas do nosso sistema médico como a aceitação incondicional da assertiva de que a redução do colesterol é um modo de prevenir doenças – “terão todos esses médicos esquecido o que eles aprenderam em bioquímica I, a respeito dos muitos papéis que o colesterol tem na bioquímica humana?”

Toda membrana de cada célula de nosso corpo contém colesterol porque o colesterol é o que faz nossas células serem impermeáveis – sem o colesterol nós não podemos manter protegida a bioquímica do lado de dentro da célula em relação ao líquido extracelular. Quando os níveis de colesterol não são adequados, a membrana celular fica com inadequada vedação (porosa), uma situação que o corpo interpreta como uma emergência, o que estimula a liberação de hormônios corticóides que buscam o “seqüestro” do colesterol de outra parte do corpo, transportando-o para áreas onde está faltando. O colesterol é a substância de reparo do corpo: o tecido de uma cicatriz contém níveis altos de colesterol, inclusive o tecido das cicatrizes nas artérias.

O colesterol é o precursor da vitamina D, necessário para numerosos processos bioquímicos inclusive o metabolismo mineral. Os sais biliares, exigido para a digestão de gordura, são feitos de colesterol. As pessoas que sofrem de baixo colesterol freqüentemente têm dificuldade de digerir gorduras. O colesterol também funciona como um poderoso antioxidante, nos protegendo assim contra o câncer e contra o envelhecimento.

O colesterol é vital para a própria função neurológica. Tem um papel fundamental na formação da memória e na captação de hormônios no cérebro, inclusive da serotonina, a substância química que oferece a sensação de bem estar ao corpo. Quando os níveis de colesterol estão demasiadamente baixos, os receptores de serotonina não conseguem funcionar. O colesterol é a principal molécula orgânica no cérebro, consistindo de mais da metade do peso seco do córtex cerebral.

Finalmente, colesterol é o precursor de todos os hormônios produzidos no córtex supra-renal inclusive os  glicocorticóides, que regulam os níveis de açúcar no sangue e os mineralocorticóides que regulam o equilíbrio mineral. Os corticóides são os hormônios supra-renais derivados do colesterol que o corpo utiliza em reação a vários tipos de “stress”; isso promove saúde e equilibra a tendência para inflamações. O córtex supra-renal também produz os hormônios sexuais, inclusive a testosterona, os estrógenos e a progesterona, a partir do colesterol. Assim, frente a redução do colesterol – seja devido a um erro inato de metabolismo ou induzido por dieta e drogas que o reduzem – é possível esperar que ocorra uma disfunção na produção dos hormônios supra-renais o que pode conduzir a:

  1. A) Problemas na glicose do sangue;
  2. B) Edema;
  3. C) Deficiências minerais;
  4. D) Inflamação crônica,
  5. E) Dificuldade nos processos de cura,
  6. F) Alergias, asma,
  7. G) Libido reduzida,
  8. H) Infertilidade e outros problemas do aparelho reprodutor.

Entram em cena as Estatinas

As estatinas entraram no mercado com grande expectativa. Veio a  substituir uma classe de fármacos que reduzia o colesterol através do impedimento de sua absorção pelo intestino. Essas drogas tinham, freqüentemente, efeitos colaterais imediatos e desagradáveis, incluindo náusea, má digestão e constipação, e no paciente padrão só ocorria uma ligeira queda dos níveis de colesterol. A tolerância do paciente era reduzida: o benefício não parecia valer os efeitos colaterais e o potencial para uso ficava muito limitado. Em contraste, as estatinas não tinham nenhum efeito colateral imediato: elas não causavam náusea ou indigestão e eles eram consistentemente eficientes, freqüentemente reduzindo os níveis de colesterol em 50 pontos ou mais.

Durante os últimos 20 anos, a indústria montou uma incrível campanha de promoção  – recrutando cientistas, agências de publicidade, as mídias e profissionais médicos para uma blitz que transformou as estatinas em um dos medicamentos de maior sucesso de vendas de todos os tempos. Dezesseis milhões de americanos já utilizam Lipitor®, a estatina mais popular; e os executivos da indústria farmacêutica argumentam que cerca de 36 milhões de americanos são candidatos para terapia com estatina.

O que atormenta a indústria é o crescente aumento de relatos de efeitos colaterais que se manifestam muitos meses após o início da terapia; a edição de novembro de 2003 da revista ”Smart Money” exibiu uma reportagem de um estudo de 1999 do Hospital St. Thomas de Londres (aparentemente inédito) que mostrava que 36% dos pacientes com doses mais altas de Lipitor®informaram efeitos colaterais; e até mesmo com doses mais baixas, 10% informaram efeitos colaterais.(2)

Dor muscular e fraqueza

O efeito colateral mais comum é dor muscular e fraqueza, uma condição chamada “rabdomiolisis”, provavelmente devido à depleção de Co-Q10, um nutriente vital para a adequada função muscular. Dra. Beatrice Golomb de San Diego, Califórnia, tem conduzido uma série de estudos sobre os efeitos colaterais das estatinas.

A indústria insiste que só 2-3% de pacientes adquirem dores musculares e câimbras, mas em um estudo, Golomb verificou que 98% dos pacientes que usavam Lipitor® e um terço dos pacientes que usavam Mevacor® (uma estatina de baixa dose) sofreram de problemas musculares.(3) Um site para mensagens eletrônicas dedicadas ao Lipitor®(forum.ditonline.com) contém mais de 800 postagens, muitos das quais detalhando efeitos colaterais severos. O painel The Lipitor do site rxlist.com contém mais de 2600 postagens.

O exame laboratorial utilizado para perda de tecido muscular (rabdomiolisis) é a aferição de níveis elevados de uma substância química chamada creatina quinase (CPK). Mas muitas pessoas experimentam dor e fadiga mesmo com níveis de CPK normais. (4)

Doug Peterson, residente em Tahoe City, desenvolveu uma fala inarticulada, problemas de equilíbrio e fadiga severa depois de três anos de uso de Lipitor® – durante dois anos e meio, ele não teve nenhum efeito colateral.(5) Começou com um padrão de sono inquieto – contraindo e sacudindo seus braços. Seguiu-se a perda de equilíbrio e o começo daquilo que Doug chamou de  ”dança estatina” – um passo lento e trôpego pelo quarto. As habilidades motoras finas pioraram a seguir. Ele levava cinco minutos para escrever quatro palavras bastante ilegíveis. A função cognitiva também regrediu. Era difícil de convencer os seus médicos que o Lipitor® pudesse ser o culpado, mas quando ele deixou de utilizar esse medicamento, a sua coordenação e a memória finalmente melhoraram.

John Altrocchi usou Mevacor® durante três anos sem efeitos colaterais; então ele desenvolveu dor na panturrilha tão severa ele quase não poderia caminhar. Ele também experimentou episódios de perda temporária de memória.

Para alguns, porém, os problemas musculares aparecem logo após o início do tratamento. Ed Ontiveros começou a ter problemas musculares após 30 dias com o uso de Lipitor®. Ele teve uma queda no  banheiro e enfrentou dificuldade para se levantar. A fraqueza reduziu quando ele for abandonou o Lipitor®. Em outro caso, relatado no jornal médico Heart, um paciente desenvolveu rabdomiolisis depois de uma única dose de uma estatina.(6) Dor nos calcanhares por uma fascite plantar (esporão de calcâneo) é outra reclamação comum entre usuários dessas drogas.

Uma correspondente relatou o começo de uma dor nos pés logo após começar tratamento com estatina. Ela tinha visitado um evangelista, pedindo que ele rezasse pelos seus pés doloridos. Ele indagou se ela estava usando Lipitor®. Quando ela disse que sim, ele lhe falou que os pés dele também tinham doído quando ele utilizou esse medicamento.(7)

Pessoas ativas têm mais chance de desenvolver problemas com as estatinas do que as pessoas sedentárias. Em um estudo efetuado na Áustria, só seis entre 22 atletas com hipercolesterolemia familiar puderam suportar o tratamento com estatina.(8) Os outros o descontinuaram por causa da dor muscular.

A propósito, outros agentes redutores do colesterol além de drogas estatina podem causar dor nas juntas e fraqueza nos músculos. Um relato no Southern Medical Journal descreveu dores e fraqueza em um homem que utilizava arroz vermelho chinês, e uma preparação herbária que reduzia o colesterol.(9) Qualquer pessoa que sofra de miopatia, fibromialgia, problemas de coordenação e fadiga precisa investigar se apresenta baixas taxas de colesterol e/ou deficiência de Co-Q10 como uma possível causa.

Neuropatia

A polineuropatia, também conhecido como neuropatia periférica, é caracterizado por fraqueza, formigamento e dor nas mãos e pés como também dificuldade para caminhar. Investigadores que estudaram 500.000 residentes da Dinamarca, aproximadamente 9% da população daquele país, verificaram que as pessoas que usavam estatina eram mais propensas a desenvolver polineuropatia.(10)

Utilizar estatina durante um ano eleva o risco de dano ao nervo em aproximadamente 15%  – aproximadamente um caso para cada 2.200 pacientes. Para esses que usaram estatina durante dois ou mais anos, o risco adicional subiu a 26%.

De acordo com a pesquisa da Drª. Golomb, problemas neurológicos são um efeito colateral comum com uso de estatina; pacientes que usam estatina durante dois ou mais anos tem de quatro a 14 vezes mais riscos de desenvolver polineuropatia idiopática quando comparado a controles.(11) Ela relatou que em muitos casos, os pacientes lhe disseram que eles tinham se queixado aos seus médicos de problemas neurológicos, porém os médicos asseguraram que os sintomas  não poderiam ser relacionados aos medicamentos redutores de colesterol.

O dano é freqüentemente irreversível. As pessoas que utilizam grandes doses por muito tempo podem permanecer com dano permanente ao nervo, mesmo após eles deixarem de tomar o remédio.

A pergunta que poderíamos fazer: será que a difundida neuropatia induzida pelas estatinas torna os motoristas mais velhos (ou mesmo os motoristas não tão velhos assim) mais propensos aos acidentes? Em julho de 2003, um motorista, de 86 anos, com um excelente prontuário de trânsito, perdeu a direção num mercado de Santa Mônica, Califórnia, matando 10 pessoas. Vários dias depois, uma carta muito interessante postada por uma senhora de Lake Oswego, Oregon, apareceu no Washington Post.(12)

“Meu marido, na idade de 68 anos, entrava na garagem e se acidentou causando dano material. Ele disse que seu pé caiu do freio. Ele tinha problemas de saúde e utilizava medicamentos, incluindo uma droga para o colesterol, que é conhecida por causar problemas como o que ele sentia nas suas pernas”.

“Em minha pequena comunidade, alguns motoristas com idade mais avançada, causaram danos em uma loja de música, em uma agência postal e em uma padaria. Em Portland, um banco teve problemas em um acidente em sua vidraça”.

“É fácil afirmar que o pé deslizou, mas o problema poderia ser falta de sensibilidade. A cunhada de meu marido pensou que o carro dela estava com mau funcionamento quando recusava andar quando o semáforo ficava verde, até que ela olhou para baixo e viu que o seu pé estava mesmo era acionando o pedal do freio! Eu tenho outra amiga que mencionou não estar tendo nenhuma sensação em suas extremidades inferiores. Ela pensou em ter um carro controlado manualmente, mas acabou mesmo por optar em andar de ônibus”.

Insuficiência cardíaca

Atualmente, nós estamos no meio de uma epidemia de insuficiência cardíaca congestiva nos Estados Unidos – enquanto a incidência de ataque do coração está recuando ligeiramente; um aumento nos casos de insuficiência cardíaca acaba por ultrapassar esse aspecto positivo. As mortes atribuídas à insuficiência cardíaca mais que dobrou de 1989 para 1997.13 (As estatinas foram liberadas inicialmente em 1987.) A interferência na produção de Co-Q10 pelas drogas estatina é uma provável explicação. O coração é um músculo e não pode trabalhar quando privado de Co-Q10.

O cardiologista Peter Langsjoen estudou 20 pacientes com função cardíaca completamente normal. Depois de seis meses com o uso de uma dosagem reduzida de 20 mg de Lipitor® ao dia, dois terços dos pacientes apresentavam anormalidades na fase de enchimento do movimento do coração. De acordo com Langsjoen, este mau funcionamento é devido a depleção de Co-Q10.

Sem Co-Q10, a  mitocôndria celular é inibida para produção de energia, o que conduz a dor muscular e fraqueza. O coração é especialmente suscetível porque consome muita energia.(14)

A depleção de Co-Q10 se transforma num problema cada vez maior porque a indústria farmacêutica estimula os médicos a reduzirem os níveis de colesterol em seus pacientes para taxas cada vez menores. Quinze estudos com animais, em seis espécies diferentes, documentaram que a depleção Co-Q10 induzida pelas estatinas conduziu a uma produção diminuída de ATP, aumentou o risco de insuficiência cardíaca, aumentou os danos ao músculo esquelético e incrementou a taxa de mortalidade. Das nove experiências controladas de depleção de Co-Q10 induzida pelas estatinas  em humanos, oito mostraram uma significativa queda na Co-Q10 que conduzia a redução na função ventricular esquerda e a desequilíbrios bioquímicos.(15)

Agora, virtualmente todos os pacientes com insuficiência cardíaca são levados a utilizar drogas estatinas, mesmo se as taxas de colesterol sejam baixas. De interesse é um recente estudo que indica que os pacientes com insuficiência cardíaca crônica tem benefício em manter níveis altos de colesterol, ao invés de níveis reduzidos. Investigadores em Hull, Reino Unido, acompanharam 114 pacientes com insuficiência cardíaca pelo menos por 12 meses.(16) A sobrevivência era 78% em 12 meses e 56% em 36 meses. Eles verificaram que para cada ponto de redução do colesterol no soro, advém 36% de aumento no risco de morte num período de 3 anos.

Vertigem

A vertigem é geralmente associada com uso de estatina, possivelmente devido a efeitos de redução da pressão arterial. Uma mulher informou vertigem meia hora depois de tomar Pravacol®.(17) Quando ela deixou de utilizá-lo, a vertigem cedeu. A redução da pressão sanguínea  foi relatada em muitos estudos com várias estatinas. De acordo com Dra. Golumb, que apontou a vertigem como um efeito adverso comum, o idoso pode ser particularmente sensível a queda na sua pressão.(18)

Prejuízo cognitivo

A edição de novembro de 2003 de Smart Money (19) descreve o caso de Mike Hope, dono de uma próspera companhia de equipamentos oftalmológicos. “Há um silêncio desajeitado quando você pergunta a Mike Hope a sua idade. Ele não muda o assunto ou gagueja ou faz uma piada tola sobre como ele deixou de contar aos 21 anos. Ele simplesmente não se lembra. Dez segundos se passam. Mais 20. Finalmente uma resposta vem a ele. ‘Eu tenho 56 anos’, ele diz. Próximo, mas não exato. ‘Eu farei 56 este ano.’ Depois, se ocorrer a você lhe perguntar pelo livro que ele está lendo, você encontrará outras dificuldades. Ele não consegue recordar o título, o autor ou o enredo”.

O uso de estatinas, desde 1998, originou os seus problemas de fala e de memória fraca. Ele foi forçado a fechar o seu negócio e foi, 10 anos mais cedo, ficar dependente da previdência social. As coisas melhoraram quando ele descontinuou o Lipitor® em 2002, mas ele está distante de plena recuperação – ele ainda não pode sustentar uma conversação. O que o Lipitor® fez foi transformar Mike Hope em um homem senil enquanto ele ainda estava na plenitude de sua existência.

Casos como o de Mike tem se incrementado na literatura médica. Um artigo em Pharmacotherapy, de dezembro de 2003, por exemplo, informa dois casos de prejuízo cognitivo associados ao emprego de Lipitor® e Zocor®.(20) Ambos os pacientes sofreram de declínio cognitivo progressivo que reverteu completamente um mês após a descontinuação da estatina. Um estudo administrado na Universidade de Pittsburgh mostrou que os pacientes tratados com estatina durante seis meses tem resultados piores do que pacientes que utilizaram na solução de labirintos complexos, testes de habilidades psicomotoras e testes de memória. (21)

Drª. Golomb verificou que 15% dos pacientes em uso de estatina desenvolvem algum efeito colateral cognitivo.(22)  Os mais perturbadores envolvem amnésia global transitória – uma perda completa da memória por um período breve ou prolongado  – como descrito pelo astronauta Duane Graveline em seu livro “Lipitor: O Ladrão de Memória”.(23)

São sofridos relatos de desconcertantes incidentes que envolvem a completa perda da memória –  chegar a uma loja e não se lembrar por que se está lá, incapacidade de se lembrar do seu nome, ou os nomes dos seus familiares, ou ainda, a incapacidade de achar o caminho de volta para casa na direção de seu automóvel. Esses episódios acontecem de repente e desaparecem da mesma forma, repentinamente. Graveline demonstra que todos nós estamos expostos a riscos quando as pessoas em geral estão utilizando estatinas – você gostaria de estar em um avião quando o seu piloto desenvolver uma súbita amnésia induzida por uma estatina?

Enquanto que a indústria farmacêutica nega que as estatinas possam causar amnésia, a perda da memória apareceu em vários estudos com esses medicamentos. Em um deles, que envolvia 2502 indivíduos, a amnésia aconteceu em 7 usuários de Lipitor®; a amnésia também aconteceu em 2 de 742 usuários em estudos comparativos com outra estatina. Além disso, “pensamento anormal” foi informado em 4 dos 2502 sujeitos do ensaio clínico.(24) O total registrado de efeitos colaterais foi de 0,5%; um valor provavelmente abaixo do que representaria a verdadeira freqüência dos mesmos, visto que a perda de memória, especificamente, não foi objeto de estudo nessas pesquisas.

Câncer

Em todos os estudos com roedores as estatinas causaram câncer.(25) Por que nós não observamos tal dramática correlação em estudos humanos? Porque o câncer leva muito tempo para se desenvolver e a maioria das experimentações com as estatinas não se estendem por mais do que dois ou três anos. Mesmo assim, em uma pesquisa (The CARE trial), as taxas de câncer de mama nas usuárias de alguma estatina se elevaram em 1500%.(26) No Estudo de Proteção do Coração, o câncer de pele não-melanoma ocorreu em 243 pacientes tratados com sinvastatina comparado com 202 casos no grupo de controle.(27)

Os fabricantes de drogas estatinas reconhecem o fato de que essa substância deprime o sistema imunológico, um efeito que pode conduzir ao câncer e a doença infecciosa, uma vez que ela tem seu uso recomendado para a artrite inflamatória ou como um imunossupressor para pacientes de transplantes.(28)

Degeneração pancreática

A literatura médica contém vários relatórios de pancreatite em pacientes que usam estatina. Um relato descreve o caso de uma mulher de 49 anos que foi admitida em hospital com diarréia e choque séptico um mês depois de começar tratamento com lovastatina.(29)

Ela morreu depois de prolongada hospitalização; a causa de morte foi pancreatite necrotizante. Os seus médicos observaram que a paciente não apresentava nenhuma evidência de fator de risco comum para pancreatite aguda, como doença de vias biliares ou uso de álcool. “Os prescritores de estatinas (particularmente sinvastatina e lovastatina) deveriam levar em conta a possibilidade de pancreatite aguda em pacientes que desenvolvem dor abdominal dentro das primeiras semanas de tratamento com estas drogas”, foi advertido.

Depressão

Numerosos estudos uniram baixo colesterol com depressão. Um dos mais recentes mostrou que as mulheres com baixas taxas de colesterol têm duas vezes mais chance de sofrer de depressão e ansiedade. Investigadores do centro Médico da Duke University investigaram traços de personalidade em 121 mulheres jovens entre 18 a 27 anos.(30)

Eles verificaram que 39% das mulheres com baixos níveis de colesterol tiveram altos escores em características que sinalizam  tendência a depressão, comparadas a 19% de mulheres com níveis normais ou elevados de colesterol. Além disso, uma entre três mulheres com baixos níveis de colesterol tinha altos escores para ansiedade, comparados a 21% com níveis normais. Entretanto o autor do estudo, Dr. Edward Suarez, pede cautela para as mulheres com baixo colesterol em comer alimentos como “bolos de nata” que podem elevar o colesterol, advertindo que estes tipos de comida podem “causar doença de coração”.

Em estudos prévios em homens, Dr. Suarez verificou que os homens que reduzem os seus níveis de colesterol com medicamentos tem aumentadas suas taxas de suicídio e morte violenta, o que levou os investigadores a teorizar que “os baixos níveis de colesterol estavam causando perturbações de humor.” Quantos idosos usuários de estatinas  amargam seus anos dourados se sentindo miserável e deprimidos, num momento em que eles deveriam estar desfrutando seus netos e olhar para traz com orgulho das suas realizações? Mas isso é um novo dogma – você pode ter uma vida mais longa, contanto que seja uma experiência similar a viver num vale de lágrimas.

Quais os benefícios?

A maioria dos médicos é convencida  – e procuram convencer os seus pacientes  – que os benefícios de drogas estatinas excedem de longe  os seus efeitos colaterais. Eles podem citar vários estudos nos quais uso de estatina reduziu o número de mortes coronárias comparados a controles. Mas como Dr. Ravnskov mostrou em seu livro “The Cholesterol Myths” (Os mitos do colesterol), (31) os resultados dos principais estudos até o ano 2000 – os 4S: WOSCOPS, CARE, AFCAPS e LIPID  – geralmente mostram apenas pequenas diferenças e essas diferenças eram freqüentemente estatisticamente insignificantes e independentes da quantia da redução de colesterol alcançada.

Em dois estudos, SUPERE e FACAPT / TexCAPS, mais mortes aconteceram no grupo de tratamento comparadas aos controles. Uma meta-análise de 1992 do Dr. Ravnskov de 26 estudos de redução de colesterol chegou a um número igual de mortes cardiovasculares nos grupos de tratamento e nos grupos de controle e um maior número de mortes totais no grupo de tratamento.(32) Uma análise de todas as grandes pesquisas controladas informada antes de 2000 verificou que  o uso em longo prazo de estatina para prevenção primária de doença de coração produziu um risco maior em  1% de morte, num período de 10 anos, comparado ao uso de placebo.(33)

Estudos recentemente publicados não provêem mais nenhuma justificativa para a campanha atual de colocar tantas pessoas quanto possíveis no uso de drogas estatina.

Programa Cardíaco de Honolulu (2001)

Este relatório é parte de um estudo contínuo, que estuda  a redução do  colesterol no idoso. Os investigadores compararam mudanças na taxas do colesterol por mais de 20 anos em todas as causas de mortalidade.(34)

Citamos: “Nossos dados concordam com resultados prévios de aumento da mortalidade nas pessoas idosas com baixo colesterol no soro e mostra que a persistência, em longo prazo, de baixa concentração de colesterol aumenta, de fato,  o risco de morte. Assim, quanto mais cedo os pacientes começam a ter concentrações de colesterol mais baixas, maior o risco de morte. Os resultados mais notáveis foram relacionados a mudanças no colesterol entre o exame três (1971-74) e o exame quatro (1991-93)”.

“Há poucos estudos que têm as concentrações do colesterol dos mesmos pacientes na meia-idade e na velhice. Embora nossos resultados emprestam apoio a resultados prévios de que  o baixo colesterol no soro dá uma perspectiva sombria quando comparado com concentrações mais altas do colesterol nos idosos, nossos dados também sugerem que esses indivíduos, com um baixo colesterol no soro, mantém num período de 20 anos, a pior perspectiva de mortalidade para qualquer causa [ênfase nosso]”.

MIRACL (2001)

O estudo de MIRACL observou os efeitos de uma dose alta de Lipitor® em 3086 pacientes hospitalares após ataque de angina ou infarto não fatal e os acompanhou por 16 semanas.(35) De acordo com o resumo: “Nos pacientes com síndrome coronária aguda a terapia de redução de lipídios com atorvastatina, 80 mg/dia, reduziu os eventos isquêmicos periódicos nas primeiras 16 semanas, a maioria das isquemias sintomáticas  requer  nova hospitalização”. O que o resumo não mencionou era que não havia nenhuma mudança no índice de mortalidade comparada a controles e nenhuma mudança significante na taxa de re-infarto ou necessidade de reanimação por parada cardíaca. A única mudança significante foi uma queda na dor torácica que requereria re-hospitalização.

ALLHAT (2002)

ALLHAT (Tratamento anti-hipertensivo e redutor de lipídios para Prevenir Ataques do coração), o maior estudo norte americano de redução do colesterol já realizado e o maior  deles, do mundo, utilizando Lipitor®, mostrou que  a mortalidade do grupo de tratamento e de controle após 3 ou 6 anos foi idêntica.(36)

Os pesquisadores usaram dados de mais de 10.000 participantes, que foram acompanhados por um período de quatro anos, comparando o uso de uma droga estatina com os “cuidados habituais”, isto é: controle de peso corporal, não fumar, exercício regular, etc., para tratamento de indivíduos com níveis moderadamente altos de colesterol LDL. Dos 5170 pacientes no grupo que recebeu drogas estatinas, 28% reduziu o seu colesterol LDL significativamente. E aproximadamente, dos 5185 sujeitos com os cuidados habituais, 11% tiveram uma queda semelhante no LDL. Mas ambos os grupos mostraram as mesmas taxas de morte, ataque cardíaco e doença de coração!

Estudo Heart Protection (2002)

Levado a cabo na Oxford University,(37) esse estudo recebeu ampla cobertura da imprensa; os investigadores divulgaram “magníficos benefícios” com a redução do colesterol,(38) que levou um comentarista a predizer que as drogas estatinas era “a nova aspirina”.(39) Mas como o Dr. Ravnskov expôs,(40) os benefícios estavam muito distantes de serem magníficos. Os indivíduos que usaram sinvastatina tiveram uma   taxa de sobrevivência de 87.1% após  cinco anos comparados a uma  taxa de sobrevivência de 85.4% dos controles, e esses resultados foram independentes da quantia de colesterol reduzida. Os autores desse estudo nunca publicaram os dados de mortalidade cumulativa, embora eles recebessem muitos pedidos para fazer isso e embora eles recebessem recursos para tal, e teriam condições de examinar os dados cumulativos.

De acordo com os autores, fornecer os dados de mortalidade ano a ano seria um modo “impróprio” de publicar os resultados de seus estudos.(41)

PROSPER (2002)

PROSPER (Estudo Prospectivo da Pravastatina no Idoso sob Risco) estudou os efeitos da pravastatina, comparado com placebo, em duas populações de pacientes idosos, dos quais 56% teriam uma prevenção primária (nenhuma doença cardiovascular passada ou sintomática) e 44% teriam prevenção secundária (doença cardiovascular passada ou sintomática). (42)

A pravastatina não reduziu o infarto do miocárdio total ou o derrame na população da prevenção primária, mas assim o fez no grupo de prevenção secundária. Entretanto, a mensuração do impacto na saúde global das populações combinadas, a mortalidade total e a totalidade de eventos adversos sérios ficaram inalterados com o uso de  pravastatina quando comparado ao placebo, e aqueles do grupo de tratamento tiveram um aumento de taxas de câncer. Em outras palavras: não houve salvação de vidas.

J-LIT (2002)

A pesquisa japonesa de intervenção nos lipídios (Japanese Lipid Intervention Trial) foi um estudo de 6  anos com 47.294 pacientes tratados com uma mesma dose de sinvastatina.(43) Os pacientes foram agrupados pela quantia de colesterol reduzida. Alguns pacientes não tinham nenhuma redução nos níveis de LDL, alguns tiveram uma queda moderada no LDL e alguns tiveram reduções no LDL muito marcantes. Os resultados: nenhuma correlação entre a quantia de LDL reduzida e o índice de mortalidade em cinco anos. Aqueles com colesterol LDL abaixo de 80 tiveram um índice de mortalidade de 3.5 em cinco anos; aqueles cujo LDL estava acima de 200 tiveram um índice de mortalidade de  3.5 em cinco anos.

Meta-análise (2003)

O índice de mortalidade foi igual a 1% dos pacientes em cada um dos três grupos em uma meta-análise de 44 pesquisas que envolveram quase 10.000 pacientes, um grupo utilizava atorvastatina (Lipitor®), um grupo com outra estatina, e um outro grupo sem medicação.(44) Além disso, 65% dos pacientes em tratamento contra 45% dos controles experimentaram um evento adverso. Os investigadores afirmaram que a incidência de efeitos adversos era o mesmo em todos os três grupos, mas 3% dos pacientes tratados com atorvastatina e 4% do grupo com outra estatina foram retirados devido a eventos adversos associados ao tratamento, comparados com 1% de pacientes no placebo.

Estatina e placa (2003)

(Placa é o termo utilizado para referir-se à placa calcificada – ateroma – que se forma no interior das artérias e que pode levar a obstrução da mesma, podendo ser causa de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral, derrame, NT.)

Um estudo publicado no American Journal of Cardiology lançou sérias dúvidas na convicção geralmente aceita de que reduzir o seu colesterol LDL, o denominado colesterol ruim, é o modo mais efetivo de reduzir a placa arterial. 45  Investigadores do Centro Médico Beth Israel, de New York City, examinaram a formação de placa coronária em 182 indivíduos que tomaram medicamentos para os níveis de colesterol. Um grupo de pacientes usou a droga “agressivamente” (mais de 80 mg/dia) enquanto a média dos demais usou menos de 80 mg/dia.

Usando a tomografia, os investigadores mediram a placa em todos  os pacientes antes e depois do período de estudo por mais de um ano. Os pacientes geralmente tiveram êxito na redução de suas taxas de colesterol, mas no final não havia nenhuma diferença estatística nos dois grupos na progressão da placa arterial. Em média, os integrantes dos dois grupos mostraram um percentual de 9.2% de aumento na formação da placa.

Estatina e mulheres (2003)

Não há nenhum estudo que tenha mostrado uma redução significante na mortalidade em mulheres tratadas com estatinas. A Initiative Therapeuticsda Universidade de British Columbia chegou à mesma conclusão, com a verificação de que as estatinas não oferecem nenhum benefício a mulheres para prevenção de doença do coração.(46) Contudo em fevereiro de 2004, a revista Circulation publicou um artigo no qual mais que 20 organizações endossaram diretrizes para a prevenção de doença cardiovascular nas mulheres com várias menções de “preferencialmente uma estatina”. (47)

ASCOT-LLA (2003)

ASCOT-LLA (Anglo-Scandinavian Cardiac Outcomes Trial – Lipid Lowering Arm) uma pesquisa anglo-escandinava,  foi projetada para avaliar os benefícios de atorvastatina (Lipitor®) em relação a um placebo em pacientes que tinham pressão alta com médias, ou abaixo da média, concentrações de colesterol e pelo menos três outros fatores de risco cardiovascular.(48) A pesquisa foi planejada originalmente para cinco anos, mas foi interrompida depois de um seguimento médio de 3,3 anos por causa de uma redução significante em eventos cardíacos. Lipitor® reduziu as totalizações do infarto do miocárdio e derrame; porém, a mortalidade total não foi reduzida significativamente. Na realidade, as mulheres ficaram em pior situação com o tratamento. O relatório desse ensaio declarou que o total de eventos adversos sérios não “diferiram entre pacientes que usaram atorvastatina ou placebo”, mas não informou os números finais desses eventos sérios.

Níveis de Colesterol nos pacientes em diálise (2004)

Em um estudo de pacientes de diálise, esses com níveis de colesterol mais altos tiveram mortalidade inferior àqueles com níveis mais baixos.(49) Contudo os autores alegaram que a associação inversa “de que o nível de colesterol total com mortalidade em pacientes de diálise é provavelmente devido ao efeito redutor do colesterol pela inflamação sistêmica e desnutrição, não por um efeito protetor das concentrações altas do colesterol”. Tendo o cuidado com possíveis futuras implicações, os autores  concluíram: “Estes resultados dão suporte ao tratamento da hipercolesterolemia nesta população”.

PROVE-IT (2004)

O PROVE-IT (PRavastatina Or atorVastatina Evaluation and Infection sTudy), (50) foi conduzido por investigadores da Escola Médica Universitária de Harvard, e chamou a atenção de mídia. “O estudo de duas drogas para o Colesterol encontra uma parada na Doença do Coração”, era a manchete do New York Times.(51) Em um editorial intitulado: “Colesterol Extra-baixo”, o jornal prognosticou que “Os resultados podem pressagiar, certamente, uma mudança significante no modo como são tratados os pacientes com doença do coração. Adicionalmente, poderá ser o começo de uma avaliação cuidadosa das pessoas saudáveis em relação aos benefícios do uso das eficientes drogas que reduzem os seus  níveis de colesterol”.(52)

O jornal Washington Post foi até mesmo mais efusivo, com a manchete: “Notáveis benefícios encontrados com a baixa extrema do colesterol”.(53)

“Pacientes cardíacos que alcançaram níveis de colesterol extremamente baixos em um estudo tinham 16% menos chance de adoecer ou morrer do que aqueles que mantém o que são considerados como níveis ótimos ou normais. Os resultados deveriam incitar os médicos em prescrever doses muito mais altas das drogas conhecidas como estatinas à centenas de milhares de pacientes que já teriam severos problemas de coração, os peritos afirmaram. Além disso, provavelmente encorajaria aos médicos começarem a receitar esses medicamentos a milhões de pessoas saudáveis que não estão, nesse momento, usando essas substâncias, ou aumentar as dosagens daqueles que já estão empregando esses redutores de colesterol, para uma redução ainda maior, afirmaram eles.”

Esse estudo comparou duas drogas estatinas: Lipitor® e Pravacol®. Embora a Bristol Myers-Squibb (BMS), fabricante do Pravacol, fosse o patrocinador do estudo, Lipitor® (feito pela Pfizer) ultrapassou seu rival Pravacol na redução do colesterol LDL. O “benefício notável” seria uns 22% de taxa de mortalidade ou eventuais  transtornos coronários adversos nos pacientes com Lipitor® comparados aos 26% dos pacientes com Pravacol®.

Os investigadores do PROVE-IT visaram 4162 pacientes que tinham estado sob acompanhamento hospitalar em seguimento a infarto ou angina instável. A metade utilizou Pravacol® e a outra metade usou Lipitor®. Aqueles que usaram Lipitor® tiveram a maior redução do colesterol  LDL, no grupo do Pravacol® foi a 95, no grupo de Lipitor® foi 62 – ou seja: 32% de redução maior nos níveis de LDL e uma taxa de 16% de redução na mortalidade por qualquer causa. Mas os 16% foi uma redução de risco relativa. Como foi pontuado pelo Red Flags Daily através do colunista Dr. Malcolm Kendrick, a redução absoluta na taxa do índice de mortalidade do Lipitor® em relação ao Pravacol®, foi de 1,0%, uma diminuição de 3,2% para 2,2% em 2 anos.(54) Ou, colocando isso de outra maneira, uma  redução de risco absoluta anual de 0,5% – estas eram os números que lançaram a formidável campanha de redução do colesterol para as pessoas sem fatores de risco para doença cardíaco, nem mesmo com taxas de colesterol elevado.

E o estudo foi seriamente invalidado com o que Kendrick chamou de “o enigma de duas variáveis”. “É verdade que esses com o maior redução de LDL foram protegidos contra morte. Porém… aqueles que estavam protegidos não apenas tinham uma menor taxa de LDL, eles estavam também sob efeitos de drogas diferentes! o que é bastante importante, contudo isso parece ter sido omitido na onda do exagero. Se você realmente quer provar que quanto mais você reduz o nível de LDL, maior é a proteção, então você DEVE usar a mesma droga. Isto alcança uma premissa absolutamente crítica de qualquer experiência científica, qual seja: remover todas as possíveis variáveis não controláveis… Como este estudo está posto, uma vez que foi utilizado drogas diferentes, qualquer um pode fazer a conjectura de que os benefícios vistos nos pacientes com atorvastatina [Lipitor®] não teria nada a ver com a maior redução do LDL; eles poderiam ser puramente devido aos efeitos diretos da droga atorvastatina”.

Kendrick observou que o estudo J-LIT, cuidadosamente planejado, publicado 2 anos antes, não encontrou nenhuma correlação entra as taxas de redução de LDL e o índice de mortalidade. Este último estudo tinha dez vezes mais pacientes, durou quase três vezes mais tempo e usou a mesma droga com a mesma dosagem em todos os pacientes. Sem surpreender, J-LIT não chamou, virtualmente, nenhuma atenção da mídia.

PROVE-IT não examinou os efeitos colaterais, mas o Dr. Andrew G. Bodnar, vice-presidente sênior para estratégia e negócios médicos da Bristol Meyer Squibb, fabricante da estatina perdedora, mostrou que as enzimas do fígado foram elevadas em 3,3% no grupo de uso do Lipitor®, e apenas em 1,1% com o Pravacol®, observando que quando as enzimas do fígado se elevam, os pacientes devem ser aconselhados a deixar de tomar o remédio ou reduzir a dose.(55) E taxas de abandono foram muito altas: 33% dos pacientes descontinuaram Pravacol® e 30% descontinuaram Lipitor®depois de dois anos devido a efeitos adversos ou a outras razões.(56)

REVERSÃO (2004)

Em um estudo semelhante, realizado na Clínica de Cleveland, os pacientes receberam Lipitor®ou Pravachol®. Os que receberam Lipitor® alcançaram níveis muito baixos de colesterol LDL e uma reversão “na progressão de agregação da placa coronária”.(57) Aqueles que usaram Lipitor®tiveram a placa reduzida em 0.4% em mais de 18 meses, baseado no exame ultra-som intravascular (e não num exame mais preciso como a tomografia).

Dr. Eric Topol da Clínica de Cleveland anunciou esses resultados, decididamente não tão espetaculares: “Proclamo um terremoto no campo da prevenção cardiovascular… as implicações desse decisivo momento – isso é, uma nova era na terapia intensiva das estatinas – são profundas. Hoje em dia, só uma fração dos pacientes que deveriam ser tratados com uma estatina está recebendo devidamente tal terapia… Mais de 200 milhões pessoas em todo o mundo preenchem os critérios para tratamento, mas menos do que 25 milhões utilizam uma estatina”.(58) Sem surpresa, um artigo no Wall Street Journal noticiou “Uma onda de prescrições de Lipitor® na esteira de grande estudo”.(59)

Mas como o Dr. Ravnskov apontou, os investigadores examinaram a mudança no volume da placa de ateroma, não para a mudança na área do lúmen (diâmetro interno da artéria, NT), “um parâmetro mais importante porque determina a quantia de sangue que pode chegar ao miocárdio. A mudança de volume da placa não pode ser traduzida em eventos clínicos porque mecanismos de adaptação tentam manter uma área de lúmen normal durante o início da formação dos ateromas.”(60)

Outros usos

Com essas irrisórias evidências de benefício, as drogas estatinas dificilmente merecem tamanha reputação. Ainda assim a indústria mantém a imprensa repleta de eventos, propondo o uso desses medicamentos para um número cada vez maior de pessoas, não só para a redução do colesterol, mas também como tratamento para outras doenças: câncer, esclerose múltipla, osteoporose, derrame, degeneração macular, artrite e até mesmo desordens mentais como problemas de memória e de aprendizado, doença de Alzheimer e outras demências.(61)

As novas diretrizes publicados pelo Colégio Americano de Clínicos chamou para o uso de estatina todas as pessoas com diabete  com mais de 55 anos e os pacientes com diabete, mais jovens, mas que têm quaisquer outros fatores de risco para doença do coração, como pressão alta ou uma história de tabagismo.(62)

David A. Drachman, professor de neurologia da Escola Médica da Universidade de Massachusetts, chamou as estatinas de “Viagra para o cérebro”.(63)

Outros escritores médicos anunciaram uma multi-pílula, composta de uma droga estatina misturada com um medicamento para pressão arterial, aspirina e niacina, como um preventivo para tudo e que todo o mundo pode tomar. A indústria também está buscando o direito para vender estatina pelo guichê.

Poderia uma avaliação honesta encontrar um possível uso para essas drogas perigosas? O dr. Peter Langsjöen de Tyler, Texas, sugere que as drogas estatinas só sejam apropriadamente utilizadas para o tratamento de avançada Neurose do Colesterol, enfermidade criada pela indústria da propaganda anti-colesterol. Se você se preocupar com seu colesterol, uma droga estatina o aliviará de suas preocupações.

Propaganda criativa

A melhor propaganda para as drogas estatinas é a primeira página grátis, a capa de efusivos press realeses. Mas não é todo o mundo que lê esses artigos ou participam de exames médicos regulares, assim os fabricantes das estatinas despedem uma grande quantia de dinheiro, de modo mais criativo, para criar seus novos usuários. Por exemplo, um novo grupo de conscientização de saúde chamado de Boomer Coalition apoiou o programa de televisão ABC’s Academy Awards em março de 2004 com um spot de 30 segundos onde brilhavam imagens nostálgicas de celebridades que foram perdidas por doença cardiovascular como o ator James Coburn, a estrela de beisebol Don Drysdale e o comediante Redd Foxx. Apesar da Boomer Coalition parecer um genuíno grupo de ativistas pela saúde, é de fato uma criação da Pfizer, os fabricantes de Lipitor®.

“Nós estamos sempre procurando modos criativos para penetrar naquilo que nós achamos ser uma falta de consciência e ação”, diz Michal Fishman, um porta-voz de Pfizer. “Nós estamos sempre procurando pelo que as pessoas realmente pensam e o que vai fazer as pessoas tomarem decisões”, acrescenta que há um estigma sobre procurar tratamentos e muitas pessoas “equivocadamente assumem que, se eles estão fisicamente bem, eles não estão sob risco de doença do coração”.(64)

O site da internet da Boomer Coalition permite aos visitantes se inscrever e assumir responsabilidade sobre a sua “saúde cardíaca”, ao informar um nome de usuário, idade, endereço de e-mail, pressão sanguínea e nível de colesterol. Um anúncio de televisão no Canadá advertiu os espectadores a “Perguntar ao seu médico a respeito do Estudo de Proteção ao Coração (Heart Protection Study) da Universidade de Oxford”. O anúncio não estimulou os espectadores a inquerir os seus médicos sobre EXCEL, ALLHAT, ASCOT, MIRACL ou PROSPER, estudos que não demonstraram muitos benefícios – mas sim um potencial para grandes problemas – ao se tomar remédios à base de estatina.

Os custos

As drogas estatinas são muito caras – um ano de uso de estatinas vale entre $900 e $1400. Elas constituem a droga farmacêutica mais amplamente vendida, correspondendo a uma fatia de 6,5% do mercado e 12,5 bilhões de dólares em renda para a indústria. Sua companhia de seguros pode pagar a maioria desse custo, mas os consumidores pagam sempre no final das contas com prêmios de seguro mais caros. O pagamento das drogas estatinas significa um enorme fardo para o Medicare, de tal maneira que esses tipos de fundos não conseguem manter viabilidade de executar outras medidas médicas verdadeiramente eficazes para salvar vidas.

No Reino Unido, de acordo com o Serviço Nacional de Saúde, os médicos redigiram 31 milhões de prescrições de estatinas em 2003, foi 1 milhão em 1995, a um custo de 7 bilhões de libras  – e isso foi apenas naquela pequena ilha.(65) Nos EUA, as estatinas devolvem anualmente $12,5 bilhões para a indústria farmacêutica. Com as vendas de Lipitor®, a estatina número um em vendas, havia a previsão de se alcançar $10 bilhões em 2005.

Mesmo se as drogas estatinas provessem algum benefício, o custo é muito alto. No ensaio clínico WOSCOP, onde foram tratadas pessoas saudáveis com o colesterol elevado com estatina, o índice de mortalidade em cinco anos nos indivíduos tratados foi reduzido em meros 0,6%. Como o Dr. Ravnskov pontuou,(66) para alcançar aqueles mínimos percentuais de redução, aproximadamente 165 pessoas saudáveis tiveram que ser tratadas durante cinco anos para estenderem uma vida por cinco anos. O custo dessa única vida foi de $1,2 milhões de dólares. Nas projeções mais otimistas, são calculadas as despesas para salvar um ano de vida em pacientes com doença coronariana em $10,000 e muito mais para indivíduos saudáveis. “Isto pode não soar razoável”, diz o Dr. Ravnskov. “O valor de uma vida humana não é $10.000 ou mais?”

“A implicação de tal raciocínio é que para adicionar tantos anos quanto fosse possível, mais do que a metade de um ser humano deveria tomar estatinas diariamente a partir de uma idade precoce até o final da vida. É fácil calcular que as despesas para tal tratamento consumiriam a maioria do orçamento de saúde de qualquer governo. E se o dinheiro for gasto para dar estatinas a todas às pessoas saudáveis, o que restará para o  cuidado daqueles que realmente precisam desses recursos? Não deveriam os serviços de saúde pública dirigir-se principalmente para os doentes e os necessitados?”

REFERÊNCIAS

  1. Hoffman G. N Engl J Med1986;314:1610-24
  2. Eleanor Laise. The Lipitor Dilemma, Smart Money: The Wall Street Journal Magazine of Personal Business, November 2003.
  3. Eleanor Laise. The Lipitor Dilemma, Smart Money: The Wall Street Journal Magazine of Personal Business, November 2003.
  4. Beatrice A. Golomb, MD, PhD on Statin Drugs, March 7, 2002. –
    www.coloradohealthsite.org/topics/interviews/golomb.html
  5. Melissa Siig. Life After Lipitor: Is Pfizer product a quick fix or dangerous drug? Residents experience adverse reactions. Tahoe World,January 29, 2004.
  6. Jamil S, Iqbal P. Heart2004 Jan;90(1):e3.
  7. Personal communication, Laura Cooper, May 1, 2003.
  8. Sinzinger H, O’Grady J. Br J Clin Pharmacol. 2004 Apr;57(4):525-8.
  9. Smith DJ and Olive KE. Southern Medical Journal 96(12):1265-1267, December 2003.
  10. Gaist D and others. Neurology2002 May 14;58(9):1321-2.
  11. Statins and the Risk of Polyneuropathy.http://coloradohealthsite.org/CHNReports/statins_polyneuropathy.html
  12. The Struggles of Older Drivers, letter by Elizabeth Scherdt. WashingtonPost, June 21, 2003.
  13. Langsjoen PH. The clinical use of HMG Co-A reductase inhibitors (statins) and the associated depletion of the essential co-factor coenzyme Q10: a review of pertinent human and animal data. http://www.fda.gov/ohrms/dockets/dailys/02/May02/052902/02p-0244-cp00001-02-Exhibit_A-vol1.pdf
  14. Eleanor Laise. The Lipitor Dilemma, Smart Money: The Wall Street Journal Magazine of Personal Business,November 2003.
  15. Langsjoen PH. The clinical use of HMG Co-A reductase inhibitors (statins) and the associated depletion of the essential co-factor coenzyme Q10: a review of pertinent human and animal data. http://www.fda.gov/ohrms/dockets/dailys/02/May02/052902/02p-0244-cp00001-02-Exhibit_A-vol1.pdf
  16. Clark AL and others. J Am Coll Cardiol2003;42:1933-1943.
  17. Personal communication, Jason DuPont, MD, July 7, 2003
  18. Sandra G Boodman. Statins’ Nerve Problems. Washington Post, September 3, 2002.
  19. Eleanor Laise. The Lipitor Dilemma, Smart Money: The Wall Street Journal Magazine of Personal Business, November 2003,
  20. King, DS. Pharmacotherapy25(12):1663-7, Dec, 2003.
  21. Muldoon MF and others. Am J Med 2000 May;108(7):538-46.
  22. Email communication, Beatrice Golomb, July 10, 2003.
  23. Duane Graveline, MD. Lipitor: Thief of Memory, 2004, www.buybooksontheweb.com.
  24. Lopena OF. Pharm D, Pfizer, Inc., written communication, 2002. Quoted in an email communication from Duane Graveline, spacedoc@webtv.netspacedoc@webtv.net
  25. Newman TB, Hulley SB. JAMA1996;27:55-60
  26. Sacks FM and others. N Eng J Med1996;385;1001-1009.
  27. Heart Protection Study Collaborative Group. Lancet2002;360:7-22.
  28. Leung BP and others. J Immunol.Feb 2003 170(3);1524-30; Palinski W. Nature Medicine Dec 2000 6;1311-1312.
  29. J Pharm Technol2003;19:283-286.
  30. Low Cholesterol Linked to Depression. BBC Online Network, May 25,1999.
  31. Uffe Ravnskov, MD, PhD. The Cholesterol Myths. NewTrends Publishing, 2000.
  32. Ravnskov U. BMJ. 1992;305:15-19.
  33. Jackson PR. Br J Clin Pharmacol 2001;52:439-46.
  34. Schatz IJ and others. Lancet2001 Aug 4;358:351-355.
  35. Schwartz GG and others. J Am Med Assoc. 2001;285:1711-8.
  36. The ALLHAT Officers and Coordinators for the ALLHAT Collaborative Research Group. JAMA 2002;288:2998-3007.
  37. Heart Protection Study Collaborative Group. Lancet2002;360:7-22.
  38. Medical Research Council/British Heart Foundation Heart Protection Study.Press release. Life-saver: World’s largest cholesterol-lowering trial reveals massive benefits for high-risk patients. Available at www.ctsu.ox.ac.uk/~hps/pr.shtml.
  39. Kmietowicz A. BMJ2001;323:1145
  40. Ravnskov U. BMJ2002;324:789
  41. Email communication, Eddie Vos, February 13, 2004 and posted at www.health-heart.org/comments.htm#PetoCollins.
  42. Shepherd J and others. Lancet2002;360:1623-1630.
  43. Matsuzaki M and others. Circ J. 2002 Dec;66(12):1087-95.
  44. Hecht HS, Harmon SM. Am J Cardiol2003; 92:670-676
  45. Hecht HS and others. Am J Cardiol2003;92:334-336
  46. Jenkins AJ. BMJ2003 Oct 18;327(7420):933.
  47. Circulation, 2004 Feb 17;109(6):714-21.
  48. Sever PS and others. Lancet2003;361:1149-1158.
  49. Liu Y and others. JAMA2004;291:451-459.
  50. Cannon CP and others. N Engl J Med2004 Apr 8;350(15):1495-504. Epub 2004 Mar 08.
  51. Gina Kolata. Study of Two Cholesterol Drugs Finds One Halts Heart Disease. The New York Times, November 13, 2003.
  52. Extra-Low Cholesterol, The New York Times, March 10, 2003
  53. Rob Stein. Striking Benefits Found in Ultra-Low Cholesterol, The Washington Post, March 9, 2004
  54. Dr. Malcolm Kendrick. PROVE IT- PROVE WHAT?http://www.redflagsweekly.com/applications/ui/login.php?Next=/kendrick/2004_mar10.php&e=4
  55. Health Sciences Institute e-alert, www.hsibaltimore.com, March 11, 2004
  56. Email communication, Joel Kauffman, April 15, 2004.
  57. Nissen SE and others. JAMA2004 Mar 3;291(9):1071-80.
  58. Dr. Malcolm Kendrick. PROVE IT- PROVE WHAT?http://www.redflagsweekly.com/applications/ui/login.php?Next=/kendrick/2004_mar10.php&e=4
  59. Scott Hensley. The Statin Dilemma: How Sluggish Sales Hurt Merck, Pfizer. The Wall Street Journal, July 25, 2003.
  60. Ravnskov, U. Unpublished letter. ravnskov@tele2.seravnskov@tele2.se.
  61. Cholesterol–And Beyond: Statin Drugs Have Cut Heart Disease. Now They Show Promise Against Alzheimer’s, Multiple Sclerosis & Osteoporosis. Newsweek, July 14. 2003.
  62. John O’Neil. Treatments: Statins and Diabetes: New Advice. New York Times, April 20, 2004.
  63. Peter Jaret. Statins’ Burst of Benefits. Los Angeles Times, July 2. 2003.
  64. Behind the ‘Boomer Coalition,’ A Heart Message from Pfizer, Wall Street Journal, March 10, 2004
  65. Paul J. Fallon, personal communication, March, 2004.
  66. Uffe Ravnskov, MD, PhD. The Cholesterol Myths.NewTrends Publishing, 2000, pp 208-210.
Publicado por: sosortomolecular | 7 de Fevereiro de 2017

A medicina moderna vai alcançar seu objetivo?

AS CRIANÇAS aprendem desde cedo: para conseguir apanhar uma fruta num galho muito alto, têm de subir nos ombros de um amigo. Na medicina, ocorre algo similar. Os pesquisadores têm chegado cada vez mais alto no que se refere a descobertas, porque se apoiam nos ombros de médicos destacados do passado.

Entre esses antigos profissionais estão homens famosos, como Hipócrates e Pasteur, além de nomes menos conhecidos, como Vesálio e William Morton. O que a medicina moderna deve a eles?

Na antiguidade, a arte da cura em geral não era uma atividade científica, mas envolvia superstição e rituais religiosos. O livro The Epic of Medicine (O Épico da Medicina), editado pelo Dr. Felix Marti-Ibañez, diz: “Para combater as doenças. . , os mesopotâmios recorriam a uma medicina médico-religiosa, pois criam que a doença era uma punição dos deuses.” As raízes da medicina egípcia, que surgiu logo depois, também se encontravam mergulhadas na religião. Assim, desde o início, quem curava era encarado com um senso de admiração religiosa.

No livro The Clay Pedestal (O Pedestal de Barro), o Dr. Thomas A. Preston comenta: “Muitas crenças dos antigos deixaram marcas na prática da medicina, marcas essas que sobrevivem até hoje. Uma dessas crenças era a de que a doença estava fora do controle do paciente e que apenas por meio do poder mágico do médico é que havia esperança de recuperação.”

Lançadas as bases

Com o tempo, porém, a medicina foi adotando um enfoque cada vez mais científico. O mais destacado médico antigo que usou métodos científicos foi Hipócrates. Ele nasceu por volta de 460 AEC na ilha grega de Cós e é considerado por muitos como o pai da medicina ocidental. Hipócrates lançou a base para tratar a medicina de forma racional. Ele rejeitou a noção de que a doença era punição dos deuses, afirmando que tinha causas naturais. A epilepsia, por exemplo, foi por muito tempo chamada de doença sagrada porque se achava que só podia ser curada pelos deuses. Mas Hipócrates escreveu: “Com respeito à doença chamada sagrada: não me parece ser nem mais divina nem mais sagrada do que qualquer outra doença, mas tem uma causa natural.” Hipócrates também foi, pelo que se sabe, o primeiro médico a observar os sintomas de várias doenças e anotá-los para consulta futura.

Séculos mais tarde, Galeno, médico grego nascido em 129 EC, também fez inovadoras pesquisas científicas. Baseado na dissecação de humanos e animais, Galeno preparou um compêndio de anatomia que foi usado pelos médicos durante séculos. André Vesálio, nascido em Bruxelas em 1514, escreveu o livro Sobre a Organização do Corpo Humano. Esse livro sofreu oposição, porque contradisse muitas das conclusões de Galeno, mas lançou a base da anatomia moderna. Segundo o livro Die Grossen (Os Grandes), Vesálio tornou-se assim “um dos mais importantes pesquisadores médicos de todos os povos em todos os tempos”.

As teorias de Galeno sobre o coração e a circulação do sangue também foram rejeitadas com o tempo.* O médico inglês William Harvey passou anos dissecando animais e aves. Ele observou a função das válvulas cardíacas, mediu o volume de sangue em cada cavidade do coração e calculou a quantidade de sangue no corpo. Harvey publicou suas descobertas em 1628 num livro chamado Sobre o Movimento do Coração e do Sangue nos Animais. Ele sofreu críticas, oposição, ataques e insultos. Mas sua obra foi um marco da medicina: havia sido descoberto o sistema circulatório humano!

Barbeiros e cirurgiões

Obtinham-se grandes avanços também nas cirurgias. Durante a Idade Média, muitas vezes eram os barbeiros que faziam cirurgias. Não admira, então, que alguns digam que o pai da cirurgia moderna foi Ambroise Paré, um francês do século 16. Ele foi um pioneiro da cirurgia que também era barbeiro e trabalhou para quatro reis da França. Paré também inventou vários instrumentos cirúrgicos.

Um dos maiores problemas que os cirurgiões do século 19 enfrentavam era a incapacidade de aliviar a dor durante a cirurgia. Mas em 1846 um cirurgião-dentista chamado William Morton foi um dos primeiros a usar anestésicos em cirurgias, o que acabou se tornando comum.

Em 1895, quando fazia experiências com eletricidade, o físico alemão Wilhelm Röntgen detectou raios que atravessavam a carne, mas não os ossos. Ele não sabia a origem dos raios, de modo que os chamou de raios X, nome que continua a ser usado em português. (Em alemão, são chamados de Röntgenstrahlen.) Segundo o livro Die Großen Deutschen (Grandes Alemães), Röntgen disse à esposa: “As pessoas vão dizer: ‘Röntgen enlouqueceu.’” De fato, alguns disseram isso. Mas sua descoberta revolucionou o trabalho dos cirurgiões. A partir de então, eles podiam ver dentro do corpo do paciente sem precisar abri-lo.

Vitórias contra as doenças

Ao longo das eras, doenças infecciosas, como a varíola, vez após vez trouxeram epidemias, terror e morte. Al-Razi (Rhazés ou Razes), um persa do nono século, considerado por muitos o maior médico do mundo islâmico daquele tempo, escreveu a primeira descrição exata, do ponto de vista médico, da varíola. Mas foi séculos mais tarde que um médico britânico, Edward Jenner, descobriu uma maneira de curá-la. Jenner notou que, depois de contrair vacínia (varíola bovina) — uma enfermidade inofensiva —, a pessoa ficava imune à varíola. Com base nessa observação, Jenner desenvolveu uma vacina contra a varíola usando material tirado de ulcerações de vacínia. Isso aconteceu em 1796. Como se deu com outros pioneiros antes dele, Jenner foi criticado e sofreu oposição. Mas sua descoberta do processo de vacinação por fim levou à erradicação daquela doença e forneceu à medicina uma nova arma poderosa.

Louis Pasteur, um francês, usou a vacinação para combater a raiva e o antraz. Ele também provou que os micróbios têm um papel-chave em causar doenças. Em 1882, Robert Koch identificou o bacilo que causa a tuberculose, descrita por um historiador como “a maior assassina entre as doenças do século 19”. Cerca de um ano depois, Koch identificou o germe causador da cólera. A revista Life diz: “O trabalho de Pasteur e de Koch fez surgir a ciência da microbiologia e resultou em avanços nos campos de imunologia, saneamento e higiene que contribuíram mais para aumentar a expectativa de vida humana do que qualquer outro avanço científico dos últimos 1.000 anos.”

A medicina do século 20

No início do século 20, a medicina se apoiava nos ombros desses e de outros médicos brilhantes. Desde então, obtiveram-se avanços médicos com rapidez estonteante: insulina para o diabetes, quimioterapia contra o câncer, tratamento hormonal para problemas glandulares, antibióticos contra a tuberculose, cloroquina para certos tipos de malária e diálise para doenças renais, além de cirurgias de coração aberto e transplantes de órgãos, só para mencionar alguns.

Mas agora que o século 21 se inicia, será que a medicina está perto de atingir o objetivo de garantir “um nível aceitável de saúde para todos os povos do mundo”?

Um objetivo inalcançável?

As crianças sabem que não conseguirão alcançar todas as frutas, mesmo que subam nos ombros de um amigo. Algumas das frutas mais gostosas ficam muito altas, no topo da árvore. De forma similar, a medicina tem avançado gradativamente, alcançando objetivos cada vez mais elevados. Mas a meta mais desejada — saúde para todos — ainda está fora do alcance, no topo da árvore.

Assim, em 1998, um relatório da Comissão Européia afirmou que “os europeus nunca viveram tanto e com tanta saúde”, mas acrescentou: “Uma pessoa em cada cinco morrerá prematuramente antes dos 65 anos. O câncer será responsável por uns 40% dessas mortes, as doenças cardiovasculares, por outros 30%%. . . É preciso fornecer proteção melhor contra as novas ameaças à saúde.”

A revista alemã Gesundheit, dedicada a assuntos de saúde, noticiou em novembro de 1998 que doenças infecciosas, como a cólera e a tuberculose, são uma ameaça cada vez maior. Por quê? Os antibióticos “estão perdendo a eficácia. Cada vez mais bactérias são resistentes a pelo menos um medicamento comum; de fato, muitas delas resistem a vários remédios”. Não são apenas as doenças antigas que voltam a atacar, mas surgiram novas doenças, como a AIDS. A publicação farmacêutica alemã Statistics’97 nos lembra: “Até agora, não há nenhum modo de tratar as causas de dois terços de todas as doenças conhecidas — cerca de 20.000.”

A terapia genética será a resposta?

É verdade que continuam a surgir tratamentos inovadores. Por exemplo, muitos acham que a engenharia genética será a chave para melhorar a saúde. Em resultado de pesquisas feitas nos Estados Unidos na década de 90 por médicos como o Dr. W. French Anderson, a terapia genética foi descrita como “o mais popular entre os novos campos de pesquisa médica”. O livro Heilen mit Genen (Curar com Genes) declara que, com a terapia genética, “a ciência médica talvez esteja no limiar de uma descoberta pioneira. Isso se dá especialmente com o tratamento de doenças até hoje incuráveis”.

Os cientistas esperam com o tempo ser capazes de curar doenças genéticas congênitas injetando genes corretivos no paciente. Até células perigosas, como as cancerosas, talvez possam ser obrigadas a se autodestruir. Já é possível fazer exames genéticos que identificam a predisposição da pessoa a certas doenças. Alguns dizem que a farmacogenômica — alterar os medicamentos para ajustá-los ao perfil genético do paciente — será o próximo passo. Um pesquisador destacado afirmou que algum dia os médicos serão capazes de “diagnosticar a doença dos pacientes e dar-lhes os exatos fragmentos de material genético necessários para curá-los”.

Mas nem todos estão convencidos de que a terapia genética vá fornecer a cura milagrosa do futuro. De fato, segundo pesquisas, muitas pessoas talvez nem queiram que seu perfil genético seja analisado. Outros temem que a terapia genética seja uma interferência perigosa na natureza.

Só o tempo dirá se a engenharia genética ou outros métodos de alta tecnologia médica cumprirão suas grandes promessas. Mas é melhor não ser otimista demais. O livro The Clay Pedestal descreve um ciclo bem conhecido: “Surge uma nova terapia, que é divulgada em conferências médicas e em revistas especializadas. Seus criadores viram celebridades entre seus pares e a imprensa saúda o avanço. Depois de um período de euforia e de depoimentos bem documentados em favor do tratamento maravilhoso, surge gradativamente a desilusão, que dura de alguns meses a várias décadas. Daí, descobre-se um novo remédio que, quase da noite para o dia, substitui o anterior, que então é prontamente abandonado como inútil.” De fato, muitos remédios que a maioria dos médicos abandonou por considerar ineficazes eram o tratamento-padrão até relativamente pouco tempo atrás.

Embora os médicos hoje não tenham o status semidivino que tinham no passado, algumas pessoas ainda têm a tendência de lhes atribuir poderes quase sobrenaturais e de imaginar que é inevitável que a ciência por fim cure todos os males da humanidade. Mas a realidade está bem longe disso. No livro How and Why We Age (Como e Por Que Envelhecemos), o Dr. Leonard Hayflick diz: “Em 1900, 75% das pessoas nos Estados Unidos morriam antes de atingir os 65 anos. Hoje, essa estatística é quase o contrário: cerca de 70% morrem depois dos 65 anos.” O que causou esse notável aumento na expectativa de vida? Hayflick explica que isso “se deu basicamente devido à redução na taxa de mortalidade dos recém-nascidos”. Suponhamos que a medicina conseguisse eliminar as principais causas de morte dos idosos: doenças cardíacas, câncer e derrames. Será que isso seria o mesmo que conseguir imortalidade? Dificilmente. O Dr. Hayflick menciona que, mesmo assim, “a maioria das pessoas viveria até mais ou menos os cem anos”. E acrescenta: “Esses centenários ainda não seriam imortais. Mas do que morreriam? Eles simplesmente ficariam cada vez mais fracos até morrer.”

Assim, apesar dos esforços da ciência médica, a eliminação da morte continua fora do alcance da medicina. Por quê? Será que a meta de se conseguir saúde para todos é um sonho inalcançável?

[Nota(s) de rodapé]

Segundo a Enciclopédia Mirador, Galeno achava que o fígado transformava o alimento digerido em sangue, que então fluía para o resto do corpo e era absorvido.

“Muitas crenças dos antigos deixaram marcas na prática da medicina, marcas essas que sobrevivem até hoje.” — The Clay Pedestal

Hipócrates, Galeno e Vesálio lançaram a base da medicina moderna

Ilha de Cós, Grécia

Cortesia de National Library of Medicine

  1. Vesálio em xilogravura de Jan Steven von Kalkar tirada deMeyer’s Encyclopedic Lexicon

Ambroise Paré foi um barbeiro e cirurgião pioneiro que trabalhou para quatro reis da França

 

Publicado por: sosortomolecular | 25 de Janeiro de 2017

Acalmando crianças hiper com plantas

Hibiscos, Stevia, Valeriana, Limão, Hortelã-pimenta, Maçã, Canela, Hortelã, Cevada, Arroz, Trigo, Alface, Berinjela.

Noé era uma criança hiperativa. Os pais de Noé haviam trabalhado com ele por alguns anos, e depois de uma enorme quantidade de tentativa e erro, descobriram que quando Noé ficava longe do açúcar refinado, ele era normal, mas assim que comia qualquer coisa que tivesse a menor quantidade, Ele ficaria louco.

Recentemente eles tiveram um poderoso lembrete disto. Foi durante uma festa da Páscoa que Noé escapar de sua avó, que estava olhando para ele, e engoliu alguns ovos de chocolate. Pouco tempo depois, Noé saltou sobre uma mesa e começou a girar descontroladamente e a gritar no alto de seus pulmões – muito ao choque de outros festeiros.

Noé era menor do que a maioria das crianças de sua idade, mas ele era excepcionalmente ativo e brilhante. Vários médicos que tinham levado a ele tinha oferecido drogas como Ritalina, que é um “suave” estimulante do sistema nervoso central, de acordo com a Physicians Desk Reference (PDR), 43rd ed., 1989.

Isso não parecia ajudar muito. Na verdade, Noé parecia ficar mais nervoso e ansioso, e começou a perder o apetite enquanto estava na droga. Os pais de Noé experimentaram muitas outras maneiras de manter um equilíbrio em seu sistema e evitar sintomas de hiperatividade e seu problema ocasional de manter sua atenção na escola. O seguinte é o que aprenderam.

Isso não parecia ajudar muito. Na verdade, Noé parecia ficar mais nervoso e ansioso, e começou a perder o apetite enquanto estava na droga. Os pais de Noé experimentaram muitas outras maneiras de manter um equilíbrio em seu sistema e evitar sintomas de hiperatividade e seu problema ocasional de manter sua atenção na escola. O seguinte é o que aprenderam.

É interessante rever o atual pensamento médico alopático sobre a condição, a fim de entender algumas das maneiras em que a nossa sociedade considera esta condição, bem como maneiras que é provável que seja visto quando uma criança é levada a um médico. Outras terapias holísticas seguirão.

O que é Hiperatividade em Crianças?

De acordo com a PDR, hiperatividade patológica em crianças às vezes é chamado de Déficit de Atenção, Síndrome de Criança Hipercinética ou menor Disfunção Cerebral. Embora a PDR recomenda o uso de Ritalina, outros fatores – psicológicos, educacionais e sociais – também são mencionados de passagem.

Essa desordem é caracterizada por “o seguinte grupo de sintomas inadequados ao desenvolvimento: distração  moderada a grave, curta atenção, hiperatividade, labilidade emocional e impulsividade”. A incapacidade de aprendizado e a incapacidade de se concentrar na escola ou em casa podem também estar presente. A síndrome é freqüentemente diagnosticada com o uso de um EEG.

Muitos profissionais de saúde natural e herbalistas ver hiperatividade grave em crianças como sendo estreitamente relacionado com nutrição emocional e física. A criança pode ficar faminta por carinho, atenção ou nutrientes importantes que não estão disponíveis em algumas dietas modernas de fast-food. Considerando a prevalência destes tipos de dietas nas cidades de hoje, é surpreendente que o problema não é mais difundido do que é.

Os miúdos são frequentemente extremamente ativos e energéticos. Eles têm energia abundante, e para o olho adulto, é muitas vezes não direcionados e dispersos, fazendo parecer mais fora de controle do que realmente é. Mas as pessoas muito jovens costumam ter um ritmo e um senso inato sobre o modo como sua energia está se movendo. No entanto, muitas vezes não têm a discriminação para saber quando uma atividade é excessiva.

É aqui que é necessária uma orientação suave e firme para ajudar a criança a direcionar essa energia para canais equilibrados e saudáveis. Por exemplo, em vez de correr e gritar descontroladamente na casa, um bom passeio de bicicleta, passeio de skate, ou jogo ao ar livre é igualmente gratificante.

No entanto, muitas vezes não têm a discriminação para saber quando uma atividade é excessiva. É aqui que é necessária uma orientação suave e firme para ajudar a criança a direcionar essa energia para canais equilibrados e saudáveis. Por exemplo, em vez de correr e gritar descontroladamente na casa, um bom passeio de bicicleta, passeio de skate, ou jogo ao ar livre é igualmente gratificante.

O que é hiperativo? É possível que os pais estão se sentindo estressado por causa do trabalho, finanças, ou outros estresses comuns e estão resistindo a energia naturalmente rápida da criança. Eles podem se sentir como eles querem retardar a criança para baixo, controlar essa energia de forma pesada, e forçar a criança a abrandar a sua velocidade. Muitos pais descobriram que quando

Muitos pais descobriram que quando eles estão realmente com seus filhos e oferecer-lhes o contato próximo e frequente que eles precisam, tanto física como mentalmente, a hiperatividade é menos um problema.

Fatores mais importantes de hiperatividade infantil

Problemas emocionais / de relacionamento

Falta de toque físico, expressões de carinho e amor

Não se tocando com as crianças freqüentemente compartilhando atividades e interesses

Não ajudar as crianças a canalizar sua energia de forma positiva

Dieta

Produtos de açúcar refinados (refrigerantes, doces, mel, frutos secos, sumos de frutas)

Alimentos processados com aditivos alimentares, corantes artificiais

Os alérgenos alimentares (os mais comuns são os produtos lácteos pasteurizados, os ovos, o trigo e os alimentos da família das dormideiras – isto é, tomates, berinjela, batatas)

Outros Fatores Ambientais

Contaminação de metais pesados (como chumbo de pintura de casa ou mercúrio de recheios)

Iluminação artificial

Campos eletromagnéticos fortes

Poluição sonora

Açúcar – Usar alternativa herborista

É fácil dizer cortar o açúcar, mas muitas vezes não é tão fácil manter as crianças longe dela. Felizmente, hoje existem inúmeras alternativas em lojas de saúde natural. Descobri que os edulcorantes baseados em carboidratos mais complexos, como o xarope de arroz integral orgânico ou o malte de cevada, são menos estimulantes. Há um número de tratamentos comercialmente disponíveis contendo estes.

Dois edulcorantes Herbal que realmente funcionam bem são stevia (a erva doce) e Licorice. Para usar folha de stevia, basta fazer um chá (1/2 tsp para um copo de água – deixe em imersão por 15 minutos) e adicione 1/8 xícara a uma pequena quantidade de malte de cevada ou xarope de arroz integral para melhorar o sabor doce. Esta combinação ajuda a mascarar

Há um número de tratamentos comercialmente disponíveis contendo estes. Dois edulcorantes Herbal que realmente funcionam bem são stevia (a erva doce) e Licorice. Para usar folha de stevia, basta fazer um chá (1/2 tsp para um copo de água-deixe íngreme por 15 minutos) e adicione 1/8 xícara a uma pequena quantidade de malte de cevada ou xarope de arroz integral para melhorar o sabor doce. Esta combinação ajuda a mascarar o sabor ligeiramente amargo da stevia. A stevia tem um gosto doce, mas não estimula o metabolismo.

A erva é originária da América do Sul, onde tem sido usada no Paraguai em alimentos e bebidas por séculos. Curiosamente, é o adoçante que faz Coca-Cola doce no Japão. Atualmente, a Food and Drug Administration está tentando impedir a importação e venda da erva neste país. A Associação Americana de Produtos Herbais (AHPA), associação comercial da indústria de ervas recentemente apresentou uma petição ao FDA, solicitando que a stevia

Esta combinação ajuda a mascarar o sabor ligeiramente amargo da stevia. A stevia tem um gosto doce, mas não estimula o metabolismo. A erva é originária da América do Sul, onde tem sido usada no Paraguai em alimentos e bebidas por séculos. Curiosamente, é o adoçante que faz Coca-Cola doce no Japão. Atualmente, a Food and Drug Administration está tentando impedir a importação e venda da erva neste país. A Associação Americana de Produtos Herbais (AHPA), associação comercial da indústria de ervas recentemente apresentou uma petição ao FDA, solicitando que a stevia

A Associação Americana de Produtos Herbais (AHPA), associação comercial da indústria de ervas, recentemente apresentou uma petição ao FDA, pedindo que a stevia seja concedida “Geralmente Reconhecido como Seguro (GRAS) status, permitindo que ele seja usado livremente em vários produtos para consumo. Se você gostaria de apoiar este esforço, você pode escrever para o seu congresso, a Casa Branca e da FDA, solicitando que a stevia ser reconhecido como seguro para o comércio sem restrições.

Tratamentos alternativos para crianças hiperativas Em vez de refrigerantes (muitos dos quais são carregados com açúcar) ou sucos de frutas engarrafadas, que contém uma quantidade considerável de frutose, há uma série de chás de ervas delicioso que pode ser adoçado com stevia ou alcaçuz.

Tratamento para uma criança hiperativa

Chás de ervas como Camomila, Peppermint, Spearmint, casca de laranja, canela e hibisco adoçado com stevia ou alcaçuz.

Hibiscus Cooler

Hibiscus 3 partes

Casca de laranja 1 parte

Canela 1 parte

Tente adicionar um pequeno punhado de folhas frescas de hortelã-pimenta ou hortelã-pimenta à mistura final

Adoce com suco de maçã (suco de 1 parte para 4 partes de chá) ou use chá de stevia

Beba-o refrigerado, ou faça-o em popsicles derramando em moldes e congelando

Outro Alimento calmante: Aipo e alface têm um efeito calmante sobre os nervos – experimente aipo recheado com manteiga de nozes, etc.

Ervas para a hiperatividade

Aqui estão as ervas que muitos herboristas recomendam para hiperatividade, todos os quais estão amplamente disponíveis em lojas de alimentos naturais como ervas simples ou incluídos em fórmulas. Ervas são geralmente adquiridos em massa para fazer chás, ou como produtos acabados, como cápsulas, comprimidos ou extratos líquidos.

Descobri que os extratos líquidos são especialmente úteis para crianças, porque eles podem ser disfarçados em chá ou suco. A dose pode ser facilmente regulada entre 1 ou 2 gotas até 40 ou 50, o que é adequado para crianças, dependendo da idade e tamanho. Estes líquidos funcionam rapidamente (em 10-20 minutos) em comparação com produtos de ervas em pó, o que pode levar até uma hora.

Remédios herbais

  1. Trevo vermelho – uma excelente escolha em qualquer mistura de chá, como é considerado um “purificador de sangue”, bem como um suave relaxante nervoso. Facilitaria na limpeza do sangue de Toxinas / produtos químicos, enquanto acalma e é recomendado usado durante um longo período de tempo. Use como um chá-1 colher de chá / xícara de água; Íngreme 20 minutos, beber 1/2 xícara de manhã e à noite.
  2. Camomila – segura, eficaz, suave e bom sabor relaxante para crianças.
  3. Lime forte, mas ainda uma erva segura e relaxante.
  4. Valeriana – um relaxante do sistema nervoso central; Excelente como um chá ou planta fresca líquido ou extrato em pó – um dos mais fortes sedativos naturais Herbal, mas não narcóticos e não hábito-formando.
  5. Catnip-outro auxiliar de sono leve e erva relaxante, seguro para crianças.
  6. Papoula da Califórnia – um sedativo seguro para crianças; Recomendado para hiperatividade e insônia.
  7. Alface selvagem e suave sono e sedativo; Geralmente misturado com outras ervas.
  8. Bálsamo de limão – erva do gosto do Lemon que tem um efeito relaxante suave.
  9. A hiperatividade é uma forma de estresse, e a criança também deve ser tratada com Avena (aveia selvagem), um nervo tônico e nutritivo, Vitamina C e Vitaminas B-Complex.

Nota: Os pais também podem se beneficiar do acima, bem como eles também estariam sob estresse com uma criança hiperativa.

Outras maneiras naturais de acalmar

Certifique-se de adicionar lotes de vegetação do mar para a dieta-uma ótima maneira de garantir que a criança está recebendo adequada mineral íons que é essencial para a função adequada do nervo.

Tente dar a uma criança um banho de ervas ou um banho de pés – esta é uma maneira tradicional de relaxar – adicione um chá de flores de lavanda ou uma das outras ervas sedativas, como Limão bravo (Linden).

Yoga exercícios para crianças podem ajudar a relaxar e centro.

Massagem, acupoints-kids adoram ser tocado.

Medicina Tradicional Chinesa vê hiperatividade como resultado de um fígado quente. Holly Eagle, da OMD, da Ancient Roots Medical, localizada em Santa Cruz, CA, diz que em sua experiência trabalhando com crianças hiperativas, ela notou que uma dieta que é muito ácida contribui para irritabilidade e agitação em crianças.

Além disso, o Dr. Eagle diz que há uma tendência à excitabilidade quando o hormônio do crescimento é mais ativo, por exemplo, durante períodos de surtos de crescimento.

Irritações ao sistema de uma criança, como novos dentes estão chegando, etc, pode ser um fator. Ela sente que as crianças que têm problemas com doces tendem a ser inquietas durante a noite.

Os japoneses chamam de hiperatividade a doença do ‘Doce Errado’, e está associada a sintomas de coceira, sentimentos inquietos e Insônia à noite. Dr. Eagle diz que tocar a criança com um toque leve é muito útil e eficaz durante os momentos de hiperatividade, e isso inclui antes de dormir para ajudar a induzir um sono melhor. Também recomenda o resfriamento do fogo fígado. A importância de uma boa dieta não pode ser mais estressado.

Ajuda natural comprovada para TDAH e Hiperatividade

Referências

http://www.natural-holistic-health.com/calming-hyper-kids-with-herbs/

Publicado por: sosortomolecular | 21 de Janeiro de 2017

Diferenças entre as artes terapêuticas: O mundo quer! O Brasil reluta…

Com a ineficácia galopante da Medicina Moderna, de tendência ocidental, racional, monetarista, química, tecnológica, robótica e robotizante, diferentes tipos de medicina e terapêuticas não convencionais surgem multiplicadamente sendo apelidadas de “alternativas”, “complementares”, “paralelas”, “doces” (em França), etc.

Mas as pessoas em geral têm dificuldade em distinguir umas das outras. E a própria legislação é confusa e confundidora. Basta dar um exemplo histórico dessa confusão ao mais alto nível (a própria legislação nacional):

Em Portugal, a recente Lei Nº 71/2013 (publicada no Diário da Republica, 1ª Série – Nº 168 de 2 Set, 2013) diz o seguinte:

Regulamenta a Lei n.º 45/2003, de 22 de Agosto, relativamente ao exercício profissional das atividades de aplicação de terapêuticas não convencionais.”
No “Art.º 2º – Âmbito de aplicação” diz: “A presente lei aplica -se a todos os profissionais que se dedicam ao exercício das seguintes terapêuticas não convencionais:

» Acupuntura;
» Fitoterapia;

  1. c) Homeopatia;
  2. d) Medicina tradicional chinesa;
  3. e) Naturopatia;
  4. f) Osteopatia;
  5. g) Ortomolecular
  6. i) Ozônioterapia
  7. j) Quiropráxia.

– Inclui a “Medicina Tradicional Chinesa”, chamando assim “Terapêutica” a uma “Medicina”! Cada medicina tem vários métodos terapêuticos. Por isso, “Terapia” e “Medicina” são coisas bem distintas;

– Inclui na mesma lista “Acupuntura” e “Medicina Tradicional Chinesa”, como se cada uma fosse uma “terapia” diferente. Ora, além de confusão referida entre “terapia” e “medicina” há aqui uma dupla confusão, pois a Acupuntura faz parte da Medicina Tradicional Chinesa;

– A própria Fitoterapia está incluída na Medicina Tradicional Chinesa (fitoterapia ou farmocopeia próprias da Medicina Tradicional Chinesa, bem entendido). A própria Osteopatia e a Quiropráxia fazem também parte integrante da Medicina Tradicional Chinesa (embora não na forma Ocidental, tal e qual essas terapias estão registradas, mas com uma metodologia algo diferente, integrando-se no que é designado por Tuina).

– A Naturopatia aparece nesta Lei como uma simples “Terapêutica” quando afinal, em sentido lato, todas as outras terapêuticas aqui referidas nesta Lei, se enquadram na Naturopatia, além da Medicina Tradicional Chinesa (que não é uma terapêutica, mas sim uma medicina), pois trata-se de medicina natural (Medicina Tradicional Chinesa) e de terapêuticas naturais que preservam a integridade do individuo ou do doente, usando métodos naturais de prevenção, tratamento e vitalização da pessoa ou do doente.

Mas se a confusão começa logo por cima, na própria legislação, ela continua entre os praticantes ou profissionais, pois embora haja diferenças fundamentais entre a Medicina Natural (Global, etc.) e a Medicina Convencional (Parcial, etc.) há profissionais de Medicina Natural que agem ou se comportam como se estivessem praticando Medicinal Convencional, receitando medicamentos apenas sintomáticos (ainda que naturais e não prejudiciais) ou fazendo tratamentos apenas paliativos ou sintomáticos (ainda que naturais e não prejudiciais). E, por outro lado, há profissionais da Medicina convencional (médicos, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, etc.) que se preocupam com a integridade do doente, que se preocupam com as causas das doenças e que procuram esclarecer o doente e aconselhá-lo para que se torne mais autônomo e independente. E há cada vez mais médicos convencionais a estudarem Medicina Tradicional Chinesa, sobretudo Acupuntura.

Mas o aprender Acupuntura ou mesmo Medicina Tradicional Chinesa em sentido amplo, não garante que ao exercer esteja a fazer Medicina Tradicional Chinesa no sentido profundo, global. Pois quem faz acupuntura ou receita medicamentos da Medicina Tradicional Chinesa (erradamente e eufemisticamente designados pela legislação oficial como simples “suplementos alimentares”) pode usar uma metodologia simplesmente sintomática, ou pode usar métodos preventivos e que vão às causas das doenças.

Pode decidir sobre dialogar profundamente com o doente ou não. Pode decidir esclarecer e educar o doente ou não. Além da confusão entre “terapias” e “medicinas”, chamam-se vulgarmente às Medicinas ou Terapias não convencionais de “Alternativas” quando na realidade, por vezes não existe “alternativa” a uma cirurgia (em certos casos de acidentes graves, etc.); Chamam-se também vulgarmente de “Complementares” como se a medicina convencional fosse a principal (e a outra ou outras de complementares).

Ora é precisamente o oposto! O principal é a prevenção, é a abordagem global. O complementar é que é a medicina tipo bombeiro, que apaga um incêndio que já deflagrou há muito tempo. Por isso a medicina complementar é a Medicina Convencional, e não o contrário! O chamar vulgarmente de “paralela” à Medicina não convencional, é outro absurdo. Não é “paralela” e sim “divergente”! Pois enquanto uma (a natural, global) procura a todo o custo manter a educação do doente, a mudança de hábitos, a preservação da integridade orgânica (sem cirurgia), etc. a outra (a convencional, moderna) boicota esse trabalho, dando-lhe “receitas prontas” de “tira a dor”, “tira o tumor” ou “tira o órgão”, a todo o custo, tornando o doente ainda mais insensível e arrogante, como se não tivesse responsabilidade ou culpa alguma na sua dor ou doença. E, na esmagadora maioria dos casos, ainda recebe prêmio do Estado, sob a forma de subsídio ou desconto institucional para se autodestruir!

Assim, não basta consultar a Carteira Profissional ou a Associação a que o Profissional de Saúde pertence para saber que medicina pratica. É preciso perceber a sua atitude perante a saúde dele próprio, perante o doente, perante a vida e perante a Natureza em geral.

Convém tornar bem claro que são bem distintas, bem diferentes, quando não diametralmente opostas a Medicina Natural, baseada na AUTOCURA INTEGRAL E INDEPENDENTE e a Medicina Artificial (Convencional), baseada na CURA PARCIAL E DEPENDENTE.

A Medicina principal deverá ser Auto-Educativa. É preciso inverter a tendência moderna que obedece cegamente aos interesses puramente financeiros e monetaristas, os quais não apenas desprezam a própria saúde como vivem do aumento assustador das doenças, nomeadamente das doenças crônicas que não param de aumentar, por inconsciência e ignorância das pessoas e dos doentes em particular, usando cada vez mais medicamentos químicos iatrogênicos (provocadores de doenças). É preciso tornar bem claro a diferença entre a verdadeira, autêntica, conscienciosa medicina natural, que usa tratamento profundo, radical (indo à raiz, à causa), global, perene, vitalício e a medicina falsa, comercial, disfarçada, que usa tratamento superficial, momentâneo (“apaga fogos”), provisório.

Comparando estes dois tipos de medicina, como diz o Prof. Tomio Kikuchi, as diferenças são tão grandes e abismais, que é como se estivéssemos a comparar o Céu com o Inferno!. Para despertar consciências, apresentamos a seguir a comparação num quadro resumido entre a Medicinal Natural (Profunda, etc.) e a Medicinal Convencional (Superficial, etc.)

Manuel Moreira
2013.10.11

Publicado por: sosortomolecular | 29 de Novembro de 2016

VITAMINA B¹², A PROTEÇÃO CELULAR

Como vegetariano adoraria dizer que nesse tipo de opção alimentar não é necessária a preocupação com nenhum nutriente.

No entanto os estudos científicos sobre a adequação nutricional da dieta vegetariana nos mostram que a vitamina B¹² é o único nutriente que talvez não consigamos uma perfeita adequação, no caso dos veganos.

Os vegetarianos encontram enormes dificuldades de orientações médico/nutricionais devido à desinformação de muitos profissionais com relação ao vegetarianismo.

Segundo a ADA (American Dietetic Association) e nutricionistas do Canadá em seu posicionamento sobre dietas vegetarianas de 2003 encontramos o seguinte parecer:
“Os profissionais da nutrição têm a responsabilidade de apoiar e encorajar os que demonstram interesse pelo consumo de uma dieta vegetariana.”

Textos da ADA de 1997 já afirmavam que a dieta vegetariana pode ser utilizada em todas as etapas da vida (incluindo a gestação e a infância). Cerca de 8 anos após ainda ouvimos absurdos sobre a dieta vegetariana. E o que é pior: por profissionais ligados à área de nutrição.

O objetivo desse material é o de esclarecer as inúmeras dúvidas que tenho ouvido a respeito da vitamina B¹² no contexto da dieta vegetariana.

Espero que esse texto ajude a orientar você que é vegetariano, simpatizante ou que tem a intenção de se tornar vegetariano. Esse texto também pode ser útil aos profissionais de saúde que gostam de estudar e que têm contato com vegetarianos.

O nosso foco aqui é com relação à vitamina B¹².

Entremos em acordo: vitamina B¹² e Cianocobalamina são sinônimos!!!

Vamos conhecer essa vitamina hidrossolúvel (solúvel em água) de cor rosa?

Histórico

Revisando a literatura terapêutica, alguns pesquisadores demonstraram que em 1824 já existiam relatos de uma doença (anemia perniciosa), geralmente fatal em 1 a 3 anos após o seu diagnóstico.

A solução terapêutica surgiu apenas em 1926 quando George Minot e Willian Murphy demonstraram que a ingestão diária de uma dieta contendo bife de fígado levemente cozido levava a uma remissão da anemia após alguns meses.

A vitamina B¹², ou Cianocobalamina, foi isolada pela primeira vez em 1948 simultaneamente nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Em 1963 foram descobertas as primeiras funções metabólicas dessa vitamina.

Em 1979 as suas funções metabólicas foram elucidadas e a sua síntese concluída.

Desde o seu desenvolvimento histórico 2 prêmios Nobel foram recebidos devido a ela.

Para que serve essa vitamina?

Resumidamente: para a formação do sangue, manutenção do sistema nervoso e funcionamento normal da vitamina B9 (ácido fólico).

Quanto precisamos dessa vitamina?

As doses recomendadas podem apresentar pequenas variações conforme a fonte utilizada.
Segundo a Food and Nutrition Board, 1998, as recomendações são (valores em mcg/dia):

0 a 6 meses 0,4
6 a 12 meses 0,5
1 a 3 anos 0,9
4 a 8 anos 1,2
HOMENS
09 a 13 anos 1,8
15 a 18 anos 2,4
19 a 50 anos 2,4
Mais de 50 anos 2,4
MULHERES
09 a 13 anos 1,8
15 a 18 anos 2,4
19 a 50 anos 2,4
Gestação 2,6
Lactação 2,8

A B¹² e os alimentos

Como essa vitamina é formada?

A única forma de a Cianocobalamina ser fabricada (sintetizada) é através de bactérias.

Portanto, são as bactérias quem produzem a vitamina B¹².

Se são as bactérias que produzem a B¹², por que ela pode ser encontrada nas carnes e no fígado?

A presença de vitamina B¹² nas carnes se deve ao fato de que os animais ingerem ou absorvem (quando produzidas pelas bactérias do seu trato gastrointestinal) a vitamina (produzida pelas bactérias).

A presença de vitamina B¹² no leite e nos ovos se deve à passagem dela do animal para as suas secreções.

Aliás, 50 a 90 % da vitamina ingerida pelos animais é estocada no fígado.

A cobalamina não pode ser encontrada em alimentos de origem vegetal?

Vamos deixar isso bem claro: quem produz essa vitamina são as bactérias!!!

Da mesma forma que frango e peixe não são vegetais (você vegetariano já ouviu muito esse tipo de “equívoco”, não ouviu?), bactérias também não são vegetais.

Plantas não produzem vitamina B¹²!!!

Portanto, se existir B¹² em qualquer alimento de origem vegetal isso ocorreu por contaminação bacteriana.

OBS – Pode também ocorrer vitamina B¹² por contaminação das carnes, mas o alto teor de cobalamina existente nelas se deve à sua presença na própria carne (ingestão e absorção do animal) e não por contaminação.

Curiosidade

Morcegos de fruta obtêm B¹² pelo consumo inadvertido (o bicho é ceguinho) de insetos nas frutas.

Morcegos mantidos em cativeiro recebendo uma dieta com frutas limpas (lavadas) morrem de neuropatia (doença dos nervos) decorrente de falta de B12 em 9 meses.

Nós temos bactérias no intestino grosso. Elas são capazes de produzir B¹² para nós?

Capazes de produzir sim. O problema é absorvê-la.

Os principais microorganismos intestinais que produzem a B¹² se chamam actinomices.

Veremos mais adiante que o local que essas bactérias habitam (intestino grosso) é posterior ao local de absorção (60 cm finais do intestino delgado).

Outros estudos mostram que quando há contaminação do intestino delgado por bactérias do intestino grosso ocorre competição pela B¹² ingerida.

Não somos ruminantes. Não temos várias câmaras gástricas e nem a mesma abundância de flora desses animais nessas câmaras. Não somos capazes de adquirir a B¹² da mesma forma que as vacas.

Portanto: nada feito. Não confie na sua flora intestinal como suprimento de B¹².

Vegetarianos ingerem menos B¹²?

Depende da quantidade de produtos animais ingeridos, da higienização dos alimentos e de quem estamos comparando.

Alguns estudos demonstraram que onívoros:
Homens comendo 2400 kcal e 70 g de proteína – ingeriam 5,2 mcg de B¹² por dia
Mulheres comendo 1400 kcal e 53 g de proteína – ingeriram 5,6 mcg de B¹² por dia
A ingestão de fígado contribuía para essas diferenças.

Ingestão com a dieta vegetariana: 0,25 a 0,5 mcg/dia – proveniente da atividade bacteriana no alimento, água e de derivados de leite ou ovos ingeridos.

Atenção!!!

Dietas fornecendo 0,5 mcg/dia de B¹² ou menos estão associadas com uma alta proporção de pessoas com níveis sanguíneos mais baixos dessa vitamina.

Se você é vegetariano, principalmente se é vegano, não dê mole para a B¹².

Inúmeros estudos demonstram que vegetarianos têm níveis sanguíneos mais baixos de B¹².

A Índia é um país pobre onde as condições de higiene são precárias e grande parte da população come com a mão. Tudo a favor das bactérias e da B¹².

Um estudo na Índia com 15.000 pessoas, quase todas vegetarianas demonstrou que 54 % tinham baixas concentrações sanguíneas de B¹².

Portanto: não confie nas bactérias como fonte de Cianocobalamina!

Se eu cozinhar o alimento perderei a B¹² contida nele?

A vitamina B¹² é termoestável, ou seja, resiste à elevação de temperatura.

Pesquisas demonstram que ela se mantém estável a 100oC por longos períodos.

Portanto ela resiste ao cozimento!

No entanto, a Cianocobalamina é destruída na presença de pH > 9, oxigênio, íons metálicos (Cu, Mo, Mn) e agentes redutores (ascorbato).

Com relação à destruição por oxigênio, devemos lembrar que no alimento ela está protegida, pois se encontra ligada aos nutrientes. As fontes de vitamina B¹² nos alimentos (segundo o Departamento de Agricultura dos EUA)

Flocos de cereais comprados prontos, enriquecidos, 28 g 0,6 a 6,0 mcg
Leite de vaca, ½ xícara (125 ml) 0,4 a 0,5 mcg
Ovo – 1 grande (50 g) 0,5 mcg
Fermento nutricional (Red Star Vegetarian Support Formula) em miniflocos, 1 colher de sopa (3 g) 1,5 mcg
Leite de soja ou outros leites vegetais enriquecidos, ½ xícara (125 ml) 0,4 a 1,6 mcg
  “Carnes” vegetais enriquecidas, 28 g 0,5 a 1,2 mcg
  ** Curiosidade: fígado de vaca, 100 g 100 mcg

Já ouviu falar sobre os análogos da Vitamina B¹²?

Pois é, existem algumas substâncias ingeridas muito parecidas com a vitamina B¹², mas que não têm a mesma função dela. São os chamados análogos da vitamina B¹².

Os análogos da B¹² podem ser produzidos por técnicas de preservação de alimentos, pelo cozimento e pela microflora intestinal (as bactérias intestinais).

Esses análogos podem interferir com a absorção da B¹² verdadeira (atrapalha a sua ligação com uma substância chamada Fator Intrínseco) ou apresentar efeitos tóxicos se absorvidos.

Durante o processo digestivo o nosso organismo tem formas de isolar e remover esses compostos.

Alimentos não confiáveis como fonte de B¹²

Alimentos como algas marinhas e espirulina podem conter análogos da B¹².

Nem as algas e nem os produtos fermentados de soja podem ser considerados fontes confiáveis de B¹².

Gestação, Lactação e Infância 

Gestação, lactação e vegetarianismo

As reservas de B¹² são passadas para o feto nos últimos 2 meses de gestação.

Se a mãe tem baixas quantidades de B¹² o bebê nascerá com um estoque baixo.

A deficiência pode ocorrer, principalmente se a mãe que o amamenta não usar suplementação de B¹², já que a concentração de cobalamina no leite é equivalente à concentração no sangue da mãe.

Mas se há estoque de B¹² nas pessoas, por que suplementar a gestante?

A resposta é simples: estudos demonstram que a ingestão de B¹² durante a gestação tem mais influência sobre a quantidade da vitamina que passa para o bebê do que a quantidade do estoque da mãe.

Mães vegetarianas (veganas) amamentando oferecem menos vitamina B¹² para os seus bebês?

Sim!!!

Mulheres com dieta mista (dieta que inclui carne) têm 0,04 mcg/100 ml de vitamina B¹² no seu leite.

Mulheres veganas mostram um valor de 3 a 4 vezes menor.

Sintomas de deficiência de B¹² no lactente

Geralmente o desenvolvimento da criança é normal até os 4 primeiros meses de vida.

As deficiências se tornam mais evidentes entre 6 e 14 meses de vida.

Os lactentes tornam-se irritáveis e letárgicos, recusam alimentos sólidos e são fracos.
Param de sorrir, não sustentam a cabeça e não se viram.
Torcem as mãos constantemente, ficam hipotônicos (pouco tônus muscular).
Os olhos não fixam e nem acompanham os objetos.
Podem estar em coma.
Pode ocorrer pigmentação anormal do dorso das mãos e em torno das unhas.
Ocorre atraso no desenvolvimento, anemia, fígado e baço aumentados.
A concentração sanguínea de B¹² é baixa.

** A resposta ao tratamento com B¹² é excelente, desde que diagnosticada a tempo.

Crianças vegetarianas 

As crianças veganas devem receber uma fonte segura de B¹² (suplementação e/ou alimentos fortificados).

O metabolismo da Vitamina B¹²

Para compreender melhor a cobalamina precisamos entender o seu metabolismo.

Sempre que vamos estudar bioquímica ou fisiologia precisamos primeiro conhecer as regras do assunto. Eis as regras:

  1. Só para relembrar a anatomia, a ordem dos compartimentos na digestão é (em negrito estão os pontos principais para entender a vitamina B¹²):
    • boca (tem enzimas digestivas e pH alcalino)
    • esôfago (serve apenas como passagem para o alimento). Mede 25 cm.
    • estômago(armazena e digere os alimentos, principalmente protéicos. Tem pH ácido). Mede 25 cm. Produz uma substância chamada fator intrínseco (guarde bem essa informação sobre o fator intrínseco. Ela será necessária para a leitura do resto do texto!!!)
    • intestino delgado. É dividido em 3 porções:
      1. duodeno (tem cerca de 25 cm, recebe as secreções digestivas do pâncreas e da vesícula biliar e alcaliniza o conteúdo gástrico proveniente do estômago)
      2. jejuno – mede 2 a 3 metros – função de absorção, principalmente.
      3. íleo– mede 3 a 4 metros – função de absorção, principalmente.

Intestino grosso (Tem cerca de 1,5 m, alta concentração de bactérias e função de absorção de líquidos e outras substâncias) quando ingerimos um alimento com B¹² precisamos torná-la disponível. Aí entra o processo digestivo. Não existe B¹² livre nos alimentos.

  1. É absolutamente necessário haver a produção de uma substância chamada Fator intrínseco. Quem produz o fator intrínseco é o estômago.
  2. A vitamina B¹² não consegue ser absorvida sozinha. Para ser absorvida ela precisa estar ligada ao Fator intrínseco. Portanto: se não há Fator intrínseco não há absorção de B¹².
  3. O Fator intrínseco só consegue se ligar à B¹² em pH alcalino.
  4. A absorção da B¹² (ligada ao Fator intrínseco) ocorre no íleo terminal.

Vamos ver então como tudo ocorre. Escreverei FI no lugar de Fator intrínseco, ok?

Ao ingerirmos um alimento com B¹², precisamos deixar essa B¹² disponível para ser ligada ao FI.

Começa a digestão. O estômago é o principal órgão responsável pela liberação da B¹² do alimento.

Ok: B¹² liberada do alimento no estômago. Vamos unir o FI com a B¹². Essa ligação ocorre no intestino (pH alcalino).

Agora temos a vitamina B¹² ligada com o FI.

No final do intestino (nos últimos 60 cm do íleo terminal) esse complexo (FI + B¹²) é absorvido.

Essa absorção também depende de cálcio, pH alcalino (maior que 6) e componentes da bile (composto liberado pela vesícula biliar).

O que ocorre depois que a vitamina B¹² é absorvida?

Ela é transportada para diversas células.
Ocorrem diversas reações muito complexas.

Dessas reações, o que é interessante saber é que quando há pouca vitamina B¹² o nível sanguíneo de 2 compostos ficam elevados.

Esses compostos são o Ácido Metilmalônico e a Homocisteína.

Por que saber isso?

Porque podemos dosar essas substâncias no sangue. Se encontrarmos os seus valores elevados é possível que haja falta de B¹².

O que precisamos saber sobre a absorção dessa vitamina?

Importante: há um limite de absorção para a quantidade de B¹² ingerida em uma única refeição.

A explicação se deve ao fato de que os transportadores do FI + B¹² ficam cheios (saturados) e não conseguem absorver mais do que a oferta.

Quanto podemos absorver em uma única refeição?
Resposta: 1 a 1, 5 mcg.

A capacidade de absorção volta ao normal após 4 a 6 h da primeira dose.

Assim, podemos absorver de 1 a 1,5 mcg a cada 4 a 6 horas.

Portanto, se forem feitas 3 refeições com boa quantidade de B¹² podemos absorver 4,5 mcg por dia.O armazenamento e consumo da B¹²

Quanto um adulto pode armazenar de Vitamina B¹²?

Cerca de 3 a 5 mg.

Aproximadamente 50 a 90 % está armazenada no fígado. Se o estômago for completamente retirado (gastrectomia total) ocorrerá falta do FI. Quanto tempo irá demorar para surgir anemia por deficiência de B¹² ?

O tempo depende do estoque de B¹² que a pessoa tem antes da cirurgia.

Alguns autores demonstraram que isso geralmente demora de 4 a 7 anos.

Por que demora esse tempo todo?

O que ocorre é que o organismo tem meios de reaproveitar a vitamina.

O nosso próprio organismo elimina uma pequena quantidade de B¹². Ela é lançada no intestino pela vesícula biliar e sai pelas fezes.

Ao invés de eliminá-la pelas fezes o nosso organismo consegue colocá-la de volta no organismo. Esse ciclo é chamado de ciclo êntero-hepático (ciclo que leva a vitamina do êntero (intestino) para o hepático (fígado).

Esse ciclo reaproveita 1 mcg/dia de B¹², o que corresponde a cerca de 2/3 da vitamina que é excretada por essa via.

Somando os fatos:
Nosso estoque de B¹² – 3 a 5 mg.
Reaproveitamos 1 mcg/d de B¹² (ciclo êntero-hepático)

Se não ingerirmos nada de B¹² (ou não tivermos mais o FI) os nossos estoques serão suficientes para 2500 dias ou mais.

A deficiência de vitamina B¹²

Os sinais e sintomas da deficiência de B¹²

Muitas pessoas que têm anemia megaloblástica (anemia com células grandes, que pode ser devido à falta de B¹² ) referem poucas queixas, mas praticamente todas referem melhora após reposição de B¹².

Estudo com 95 pacientes com anemia megaloblástica nutricional (todos vegetarianos indianos) foram vistos ao longo de 14 anos. Havia 52 homens e 43 mulheres. Idade dos estudados: 13 a 80 anos. As queixas eram:

Cansaço (33%)
Respiração curta (25%)
Perda de apetite (23%)
Perda de peso (22%)
Dores generalizadas (19%) – geralmente decorrente de deficiência associada de cálcio e vitamina D
Vômito (19%)
Parestesia – alteração de sensibilidade (11%): sensação de formigamento simétrica nos dedos das mãos e pés é um dos sintomas mais comuns.
Alteração da pigmentação da pele (8%)
Boca dolorida (7%)
Diarréia (6%)
Cefaléia – dor de cabeça (5%)
Infertilidade (5%)
Em 6% apenas a deficiência foi vista no hemograma
(célula grande – megaloblástica).

Outras manifestações descritas:

Rigidez muscular e fraqueza
Dificuldade de micção com hesitação, jato urinário fraco
ou mesmo retenção urinária.
Constipação e hipotensão (decorrente de alteração do
sistema nervoso)
Irritabilidade, perturbação de memória, depressão leve
e até alucinações
Perda de sensação vibratória.
Músculos definhados

O exame físico pode demonstrar:
Palidez
Língua lisa, careca
Olhos amarelados (em 13% dos pacientes)
Pode haver reflexos exagerados ou paralisia flácida
Nos casos de anemia grave os pacientes podem ter insuficiência cardíaca: sopro cardíaco, veias do pescoço distendidas, tornozelo inchado e aumento do tamanho do coração.

Entendendo as anemias

Parece que muita gente confunde os tipos de anemia.

Anemia ferropriva – como o próprio nome diz é por privação, por falta de ferro. A célula fica pequena.

Anemia megaloblástica – é a anemia com célula grande. Como veremos mais adiante, isso pode ocorrer por falta de B¹² e/ou B9 (ácido fólico).

Anemia perniciosa – a vitamina relacionada é a B¹², mas nesse caso existe necessariamente relação com o FI. A célula também ficará grande (megaloblástica), mas a etiologia (relacionada ao FI) é bem definida e por isso recebe o nome de anemia perniciosa.

Outras anemias: talassemia, falciforme, sideroblástica. Apresentam outras etiologias (não são decorrentes da privação alimentar).

Como pode ocorrer a deficiência por B¹²?

Existem algumas formas de ocorrer deficiência de B¹². Vejamos as mais comuns:

  • Por deficiência alimentar
    Isso só pode ocorrer se não houver ingestão de alimentos de origem animal (carnes, ovos e lácteos); portanto nos veganos
  • Distúrbios da absorção de B¹²
  • Má absorção da Cianocobalamina alimentar
    Ocorre em pessoas com pouca secreção de ácido no estômago (lembra-se de que a B¹² precisa ser separada do alimento e isso ocorre principalmente no estômago
    Essa situação é mais comum em idosos (podem apresentar hipocloridria – pouco ácido no estômago). Pode ocorrer também em pacientes que tiveram o estômago retirado em cirurgias (tumores, por exemplo).
  • Insuficiência pancreática
    Altera a secreção do pâncreas e dificulta a ligação da B¹² com o FI.
    Esse tipo de alteração pode ser decorrente do alcoolismo.
  • Alteração no funcionamento do FI (Fator Intrínseco)
    Alguns indivíduos podem ter alterações no sistema imunológico fazendo com que as suas células de defesa destruam outras células benéficas do próprio organismo. Isso se chama alteração auto-imune com produção de auto-anticorpos.
    Pois bem, isso pode ocorrer com o FI. O organismo cria anticorpos que destroem ou atrapalham a absorção do FI.
    Sem FI disponível não conseguimos absorver a B¹².
    Esse tipo de anemia se chama anemia perniciosa.
  • Infestação de bactérias no intestino delgado
    A contaminação de bactérias do intestino grosso no intestino delgado chama-se “Síndrome do intestino delgado contaminado”.
    As bactérias intrusas competem com o nosso organismo para consumir a B¹² que chega ao final do intestino delgado (lembre-se que a absorção do FI+B¹² ocorre nos 60 cm finais do intestino delgado).
    Esse tipo de complicação pode ocorrer em pessoas com divertículos (com estagnação), passagem anormal do cólon para o delgado (fístulas) ou estreitamentos intestinais (doenças inflamatórias intestinais).
    Para que isso ocorra a concentração de bactérias no intestino delgado precisa ser maior do que 105microorganismos por dl.
    **OBS – o intestino grosso tem 10.000 vezes mais bactérias do que qualquer outra região do trato gastrointestinal.
  • AIDS
    Pacientes com AIDS apresentam concentrações sanguíneas mais baixas de B¹². Ao que tudo indica isso pode ser devido à falha de absorção do FI+B12 no intestino.
  • Ressecção intestinal
    Pacientes que realizaram cirurgias e não têm mais o final do intestino delgado podem desenvolver deficiência.
  • Doenças que cursam com má absorção alimentar. Aqui são incluídas diversas condições ou doenças que podem causar má absorção (não apenas de B¹²). Exemplos: sensibilidade ao glúten, lesão por radiação (radioterapia para pacientes com câncer em região abdominal).

O que ocorre na deficiência de vitamina B¹²?

As principais manifestações são duas: a anemia megaloblástica e a neuropatia (doença dos nervos). Já vimos os diversos sinais e sintomas acima.

Outras associações que ocorrem na deficiência: ateroma (acúmulo de placas de gordura nos vasos sanguíneos), defeito de formação do tubo neural (alteração que faz com que crianças nasçam com sérias alterações na coluna vertebral e paralisia das pernas irreversível), esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado).

Vamos ver tudo isso passo a passo?

Anemia megaloblástica

Mega é grande. Blasto é célula.
Portanto: anemia de célula grande.

A regra:

A vitamina B¹² e B9 (ácido fólico, EM FORMA DE ÁCIDO FOLÍNICO É MELHOR) são necessárias para a duplicação do DNA.

Toda célula, antes de se dividir, cresce. O DNA precisa se duplicar para depois ser dividido.

Quando falta B¹², além dela própria em falta, não é possível entrar B9 na célula.

Assim a célula cresce (o blasto fica mega) e não consegue se dividir.

Neuropatia (doença dos nervos) associada com deficiência de B¹²

O nosso sistema nervoso pode ser comparado com um sistema elétrico onde os nervos são os cabos por onde a eletricidade passa.

Ao redor dos nossos nervos existe uma “capa de gordura” (bainha de mielina) que é fundamental para a passagem do estímulo nervoso e proteção do nervo.

Na falta de B¹² ocorre defeito nessa “capa de gordura” (desmielinização), levando a alterações de sensibilidade.

Ateroma (placas de gorduras)

A falta de B¹² é um fator de risco para doenças cardíacas (infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral).

Quando há falta de B¹² ocorre aumento de uma substância chamada homocisteína, que é fator de risco independente (não precisa se associar a nenhum outro fator de risco) para doenças cardíacas.

Na falta de B¹² ocorre maior formação de placas de gordura em vários vasos sanguíneos. Isso causa maiores chances de ter um infarto ou um “derrame” cerebral.

Defeitos do Tubo Neural

Já vimos que essa vitamina é fundamental para a divisão das células e para a integridade dos nervos.

Isso é crucial no desenvolvimento intra-uterino.

Na falta de B¹² e B9 (ácido fólico) o risco dessa má formação é muito grande.

A criança pode nascer com perda total de sensibilidade e movimentação das pernas, retenção urinária, alterações na estrutura da coluna vertebral… Tudo isso é irreversível já ao nascer!!!
Gestantes vegans:
Atenção!!! Suplementação é indiscutível!!

Esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado)

A falta de B¹² causa alterações metabólicas que evoluem com acúmulo de gordura no fígado.

Esse tipo de alteração é comum em etilistas de longa data.

O diagnóstico da deficiência de B¹²

Como saber se estou com deficiência de B¹²?

Fique atento aos sinais e sintomas da deficiência vitamínica.

Porém isso apenas não é suficiente.

O diagnóstico de deficiência de B¹² não pode ser feito baseado apenas nos sinais e sintomas de um indivíduo.

É obrigatório a constatação com exames laboratoriais!!

Muitos estudos demonstraram que cerca da metade dos indivíduos que têm a vitamina B¹² em níveis baixos no sangue não apresentam sintomas consideráveis.

Acompanhamento terapêutico é fundamental.

Quais são os exames laboratoriais que podemos utilizar?

Alguns exames podem auxiliar no diagnóstico.

Hemograma:
Pode demonstrar a anemia (hemoglobina e hematócrito reduzidos) e o tamanho da célula (a parte do hemograma que mostra o tamanho é o VCM – volume corpuscular médio).
Se a anemia se torna mais grave ocorre diminuição das células de defesa (neutropenia) e das plaquetas (trombocitopenia).

Atenção!!! Pessoas com baixa concentração de B¹² no sangue podem mostrar células de tamanho normal. Portanto: hemograma normal não significa B¹² normal no sangue!!
No entanto, é raro encontrar deficiência clínica importante de B¹² sem alteração no hemograma.

Lembra daquele estudo comentado anteriormente da Índia com 15.000 pessoas, quase todas vegetarianas que demonstrou que 54 % tinham baixas concentrações sanguíneas de B¹²? Esse estudo demonstrou que apenas 10 pacientes por ano eram vistos no hospital local com anemia megaloblástica.

Reticulócitos:
São as células vermelhas jovens. Na deficiência de B¹² os seus níveis sanguíneos ficam reduzidos (para o grau da anemia).

Dosagem de B¹² no sangue:
É o método padrão para diagnosticar deficiência de B¹² (definida quando o valor está abaixo de 150 pg/ml). No entanto já foi observado deficiência em pessoas com níveis normais de B¹² no exame (valores de 200 a 300 pg/ml).

** Estudo realizado em Londres demonstrou que os níveis sanguíneos de 1.000 amostras consecutivas de indianos (predominantemente vegetarianos) eram em média de 198 pcg/ml. Os níveis encontrados em caucasianos com dietas mistas eram em média de 334 pcg/ml.

** As concentrações sanguíneas de B¹² foram baixas em 54 % dos 15.000 indianos (predominantemente vegetarianos) estudados.

Ácido Metilmalônico:
Na deficiência de B¹² ocorre aumento do ácido metilmalônico (esse aumento não ocorre na deficiência de B9). Esse aumento pode ser detectado no sangue e na urina.
Antibióticos podem reduzir e a doença renal pode aumentar o nível sanguíneo desse ácido. Valores normais: 0,1 a 0,4 micromol/l. Na deficiência de B¹²: 50 a 100 micromol/l.

Homocisteína: 
Se eleva na deficiência de B¹² (e também na de B9 e B6). Algumas doenças como hipotireoidismo e doença de Down podem alterar o nível desse composto.

Teste de supressão com desoxiuridina:
Utiliza-se as células da medula óssea. O teste é de relativa dificuldade técnica na execução. Atualmente está restrito à área de pesquisa. Consegue diferenciar a causa (falta de B9 ou B¹²).

Holotrascobalamina II: 
É a proteína que transporta a B¹² no sangue. Não é realizado no Brasil. Apenas 1 laboratório em São Paulo faz a coleta desse exame e o envia ao exterior. Como você pode imaginar, é extremamente caro.

Dosagem sanguínea de anticorpo anticélula parietal e de anticorpo bloqueador do fator intrínseco:
Serve para diagnosticar a anemia perniciosa. O anticorpo bloqueador do FI é mais específico (praticamente não existem indivíduos sem anemia perniciosa com exame positivo).

Dosagem de folato (vitamina B9) no sangue:
Pode ser usado na dúvida da etiologia da anemia (B¹² ou B9).

Todo exame laboratorial deve ser corretamente interpretado com a associação do quadro clínico e dos outros exames laboratoriais.

Como você viu acima pode ser um pouco complicado o diagnóstico por apenas um exame ou pelo quadro clínico.

Apenas um profissional com experiência na área pode avaliar com precisão esses exames e associá-los com as alterações clínicas.

Os idosos podem ter valores diferentes

Estudos com idosos que tinham neuropatia (doença dos nervos) demonstram que eles podem ter hemograma normal e concentração sanguínea de B¹² normal.

No entanto, a concentração de ácido metilmalônico estava elevada e se reduzia após a oferta de B¹².

Isso sugere que idosos devem ser muito bem avaliados, pois podem estar com deficiência mesmo com alguns exames dentro dos valores normais.

Como fazer o diagnóstico de deficiência de B¹²?

O diagnóstico depende de 2 condições:

  1. estabelecer a deficiência de B¹² em uma pessoa cuja alimentação é desprovida da vitamina;
  2. excluir a deficiência de B¹² decorrente de má absorção (anemia perniciosa, crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, ressecção intestinal…)

Resumindo: precisamos saber quanto o indivíduo está ingerindo e quanto está absorvendo.

Para se ter uma idéia da importância de saber exatamente sobre a ocorrência ou não dessas 2 condições, vejamos o resultado de um estudo realizado com indianos vegetarianos com deficiência de B¹²:

  • 95 tinham deficiência nutricional de B¹², ou seja, não ingeriam quantidade suficiente;
  • – 20 tinham anemia perniciosa (não absorviam adequadamente);
  • 4 tinham anemia megaloblástica associada com falta de vitamina B9 (ácido fólico). Dois desses indivíduos devido ao uso de álcool em excesso e 2 em gestantes.

Assim, oferecer vitamina B¹² por via oral será eficiente apenas nos indivíduos que têm carência alimentar sem distúrbio de absorção.

OBS – a dieta vegetariana é rica em vitamina B9 (ácido fólico). Isso pode mascarar a deficiência de B¹², que muitas vezes só é diagnosticada quando surgem alterações no sistema nervoso. A deficiência de B9 causa manifestações muito parecidas com as da deficiência de B¹², exceto pela neuropatia (não ocorre na falta de B9).

Por tanto, no caso de vegetarianos é sempre recomendado dosar a homocisteína sanguínea (sérica), o ácido metilmalônico e a holotranscobalamina II.
OBS- como já vimos anteriormente, a dosagem da holotranscobalamina II não é factível em nosso meio. Medicações que afetam a absorção da vitamina B¹²

As seguintes drogas reduzem a absorção da B¹²: colchicina, neomicina e anticoncepcionais (usados por via oral).
O álcool também reduz a sua absorção.

Tratando a deficiência de B¹²

O tratamento da deficiência de B¹²

Como vimos anteriormente todos os pacientes com deficiência de B¹² que não tem deficiência alimentar têm má absorção.

Também vimos que mesmo pacientes veganos com baixa ingestão de B¹² podem ter anemia perniciosa, o que significa que o problema está também na absorção da B¹².

Isso precisa ser diagnosticado!!!

Regra do tratamento:

  1. Quem consegue absorver B¹² pode ser tratado com B¹² por via oral. Não há problemas se optarmos em repor a vitamina de forma injetável.
  2. Quem tem problema de absorção de B¹² deve receber a vitamina injetável (intramuscular). Oferecer a cobalamina via oral não é conveniente.

A injeção (tratamento quando há deficiência):
Utilizar a cianocobalamina (forma mais estável, produzida por fermentação bacteriana) ou a hidroxicobalamina intramuscular.

Dose: 2.500 mcg por dia por 1 mês; seguido por dose de 1.000 mcg diariamente até a normalização da hemoglobina e do hematócrito (correção da anemia).
Se existe manifestação neurológica: manter 5.000 mcg a cada 2 semanas nos primeiros 6 meses.
Na anemia perniciosa o uso sublingual ou intramuscular da vitamina deve ser por toda a vida. Dose: 1.000 mcg por mês no primeiro ano, seguido de 5.000 mcg por ano. (Fonte: Atualização Terapêutica, 2003).

Monitorização laboratorial: a cada 6 ou 12 meses.

OBS- Biodisponibilidade da B¹² quando aplicada de forma endovenosa ou intramuscular: 16 a 28 %.

No tratamento por via oral (apenas quando a causa da deficiência é devida à privação alimentar de B¹²) foi demonstrado que o uso de 5 mcg uma vez ao dia conseguiu normalizar os níveis sanguíneo da vitamina.

O tratamento da anemia por falta de B¹² com cobalamina por via oral não é recomendado na literatura médica, talvez pelo fato de que a maior causa de anemia por deficiência de B¹² não seja devido à deficiência alimentar.

OBS- A B¹² é absorvida ligada ao FI, mas existe outra forma de absorção chamada difusão passiva. Nesse caso, altas doses de B¹² passariam do intestino para o sangue por si só (sem o FI). A absorção passiva ocorre com 1% da vitamina ingerida.
O uso de altas doses para conseguir aproveitar a B¹² dessa forma não é recomendado.

Quando menos de 5 mcg de B¹² cristalina é ingerida de uma só vez, cerca de 60% é absorvida.
Quando se usa uma dose de 5000 mcg, cerca de 1% é absorvida.

Não há relato de toxicidade pelo uso excessivo de B¹².

O que é um teste terapêutico?

Muitas vezes não temos recursos diagnósticos (dosagem de B¹², homocisteína, ácido metilmalônico…) para diferenciar a causa (falta de B¹² ou B9) da anemia megaloblástica.

Nesses casos podemos “testar” um tratamento, desde que a deficiência não esteja em grau avançado.

Inicialmente aplica-se uma dose única de 1.250 mcg de B¹² intramuscular. Após 5 a 8 dias repete-se a dosagem da hemoglobina, hematócrito e reticulócitos. Se a deficiência era devido à falta de B¹² ocorrerá aumento importante do número de reticulócitos (reticulocitose) e às vezes discreta melhora da anemia.

Não havendo resposta ao uso da B¹² utiliza-se o ácido fólico (B9).

Não havendo resposta a nenhum dos dois é necessário uma investigação especializada com um hematologista.

A resposta após o tratamento com B¹².

Havendo deficiência real de B12 os indivíduos referem uma notável sensação de bem estar dentro de 1 a 2 dias após uma injeção de cobalamina. Também relatam um aumento dramático do apetite.

Neste ponto, atenção!! O aumento do apetite após a suplementação de B¹² ocorre em quem tem deficiência de B¹²!!

Daqui provavelmente surgiu o mito de utilizar vitaminas do complexo B para aumentar o apetite. Se o indivíduo não tem deficiência não ocorrerá aumento do apetite!!

Ainda avaliando a resposta ao tratamento, ocorrerá uma maior produção de células vermelhas. Isso será evidenciado pela elevação das suas células jovens (reticulócitos), que atingem o seu máximo em 5 a 7 dias após o início do tratamento.

A manutenção da vitamina B¹²

Recomendação da ADA, 2003 para indivíduos vegetarianos:

“É essencial que todos os vegetarianos tomem um suplemento, usem alimentos enriquecidos ou consumam laticínios ou ovos para atingir a ingestão recomendada de vitamina B¹².”

Quanto devo ingerir de suplementos ou alimentos fortificados?

Resposta: devemos ingerir a quantidade de B¹² recomendada por dia (veja o tópico: quanto precisamos dessa vitamina por dia?), ou seja, cerca de 2,4 mcg para adultos.

Dificilmente você vai encontrar um suplemento com baixa quantidade de B¹². O uso de cerca de 5 mcg/dia conseguiu normalizar os níveis sanguíneos dessa vitamina em pessoas com deficiência em alguns estudos. Portanto, para manutenção, talvez não seja necessário utilizar mais do que essa dosagem.

Não há problemas se a ingestão for maior, já que não existem relatos de toxicidade com o uso de altas doses dessa vitamina.

A recomendação utilizada pela IVU (orientação revisada por Stephen Walsh) é absolutamente coerente:

  1. Ingerir alimentos enriquecidos 2 ou 3 vezes por dia para obter pelo menos 3 mcg de B¹², ou
  2. Tomar um suplemento de B¹² diariamente que forneça pelo menos 10 mcg de B¹², ou
  3. Tomar um suplemento semanal de B¹² que forneça pelo menos 2.000 mcg.

A ingestão de alimentos fortificados com B¹² para veganos seria uma opção. No Brasil essa abordagem nutricional não é muito utilizada pelos fabricantes de alimentos. Diversos produtos da Nestlé são fortificados com B¹² no Brasil.

Importante: 10 a 30% dos indivíduos (com qualquer tipo de dieta, inclusive com carne) com mais de 50 anos têm dificuldade de extrair a B¹² dos alimentos. A Food and Nutrition Board recomenda que todos os indivíduos acima dessa idade, vegetarianos ou não, utilizem suplemento de B¹² ou alimentos enriquecidos.

Indivíduos que utilizam a vitamina B¹² também devem realizar exames laboratoriais periodicamente. Essa precaução é valida na medida em que não é apenas a deficiência de ingestão que causa a deficiência da vitamina. Lembre-se que outros problemas decorrentes de distúrbio de absorção podem ocorrer em qualquer pessoa.

Indivíduos veganos (adultos, não gestantes nem em lactação) que optem em não utilizar suplementação devem necessariamente ser acompanhados por um médico ou nutricionista com prática na interpretação dos exames laboratoriais para que seja feita intervenção nutricional caso necessário. Mas lembre-se o recomendado é fazer uso da suplementação!!

O mesmo se pode dizer aos que utilizam a suplementação oral esporadicamente.

Gestantes e mães amamentando: sem discussão!!! Suplemento e/ou uso de fontes confiáveis (alimentos enriquecidos) de B¹²!!!! Dosagem laboratorial também!!!

Crianças também devem ingerir fontes confiáveis da vitamina.

Sou vegetariano e, ocasionalmente, ingiro derivados de leite. Preciso suplementar a B¹²12? Sim!!!

O consumo ocasional de leite, queijos e ovos não supre as necessidades de cobalamina.

Ovo-lacto-vegetarianos podem conseguir quantidades adequadas se utilizarem os derivados animais regularmente.

Alguns vegetarianos dizem que se você não utiliza alimentos refinados (açúcar branco, arroz branco, farinhas brancas) nem aditivos químicos ou medicações como antibióticos, a sua flora pode produzir a B¹² que você precisa. Somado a isso, o uso de produtos fermentados (como o missô), forneceriam a dose de B¹² que você precisa.

Não se deixe levar por essa falta de conhecimento!!!!

Pelos inúmeros motivos descritos anteriormente nem a sua flora e nem qualquer alimento de origem vegetal (nem algas e nem fermentados!!!) são capazes de suprir adequadamente a vitamina B¹².

A ciência está à nossa disposição para termos mais segurança no desenvolvimento e na manutenção da nossa saúde.


Bibliografia

Carmel R. Malaborption of food cobalamin. In: Wickramasinghe SN, ed. Megaloblastic anaemias, clinical haematology. London: Bailliere Tindall, 1995;533-66. .

Chanarin I. The megaloblastic anaemias. 2nd ed. Oxford: Blackwell, 1979;55.

Chanarin I. The megaloblastic anaemias. 2nd ed. Oxford: BlackweIl1979;296-8.

Chanarin I, Malkowska V, O’Hea LA-M, et al. Lancet 1985;ii:1168-72.

Chanarin I, Stephenson E.J Clin Path 1988;41:759-62.

Chanarin I. The megaloblastic anaemias. 3rd ed. Oxford: Blackwell, 1990;30.

Chanarin I. The megaloblastic anaemias. 3rd ed. Oxford: Blackwell, 1990;99-100.

Donaldson MS. Metabolic vitamin B12 status on a most raw vegan diet with follow-up using tablets, nutritional yeast, or probiotic supplements. Ann Nutr Metab. 2000:44:229-234

Figueiredo MS, Kerbauy J. Anemias, in Atualização Terapêutica 2003, ed Artes Médicas, p705.

Food and Nutrition Board-Institute of Medicine. Dietary ref erence intakes. Thiamin, riboflavin, niacin, vitamin B6, folate, vitamin B12, pantothenic acid, biotin, and choline. Washington, DC: National Academy Press, 1998.

Graham SM, Arvela OM, Wise GA. J Pediatr 1992;121:710-4.

Herrmann W, Geisel J. Vegetarian lifestyle and monitoring of vítamin B12 status. Clin Chim Acta. 2002;326:47-59.

Hermann W, Schorr H, Purschwitz K, Rassoul F, Riehter V. Total homo cysteine, vitamin B12, and total antioxidant status in vegetarians. Clin Chem. 2001;47:1094-1101

Kirke PN, Molloy AM, Daly LE, et al. Q J Med 1993;86:703-8.

Linn ell JC, Bhatt HR. Inborn errors of B12 metabolism and their management. In:Wickramasinghe SN, ed. Megaloblastic anaemias, clinical haematology. London: Bailliere Tindall, 1995;567-601.

Luhby AL, Cooperman JM, Donnenfeld AM, Herman JM, Teller DN, Week JB. Observations on transfer of vitamin B12, from mother to fetus and new born. Am J Dis Child. 1958;96:532-533.

Messina MJ. Messina VL.The Dietitian’s Guide to Vegetarian Diets: Issues and Aplications. Gaithersburg, MD: Aspen Publishers;1996.

Nicolas J-P, Guéant l-L. Gastric intrinsic factor and its receptor. In:,Wiekramasinghe SN, ed. Megaloblastic anaemias, clinical haematology. London: Bailliere Tindall, 1995; 515-31.

Package information and data from US Departament of Agriculture, Agricultural Research Service, 2002; USDA Nutrient Database for Standard Reference, Release 15; Nutrient Data Laboratory Home

Page, http://www.nal.usda.gov/fnic/foodcomp ; Bhatty RS. Nutrient composition of whole flaxseed and flaxseed meal. In: Cunnane SC, Thompson LU, eds. Flaxseed and Human Nutrition. Champaign, IL: AOCS Press; 1995:22-42.

Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canad: Vegetarian diets. J Am Diet Assoc 2003;103:748-765

Stabler SP, Allen RH, Savage DG, et al. Blood 1990;76:871-81.

Stubbe J. Sciense1994;266: 1663-4.

Savage DG; Lindenbaum J. Neurological complications in cobalamin deficiency. In: Wickramasinghe SN, ed. Megaloblastic anaemias, clinical haematology. London: Bailliere Tindall, 1995;657-8.

Trimble KC, Molloy AM, Scott JM, Weir DG. Hepatology 1993;18:984-89.

Trimble KC, Goggins MG, Molloy AM, et all. AIDS 1993;7:1132-3.

Wiekramasinghe SN; Preface to megaloblastic anaemia. In: Wickramasinghe SN, ed. Clinical haematology. London: Ba illiere TindalI; 1995;ix.

Weir DG, Scott JM. Vitamina B¹² “Cianocobalamina”. In: Tratado de Nutrição Moderna na Saúde e na Doença, 9 a edição, 2003 (edição brasileira), p477 e 1525

Publicado por: sosortomolecular | 27 de Novembro de 2016

Os segredos para combater o cansaço do dia a dia

Quantas pessoas se vêem nesta rotina?

Acordar cedo… ainda com sono, preparar o pequeno-almoço para si e… para os filhos, deixar tudo preparado para as refeições seguintes… olhar-se ao espelho e arranjar-se da melhor forma possível… sair a correr para deixar os miúdos na escola, desesperar no trânsito porque já está atrasada para o emprego, tomar café, trabalhar até à hora de almoço com uma  pausa “medíocre” pelo meio…

Ainda o dia vai a meio… já não tem energia e está cheia de fome?

Mas como pode conservar a sua energia durante muitas mais horas e a evitar o cansaço extremo ou fadiga física?

Existem algumas “atitudes” e alguns alimentos que podem fazer toda a diferença.

Escolha melhor as companhias

Há pessoas que nos sugam boa parte da nossa energia!

Algumas falam demais, outras só falam mal dos outros ou pelo contrário falam muito de si próprias sem dar espaço à sua resposta… apenas precisam de si para ouvir! Além de serem muitas vezes  pessimistas, ainda por cima não se aprende nada de novo ou útil com elas!

Chega-se a um ponto em que fica farta de ouvi-las… então talvez seja isso mesmo que deva responder, com coragem… sempre de forma delicada e nobre desculpando-se atenciosamente por não puder ficar mais tempo…!

Se a pessoa aceitar facilmente a sua escusa então não é “má pessoa” é mesmo um problema de discurso difícil de controlar. Se pelo contrário a pessoa ficar chateada então não devem restar duvidas que é mesmo egoísta e má companhia pelo que deve “fugir dela a 7 pés “…!

Resumindo mantenha a sua “classe”… seja sempre delicada e potencie a sua energia escolhendo, preferencialmente, pessoas que sejam positivas e bem humoradas!

Escolha companhia de mulheres

Pois é… esta talvez surpreenda, mas tem base científica! As mulheres produzem mais  oxitocina, a chamada “Hormônio do Amor” que também é responsável pelo fortalecimento das relações de amizade.

Por isso, quer seja homem ou mulher, se puder escolher prefira a companhia de uma mulher com sentido de humor… vai ficar mais Alegre e por isso com mais Energia!

Sexo para animar “a malta”

Este artigo não tem tabus! Nos momentos de maior excitação o nosso organismo aumenta a produção de dopamina, endorfina e serotonina o que leva a uma diminuição do cortisol e a um aumento do humor, alegria, boa disposição  e energia.

Um estudo da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, revelou que as mulheres que tinham feito sexo na noite anterior acordavam mais relaxadas e bem humoradas!

Por favor mexa-se…

Quando o cansaço aperta pode parecer penoso, mas o  exercício físico aumenta a oxigenação do sangue e dos tecidos além de estimular a libertação de substâncias que garantem um aporte de energia, como a adrenalina, e boa disposição como a dopamina, serotonina e endorfina.

Não é preciso muito para se sentir melhor. Uma simples caminhada de 45 minutos ou uma pedalada de 20 minutos pode fazer um pequeno milagre à sua disposição

Um estudo da Universidade da Geórgia nos Estados Unidos, demonstrou que adultos que pedalaram com baixa intensidade durante 20 minutos, três vezes por semana, sentiram-se 65% menos fatigados que o grupo que não se movimentou e 16% mais bem dispostos que o grupo que pedalou com maior intensidade.

Vá dormir… se faz favor…

OK… já escolhemos melhor a nossa companhia, conversamos com uma mulher bem humorada, fizemos sexo para “animar” e ainda conseguimos dar uma caminhada ao ar livre!

Muito bem… por esta altura já sorrimos bastante e a nossa energia está já em níveis bem mais elevados do quando começamos, mas… há sempre um, mas… tudo pode ser deitado fora se… pois claro já adivinhou… dormir mal…!

O sono só por si merece um artigo próprio e estamos preparar uma infografia para simplificar e o ajudar a dormir melhor.

O que se passa durante o sono é verdadeiramente extraordinário!

Consolidação da memória, regeneração acelerada das nossas feridas, reparação de lesões cerebrais e fortalecimento do nosso sistema imunitário são apenas algumas das funções essenciais que ocorrem durante o sono.

Numa noite de sono ocorrem vários ciclos. Cada ciclo de sono tem cinco fases e dura cerca de 90 minutos havendo, portanto vários ciclos consecutivos, separados por micro-despertares, dos quais geralmente não tem consciência. Durante uma noite completa e saudável de sono um adulto deve fazer 5 ciclos ou seja 450 minutos ( cerca de 7 horas e meia de sono ).

Água com limão pela manhã

Num copo de água morna esprema o sumo de um limão.

Quais os benefícios do limão?

1.     Reforça o sistema imunitário devido à presença de vitamina C ( acido ascórbico ) que tem efeitos anti-microbianos e anti-inflamatórios. O limão também contém glicosídeos chamados saponinas que têm propriedades antimicrobianas aumentando a proteção contra a gripe. Por último, o ácido ascórbico auxilia a absorção do ferro pelo organismo.

2.     Desintoxica o organismo, pois embora o sabor do limão seja ácido, este fruto é de fato, um dos alimentos mais alcalinos. O ácido ascórbico e cítrico são facilmente metabolizados pelo corpo, ajudando a alcalinizar o sangue.

3.     Auxilia a digestão. O limão é tradicionalmente usado como auxiliar da digestão. Pensado para purificar e estimular o fígado, o sumo de limão é tradicionalmente recomendado para suportar o ácido clorídrico no estômago, durante a digestão. A vitamina C tem estado associada à redução do risco de úlcera péptica, causada pela bactéria Helicobacter Pylori.

4.     Impulso de energia. O sumo de limão dá ao corpo energia extra, uma vez que influencia o processo digestivo e ajuda a reduzir a ansiedade e a depressão.  Até mesmo apenas o cheiro a limão pode ter um efeito calmante no sistema nervoso.

Pequeno-almoço, mas grande refeição!  Por quê?

O pequeno-almoço quebra o jejum depois do período de sono. Enquanto dormimos as nossas necessidades energéticas diminuem (taxa metabólica basal), sendo apenas utilizada a energia necessária para a manutenção das funções básicas do organismo.
Sendo a primeira refeição do dia as suas funções devem ser as seguintes:

·         Repor a energia gasta durante o sono;

·         Estimular o seu metabolismo, aumentando o gasto energético;

·         Melhorar o rendimento cognitivo e a concentração;

·         Evitar a fraqueza e o cansaço no final da manhã;

·         Controlar o apetite para o almoço;

·         Ajudar a manter o equilíbrio alimentar e calórico mais saudável ao longo do dia evitando momentos de forte sensação de fome;

 Pequeno-almoço rico em proteínas

 De manhã, a proteína converte-se em dopamina, que energiza o corpo. A carne é uma fonte óbvia, mas há vários alimentos ricos em proteínas: feijão, ervilhas, ovos, soja, avelãs e sementes.

Deve realçar-se o papel que os ovos parecem ter. Em vários estudos têm sido associados a uma maior saciedade e menor ingestão calórica, o que os torna muito interessantes também no controle do peso.

Hidratos de carbono (pão e cereais) devem ser consumidos com moderação, assim como alimentos processados com muito açúcar adicionado, que vão provocar uma sensação de “moleza”.

Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition revela o seguinte:

Os investigadores compararam dois pequenos-almoços distintos no teor protéico. Um continha ovo e carne (35 g de proteína) e outro apenas os típicos cereais (13g). Os resultados indicam maiores níveis de saciedade com o pequeno-almoço rico em proteína, o que se verificou concordante com o perfil hormonal. Além disso, a necessidade de refeições intercalares (snacking) foi substancialmente reduzida, influenciando também o que era ingerido ao final do dia.

Pão de centeio

É uma boa fonte de hidratos de carbono que permite a libertação linear de energia ao longo do dia. Coma mas com moderação.

Chocolate negro

Contém cafeína e teobromina, dois componentes que aumentam o nível de energia. Quanto mais negro for o chocolate menos açúcar conterá e maior será o seu potencial energético. No entanto seja moderado por causa das calorias!

Iogurte Grego

É mais rico em lactose, que o tradicional iogurte, sendo uma ótima fonte de proteínas. Mantém-nos com uma sensação de estarmos saciados durante mais tempo e ajuda ao equilíbrio da flora intestinal e, portanto do sistema imunitário.

Amêndoas

Estão cheias de vitamina E, magnésio e são uma fonte de proteína que ajuda a manter um nível de energia estável durante o dia. Também são um ótimo snack, para quando a barriga começa a dar horas.

Mirtilos

São considerados um super alimento. Estão repletos de antioxidantes e estudos recentes mostram que melhoram a função cognitiva e agilidade mental.

Ovos

São uma boa fonte de proteína e uma excelente fonte de energia. Além disto, providenciam uma imensidão de vitamina B.  Pode comer um por dia, se for cozido. Se forem fritos, por causa da gordura adicionada, pode comer 2 a 6  por dia.

Pipocas? A sério!?

Sim leu bem… as pipocas são considerados um dos melhores snacks para crianças desde que não estejam “encharcadas” em gordura e açúcar, por terem milho na sua base são uma boa fonte de energia e quase todos adoram comer com boa companhia ao mesmo tempo em que passa um bom filme!

Óleo de Avestruz

Além de ser uma boa fonte de Omega-3/6/7/9, ajuda a prevenir a depressão e, além do mais, ajuda-o a manter um bom estado de espírito.

Espinafres

São uma boa fonte energética, uma vez que são ricos em ferro. Um dos sintomas de deficiência em ferro é o fato de os pacientes se sentirem sempre cansados.

Manter a sua energia equilibrada é também aprender a gostar de si para que possa dar o seu melhor a quem lhe dá apoio nos momentos difíceis. Espírito positivo sempre!

Ajude os seus amigos e PARTILHE com eles este artigo que lhes pode ser muito útil… eles vão agradecer!

 

Publicado por: sosortomolecular | 21 de Novembro de 2016

PRIMON NON NOCERE: PRÁTICA TERAPÊUTICA BIOLÓGICA

Embora a Prática Terapêutica Biológica Ortomolecular (PTB) não seja reconhecida como especialidade médica no Brasil, existe por parte dos Sindicatos de Terapeutas Naturistas existentes em alguns Estados no Brasil um reconhecimento sobre sua utilização nas práticas integrativas.

A PTB tem fundamentos nas disciplinas mais básicas das ciências humanas como veremos a seguir:

Bioquímica: que estuda as substâncias presentes no organismo humano e as reações químicas que ocorrem entre elas.

Fisiologia: que estuda o funcionamento dos órgãos e sistemas humanos e a relação entre eles.

Fisiopatologia: que estuda a causa das doenças.

Nutrição Celular: que estuda as substâncias necessárias ao funcionamento normal do organismo humano.

Estas quatro disciplinas formam a base de toda a ciência terapêutica e são ensinadas nos primeiros anos de todos os cursos na área de saúde.

Os objetivos básicos da Prática Terapêutica Biológica são desintoxicar, nutrir e aperfeiçoar o funcionamento do organismo, curando e prevenindo doenças e proporcionando um envelhecimento saudável e uma melhor qualidade de vida. De uma forma geral as pessoas não sabem que podem ser tratadas para aperfeiçoar sua saúde, curando e/ou evitando o surgimento de quase todas as doenças. Infelizmente em nossa cultura só procuramos o terapeuta quando ficamos doentes. Mas o acesso à informação está mudando este comportamento.

Com os avanços das ciências terapêuticas e biológicas, hoje já conseguimos identificar muitos fatores que causam envelhecimento precoce e doenças. Entre eles estão: alimentação inadequada, sedentarismo, estresse, produção excessiva de radicais livres, danos ao DNA, inflamação crônica assintomática, glicação, redução do metabolismo, imunidade diminuída, radiações eletromagnéticas, destoxificação deficiente, produção e/ou função inadequada de neurotransmissores e hormônios, entre outros.

Sabemos que apenas uma alimentação equilibrada já não repõe mais todos os nutrientes necessários para nossa saúde. Solos esgotados e a industrialização dos alimentos empobreceram muito a nossa alimentação. Diferentemente da medicina convencional, a PTB, não utiliza medicamentos prontos, as formulações são feitas de forma individualizada.

Outro foco importante de atuação da Prática Terapêutica Biológica é no combate aos Radicais Livres (RL). Nosso corpo possui micro geradores de energia chamados mitocôndrias, que são estruturas intracelulares. Elas transformam a glicose (ácidos graxos) e oxigênio em energia. Esta geração de energia depende do oxigênio, e um dos seus subprodutos são os radicais livres (RL). Os RL são apontados hoje como um dos maiores responsáveis pelo envelhecimento, pois lesam as membranas celulares e o material genético (DNA).  A PTB pode ajudar a minimizar a ação dos RL. O uso de algumas vitaminas, minerais, aminoácidos e fitonutrientes que possuem ação antioxidante podem ajudar a reduzir os estragos produzidos pelos RL.

Abaixo cito algumas das condições clínicas mais comuns que podem ser tratadas pela PRÁTICA TERAPÊUTICA BIOLÓGICA:

Envelhecimento saudável: Com o avanço no entendimento dos mecanismos que produzem o envelhecimento, sabemos hoje que podemos intervir neste processo de forma a reduzir o ritmo do envelhecimento e consequentemente melhorar nossa qualidade de vida. Na PTB existem tratamentos, que dentro de certos limites, podem proporcionar um envelhecimento saudável. É importante deixar bem claro que ainda não existe nenhuma terapia que produza rejuvenescimento, mas a PTB pode sim, reduzir o ritmo de envelhecimento e melhorar muito a qualidade de vida.

Memória diminuída: A memória de curto prazo está associada ao estresse, mais precisamente com altos níveis de Cortisol, que interferem com a transmissão entre os neurônios. Já a memória para eventos antigos está associada à neuroinflamação e à neurodegeneração que ocorrem durante o nosso envelhecimento. A Prática Terapêutica Biológica pode ser muito útil nestes casos. Vários nutrientes podem reduzir ou mesmo interromper estes processos em alguns casos.

Hipotireoidismo e metabolismo lento: Taxa de metabolismo basal é o quanto de calorias o nosso corpo gasta em repouso. Cerca de 70 a 75% das nossas calorias são gastas pelo nosso tecido muscular, que utiliza energia mesmo quando estamos em repouso. Outra parte do nosso metabolismo é controlada pela tireóide. Muitas vezes o funcionamento mais lento da tireóide não é detectado pelos exames, e acaba ficando sem tratamento. Hoje sabemos que existe um tipo de hipotireoidismo que ocorre mesmo quando os exames estão dentro da faixa de normalidade estatística, alguns pesquisadores o chamam de hipotireoidismo tipo II. Os principais sintomas de hipotireoidismo são: ganho de peso e dificuldade para emagrecer, constipação, sensação aumentada de frio, irregularidades menstruais, pele e cabelos secos, unhas fracas, cansaço constante, entre outros. Dentro da Prática Terapêutica Biológica dispomos de várias formas de tratamento que passam pela reposição de minerais, aminoácidos, nutracêuticos, vitaminas e fitonutrientes que podem estimular a função tireoidiana.

Obesidade: Hoje sabemos que as dietas hipocalóricas tendem ao fracasso no longo prazo, pois quanto mais se reduz a quantidade de calorias, mais o corpo reduz o metabolismo, isto é, comer menos faz o corpo gastar menos calorias. Pior ainda são os longos períodos de jejum, que forçam o corpo a converter músculos (proteína) em energia, onde perdemos o tecido que mais queima calorias. E quando se recupera o peso novamente, o que é muito comum, este tecido muscular é substituído por gordura, gerando o efeito sanfona. Se você ainda pensa que para emagrecer basta “fechar a boca”, saiba que está muito longe da verdade cientifica atual. Para aumentar o metabolismo, e emagrecer com saúde, além da atividade física, existem certos alimentos e remédios que podem ajudar. Para emagrecer o caminho é comer corretamente, não simplesmente reduzir as calorias. Mas quem quer emagrecer deve entender que não pode ser emagrecida pelo terapeuta, é essencial compreender que o excesso de peso decorre de uma série de desequilíbrios internos e que não existe e nem existirá um remédio ou tratamento único que equilibre todos os fatores envolvidos no ganho de peso! O emagrecimento ocorre como resultado do equilíbrio geral do organismo, e não um objetivo a ser alcançado a qualquer preço. Se você não concorda com estas afirmações este tratamento não é para você. Dentro da Prática Terapêutica Biológica a estratégia de tratamento inicia-se pela modulação dos neurotransmissores (Serotonina, GABA, Dopamina) para reduzir a ansiedade e as compulsões e de hormônios como o Cortisol e a Insulina. Depois Utilizamos substancias que aumentam a saciedade e estimulam a queima de tecido gorduroso. Tudo isso sempre aliado a uma adequação alimentar e atividade física.

Depressão: A depressão é uma condição clinica muito presente nos consultórios. Ela pode ocorrer por vários motivos que vão desde alterações na flora intestinal passando por processos inflamatórios, além das causas psicológicas. Mas sempre terminando em desequilíbrio dos neurotransmissores principalmente da Serotonina. A PTB pode ajudar fornecendo os nutrientes necessários tanto para a produção dos neurotransmissores quanto para minimizar a neuro inflamação.

Estresse: Quando somos submetidos ao estresse constante, os altos níveis de Cortisol e Adrenalina produzem um desgaste acentuado do nosso corpo, o consumo de nutrientes é muito maior e não conseguimos repor apenas pela alimentação. A Terapia Biológica, através da reposição de vitaminas, minerais e fitonutrientes, pode ajudar a minimizar e reverter os efeitos do stress.

Cansaço crônico: Além da falta de descanso suficiente, a alimentação pobre em nutrientes, pode causar o quadro de fadiga crônica, que pode ser melhorado pela reposição de vitaminas, minerais e outros nutrientes.

Fadiga Adrenal: Pessoas submetidas a um estresse intenso por longos períodos podem desenvolver este quadro. Clinicamente estas pessoas apresentam apatia, cansaço e desanimo profundos que podem ser confundidos com depressão. Mas o que ocorre de fato é uma forte baixa na produção de Cortisol pelas glândulas Adrenais. Casos assim respondem muito bem à Prática Terapêutica Biológica que pode lançar mão de adaptógenas, que são substancias que equilibram as Adrenais. Não resolve apenas tirar férias e descansar.

Imunidade diminuída: O nosso sistema imune depende de muitos nutrientes, como Zinco, Cobre e Selênio, que pela exaustão do nosso solo, estão presentes em quantidades cada vez menores nos alimentos. A PO pode ajudar repondo estes nutrientes, diminuindo o uso de antibióticos, que são importantes no quadro agudo, mas que não aumentam a imunidade, pelo contrário a fazem diminuir.

Inflamação crônica assintomática: A inflamação em si é um mecanismo de reparo extremamente útil para a recuperação das agressões que sofremos, mas para isso ela deve ser de curta duração. Pesquisas apontam que quase todas as doenças crônicas e degenerativas têm como base um tipo de inflamação crônica sem sintomas que ocorre difusamente em nosso corpo. Como exemplo de doenças associadas à inflamação de baixo grau podemos citar: doenças cardiovasculares, depressão, artrites, Parkinson, Alzheimer entre muitas outras. A Prática Terapêutica Biológica busca através do uso de antioxidantes, fitoquímicos, antiinflamatórios naturais reduzir ou mesmo eliminar a inflamação crônica silenciosa.

Destoxificação: Com exposição diária a centenas de produtos químicos nosso corpo vai ao longo dos anos perdendo a capacidade de se auto desintoxicar. Pela exposição excessiva a produtos industrializados, produtos de limpeza, agrotóxicos, metais pesados, medicamentos químicos, ar e água poluídos, o nosso corpo já não consegue mais eliminar todas as toxinas, e elas estão na origem de muitas doenças. Sabemos hoje que a presença do alumínio em nosso corpo, está envolvida com a gênese de doenças como Alzheimer e Parkinson. A PTB pode auxiliar na destoxificação dos nossos sistemas orgânicos.

Menopausa e libido: Mudanças hormonais importantes ocorrem no climatério/menopausa, entre elas alterações de humor, insônia, irritabilidade, cansaço, osteoporose, secura vaginal, diminuição da libido entre outros. Na PTB temos várias formas de tratar que vão da fitoterapia até a TRHB (terapia de reposição hormonal bioidêntica).

Disfunção erétil e impotência: Nos homens a andropausa é o equivalente da menopausa. Nesta fase podem ocorrer sintomas como depressão, irritabilidade, cansaço fácil, perda de massa muscular, impotência, ejaculação precoce entre outros. Nestes casos a PTB também pode ajudar muito, através da suplementação com vitaminas, minerais, fitoterápicos e também TRHB (terapia de reposição hormonal bioidêntica).

Disbiose intestinal: A ingestão constante de alimentos nocivos ao nosso organismo provoca um processo inflamatório ao nível da mucosa intestinal, seguido de uma alteração da permeabilidade da parede intestinal, que por sua vez altera a absorção dos nutrientes. Soma-se a isto a presença em larga escala de agrotóxicos, conservantes, corantes nos alimentos, metais pesados e parasitas intestinais, alterando a flora intestinal. Muitas alergias iniciam-se quando nossa permeabilidade intestinal está alterada. Na Prática Terapêutica Biológica podemos usar probióticos e prebióticos para recuperar e equilibrar a nossa microbiota intestinal.

Para fazermos o diagnóstico na Prática Terapêutica Biológica além dos exames laboratoriais rotineiros, também utilizamos um bem especifico, o mineralograma, a ressonância magnética quantum fraco, a bioimpedância. Estes exames nos mostram os minerais que estão em falta ou excesso no organismo, bem como possíveis intoxicações por alguns metais tóxicos como Chumbo, Alumínio, Mercúrio, Cádmio, Arsênio entre outros, que devem ser eliminados do nosso corpo.

O tratamento, dependendo de cada caso, pode ser feito pela reposição de Vitaminas, Sais Minerais, Aminoácidos, Fitonutrientes, Nutracêuticos entre outros recursos terapêuticos.

Minerais quelados

A Prática Terapêutica Biológica é o ramo da ciência cujo objetivo primordial é restabelecer o equilíbrio químico do organismo. Este acerto das moléculas se dá através do uso de substâncias e elementos naturais como vitaminas, aminoácidos e minerais.
O Homem está sendo permanentemente submetido à condições que levam ao excesso de radicais livres como, por exemplo, o estresse, o fumo, a poluição, exposições prolongadas ao sol, entre outras. A PTB, através do uso de vitaminas e minerais, objetiva neutralizarem os efeitos tóxicos destas espécies reativas, proporcionando uma melhor qualidade de vida, além de tratar das deficiências de nutrientes.
Todavia, apesar da PTB ter um sentido curativo, ela também é eminentemente preventiva, onde o aspecto mais relevante é o fato de que o paciente ser encarado como um todo, um conjunto que deve funcionar em harmonia. Com esta visão global, qualquer tratamento torna-se muito mais vantajoso, pois encontra a origem dos problemas, a verdadeira raiz a partir da qual todo o processo patológico se desenvolve.

MINERAIS QUELADOS

BORO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
Estudos recentes defendem a hipótese de que o Boro influencia o metabolismo dos macrominerais e afeta o metabolismo de hormônios. As doenças e desordens relacionadas com a deficiência desse mineral são: Osteoporose, sintomas da menopausa e perda de cálcio, magnésio e fósforo na urina.
Doses diárias recomendadas: 1 a 5mg de B elementar.

CÁLCIO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
Todas as s células do corpo são revestidas por uma membrana protetora conhecida como parede da célula. O cálcio quelado presente na membrana da célula ajuda a controlar a permeabilidade da parede da célula. Dessa forma, o cálcio controla a absorção dos nutrientes dentro da célula, bem como a excreção dos resíduos para fora da célula.
O cálcio age como co-fator enzimático e participa nos processos de secreção e excreção das glândulas endócrinas e exócrinas, na liberação de neurotransmissores e na manutenção da permeabilidade de membrana, da função renal e da respiração.
Indicações terapêuticas:
O cálcio previne e trata a osteoporose, possui propriedades protetoras contra o câncer colo-retal e a hipertensão arterial. Indicado na gravidez, na intoxicação por magnésio (superdose de sulfato de magnésio), reanimação cardíaca (quando falha a adrenalina e a desfibrilação produz contrações fracas ou inadequadas), reduz o colesterol e ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, tranqüilizante natural (diminui a insônia), ajuda a aliviar a cãibra nas pernas, útil no tratamento e prevenção da artrite e ajuda a manter a pele saudável. Utilizado como coadjuvante em picadas de insetos: aranha viúva- negra e outros. Recomendado para mulheres em pré- menopausa e pós- menopausa e para gestantes e lactentes.
Dose usual: 1000 a 2000mg de Ca elementar diários.

COBRE QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
O cobre é necessário para converter o ferro do organismo em hemoglobina, sendo fundamental para a formação dos tecidos conectivos e dos ossos. Também permite a utilização do aminoácido tirosina, fazendo com que funcione como fator de pigmentação para o cabelo e a pele. É indispensável para a utilização da vitamina C. É fundamental para o adequado metabolismo dos hormônios da tireóide e catecolaminas (epinefrina e dopamina).
O cobre participa de numerosas enzimas tais como: ceruloplasma (transporte de ferro), superóxido dismutase (eliminação de radicais superóxido), lysiloxidase (síntese de elastina e colágeno) e tirosinase (síntese de melanina).
Indicações terapêuticas:
O cobre é indicado para suprir as deficiências em formulações gerais e como adjuvante nos tratamentos antiinflamatórios, benéfico contra algumas formas de artrite reumatóide, possui potente ação antioxidante (combate os radicais livres que aceleram o envelhecimento), aumenta a imunidade e protege contra doenças cardiovasculares.
Dose usual: 1 a 5mg de Cu elementar.

CROMO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
O cromo atua aumentando o número de receptores de insulina na membrana da célula, potencializando a insulina sem substituí-la clinicamente. O cromo atua no metabolismo da glicose pela sua presença no Fator de Tolerância a Glicose (FTG). A intolerância à glicose resulta da redução da capacidade de remoção do açúcar do sangue para nutrição celular (é característica do diabetes), o FTG potencializa a atividade da insulina necessária ao metabolismo do açúcar. O cromo ajuda a restaurar parte da sensibilidade do organismo à insulina e, portanto, a fazer melhor uso da glicose. O cromo funciona no metabolismo glicídico e lipídico.
Indicações terapêuticas:
O cromo é indicado no tratamento e prevenção do diabetes, na proteção de doenças cardiovasculares e hipertensão arterial, no tratamento de hipoglicemia, combate a arteriosclerose e diminui significativamente o colesterol sérico (aumenta os índices de colesterol HDL). Utilizado nas formulações para atletas, pois o cromo é perdido em proporções significativas nos exercícios físicos e na transpiração.
Dose usual: 100 a 200mcg diários, na forma de Cr elementar.

ESTRÔNCIO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
O Estrôncio pode ajudar na estrutura da matriz celular e mineral dos ossos e dentes, oferece resistência e ajuda na prevenção da cárie dentária ou na flexibilidade dos ossos, embora não se sabe se o baixo nível de estrôncio no corpo causa algum problema. O estrôncio está presente nas águas do mar, outras águas e no solo.
Nosso corpo contém aproximadamente 300 – 350mg, 99% presente nos ossos e dentes. Ele assemelha-se ao cálcio quimicamente e pode atualmente substituí-lo.
A absorção do Estrôncio varia aproximadamente de 20 – 40%. Ele está estável nos tecidos, principalmente nos ossos e dente, e o estrôncio extra é eliminado pelas fezes.
Indicações terapêuticas:
A suplementação ainda não está bem claro. O uso do estrôncio ajuda no metabolismo dos ossos e oferece resistência na osteoporose, porém ainda questionável. Também pode ser usado na prevenção de cáries dentárias.
Deficiências e toxicidade
Não há casos relatados de toxicidade do Estrôncio natural. Não há nenhum sintoma relatado na deficiência em humanos, porém em estudos feitos com ratos, a deficiência de Estrôncio pode diminuir o crescimento, empobrecer a calcificação dos ossos e dentes, e aumentar as cáries dentárias.
Dose usual: Não há RDA para o Estrôncio. O alimento pode suprir-nos com aproximadamente 2mg diárias.

FERRO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
O ferro tem inúmeras funções no nosso organismo: o transporte de oxigênio na hemoglobina, participa de mecanismos enzimáticos complexos, está ligado ao transporte de elétrons em várias enzimas, principalmente enzimas ligadas à fosforilação oxidativa, ribonucleotídeo redutase, enzimas envolvidas na síntese e degradação de aminas biogênicas (incluindo tirosina e triptofano hidroxilases, que iniciam a formação de dopa e serotonina), enzimas heme, catalase e triptofano oxigenase. Grandes quantidades de ferro são encontradas na mioglobina das células musculares, e quantidades elevadas, porém variáveis, são armazenadas na ferritina, uma subunidade protéica presente em todas as células, especialmente fígado, baço e medula óssea.
Indicações terapêuticas:
O ferro previne e cura a anemia ferropriva, é anticancerígeno, estimula a imunidade, melhora o desempenho físico e previne problemas de aprendizado em crianças.
O ferro também é utilizado em grávidas, mulheres com fluxo menstrual excessivo, doadores de sangue, lactentes e em pessoas que praticam esportes, devido a perda que ocorre pelo suor.
Dose usual: 10 a 15mg por dia na forma de Fe elementar.

IODO QUELADO
Propriedades Farmacologia
Nosso organismo contém normalmente de 20 a 30mg de iodo, com mais de 75% na glândula tiroide e o restante distribuído por todo o organismo, particularmente na glândula lactente mamária, na mucosa gástrica e no sangue. O estudo da influência do iodo no metabolismo animal tornou-se bastante importante a partir de 189, quando se descobriu que o elemento é um constituinte normal da tiróide. Cedo se verificou que uma dieta deficiente em iodo era a causa principal do bócio. O iodo é um micronutriente essencial ‘a síntese de hormônios da glândula tireóide, desempenhando um papel único na prevenção dos distúrbios por deficiência de iodo – DDI. A falta ou excesso desse nutriente pode causar retardo mental, defeitos no desenvolvimento do sistema nervoso, cretinismo, bócio, cansaço físico, retardo do crescimento, infertilidade e aumento na mortalidade infantil. A falta de iodo durante a gestação pode causar danos irreversíveis à criança. Por outro lado, o excesso de iodo pode suprimir a atividade tireoidiana. Quando os solos são pobres em iodo, particularmente em certas regiões montanhosas da Europa, distantes domar, pode-se apresentar uma carência em iodo, cujo principal sinal é o bócio ou papeira (aumento do volume da glândula tireóide). As populações que habitam locais próximos do litoral têm menor probabilidade de serem acometidas pelos DDIs, pois são beneficiadas pelo iodo presente em produtos do mar e no solo.
O iodo é um elemento indispensável ao funcionamento de todo o organismo. Com efeito, o iodo entra na formação de dois fatores hormonais da glândula tireóide (tiroxina e triiodotiroxina) que agem sobre a maioria dos órgãos e das grandes funções do organismo: o sistema nervoso, a termogênese (que nos permite conservar uma temperatura estável), o sistema cardiovascular, os músculos esqueléticos, as funções renais e respiratórias. Em suma, estes hormônios são indispensáveis ao crescimento e ao desenvolvimento harmonioso do organismo. O iodo é encontrado em quantidades extremamente variáveis nos alimentos e na água de beber. As fontes mais ricas de iodo são os frutos do mar e o sal marinho, mas o iodo está também presente em numerosos legumes (vagem, agrião, cebola, alho poro, rabanete, nabo) e em certas frutas (abacaxi e ameixa). Como na maioria das vezes a alimentação diária não permite que nosso organismo disponha da quantidade necessária deste mineral, a suplementação feita através do iodo quelado 1% pode contribuir para evitar os DDIs.
Posologia: 50 a 300mcg de iodo elementar.

MAGNÉSIO QUELADO
Propriedades Farmacologia
O magnésio participa da síntese e hidrólise do ATP, ativação e estabilização de macro moléculas como o DNA e ribossomos, além de ativar e regular inúmeras enzimas, tais como a fosfatase alcalina que está envolvida no metabolismo do cálcio e do fósforo.
O magnésio, em combinação com o cálcio, regula a permeabilidade das membranas.
Sua concentração nos fluídos extra celulares é crítica para a integridade e funcionamento do sistema nervoso, tanto na condução do estímulo nervoso, como na sua transmissão através da junção mio neural. O magnésio é necessário para metabolismo da vitamina C, sódio e potássio, sendo importante para converter o açúcar do sangue em energia. O magnésio também aumenta a mobilidade dos espermatozóides, participa do crescimento e mineralização dos ossos e inibe a agregação plaquetária.
Indicações terapêuticas:
O magnésio é utilizado nas formulações gerais:
1- como relaxante, 2- no combate à fadiga neuromuscular, 3- no stress, 4- no tratamento da síndrome pré-menstrual (associado à vitamina B6), 5- combate a tensão nervosa e a depressão, 6- na prevenção e tratamento das doenças cardíacas, 7- ajuda a evitar a formação de pedras nos rins e na vesícula, 8- alivia a digestão.
Combinado com o cálcio, o magnésio funciona como tranquilizante natural e atua na manutenção da saúde cardiovascular.
Dentre os grupos vulneráveis à deficiência de magnésio estão: idosos, pessoas em dietas de baixas calorias, diabéticos, pessoas que fazem uso de digitálicos e diuréticos, consumidores de álcool, gestantes e pessoas que praticam exercícios regulares e pesados.
A suplementação de magnésio parece desempenhar um papel na medicina preventiva.
Dose usual: 50 a 500mg de Mg elementar.

MANGANÊS QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
O manganês age como ativador enzimático sobre o polissacarídeo polimerase, a arginase hepática, a colinesterase e o piruvato carboxilase.
Na enzima tiaminoquinase, viabiliza a ação da tiamina (na forma ativa de tiamina pirofosfato).
Na enzima glucosiltransferase e galctiltransaferase, participa da formação das glicoproteínas. As glicoproteínas formam parte da membrana das células e especificamente são responsáveis pela defesa celular contra o ataque de vírus e certas formas de câncer.
O manganês catalisa a síntese dos mucolissacarídeos das cartilagens. É um co-fator na fosforilização oxidativa. Participa de vários estágios da homeostase da glicose.
Indicações terapêuticas:
O manganês é importante para o funcionamento normal do cérebro e eficaz no tratamento da esquizofrenia e de algumas doenças nervosas, necessário para a reprodução e para a estrutura óssea normal e útil no tratamento da osteoartrite. Importante no metabolismo normal da glicose e benéfico no tratamento do Diabetes mellitus.
Utilizado em formulações para desenvolvimento físico, terapias antioxidantes, bem como para tratamentos pós- cirúrgicos ou de traumatismos.
Dose usual diária: 5 a 20mg de Mn elementar.

MOLIBDÊNIO COMPLEX
Propriedades Farmacológicas:
O molibdênio é essencial para a atividade de somente três enzimas em mamíferos. A xantina, aldeído e sulfito oxidase. Essas três enzimas contém flavina e também ferro.
A sulfito oxidase é necessária para a excreção de enxofre (como sulfato), e contém molibdênio na forma +5 e +6, no estado oxidado, modo como atua, na transferência de elétrons para oxidação/redução. É necessária para o completo catabolismo de aminoácidos sulfurados e para inativação do íon sulfito.
Indicações terapêuticas:
O molibdênio protege contra o câncer, protege os dentes, previne a impotência sexual, previne a anemia e mobiliza o ferro (a xantina oxidase, uma enzima que depende do molibdênio, talvez participe da absorção e liberação do ferro da ferritina – forma de armazenamento do ferro).
Utilizado como antioxidante.
Doses diárias recomendadas: 150 a 500mcg de Mo elementar.

POTÁSSIO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
Associado ao sódio, o potássio regula o equilíbrio da água no organismo e normaliza o ritmo cardíaco. O potássio é acumulado pelas células por um mecanismo que depende de energia que expulsa o sódio. A captação de potássio é acoplada a esse mecanismo diretamente ou ativada pela diferença de potencial que resulta da expulsão do sódio.
O potássio trabalha dentro das células e o sódio na parte externa. O potássio ajuda a raciocinar com clareza, pois envia oxigênio ao cérebro; ajuda a eliminação das matérias inúteis ao organismo; auxilia na redução da pressão sangüínea. As funções dos nervos e músculos ficam comprometidas quando há desequilíbrio entre sódio e potássio. O potássio também exerce um papel importante na gênese e na correção dos desequilíbrios do metabolismo ácido- básico.
Indicações terapêuticas:
O potássio é útil na prevenção e tratamento da hipertensão, protege contra a morte provocada por derrames, melhora o desempenho dos atletas (a deficiência de potássio provoca fraqueza, fadiga), benéfico na prevenção e tratamento do câncer. Indicado para pacientes que fazem uso de diuréticos ou que transpiram em excesso.
Doses diárias recomendadas: 50 a 300mg de K elementar.

SELÊNIO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
A mais importante atividade biológica do selênio parece ser através da enzima glutationa peroxidase, na qual em comparação com o complexo E e outros agentes anti-oxidantes são capazes de reduzir os efeitos destrutivos sobre as células vivas de reações peroxidativas. Os efeitos antioxidativos do selênio e vitamina E são diferentes, mas não menos complementares. A vitamina E previne a formação de peróxidos graxos por seqüestro de radicais livres antes que eles iniciem a peroxidação graxa. O selênio como parte essencial da glutationa peroxidase reduz peróxidos já formados para alcoóis menos ativos.
Indicações terapêuticas:
Preventivo nas alterações degenerativas do pâncreas; exerce efeito protetor, retardando o desenvolvimento do tecido cancerígeno; deficiências imunológicas; artrite reumatóide; doenças cardíacas; também protege contra os efeitos tóxicos do cádmio, mercúrio, chumbo e outros metais tóxicos formando complexos biologicamente inativos; outra característica do selênio é que aumenta a efetividade do complexo E; é um antioxidante que ajuda a prevenir a ruptura dos cromossomas dos tecidos. O leite humano contém 6 vezes mais selênio do que o leite de vaca e 2 vezes mais vitamina E, a deficiência de selênio está relacionada coma a morte súbita infantil. A deficiência de selênio pode produzir distrofia muscular, diástese exudativa, necrose do fígado e infertilidade. O selênio protege a pele contra os raios ultravioleta. O selênio também tem sido estudado e utilizado no tratamento de pacientes com AIDS e com Ebola Vírus.
Doses diárias recomendadas: 50 a 200mcg de Se elementar.

SILICIO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
Além de fazer parte integrante de nossas estruturas conjuntivas, tomando parte na constituição de colágeno, elastina, mucopolissacarídeos, proteoglicanos, glicoproteínas, glucosaminoglucanos e poliurônios, tem, também a função moduladora sobre diversas vias metabólicas fundamentais para a homeostase de nosso organismo, especialmente a dérmica, podendo considerá-lo um dos recursos mais importantes para a prevenção do câncer de pele, pela profunda influência que exerce sobre o processo imunológico, mormente a nível dérmico, envolvendo o Natural Killer, exterminador de focos cancerosos na pele. Sem se falar no seu poderoso efeito sobre a lipodistrofia localizada (celulite) e a peroxidação lipídica (geração de radicais livres). Favorecendo, assim, além do aspecto estético na silhueta, em razão do descrito acima; quanto, também em razão de sua ação envolvendo as gorduras localizadas e os radicais livres. O Silício exerce efeito marcante em prol de uma pele mais viçosa, sem rugas, ondulações e imperfeições.
Doses diárias recomendada:
5 a 10mg ao dia

VANADIUM QUELADO
Propriedades Farmacológicas
O Vanadium estabelece o equilíbrio no estado de saúde, participando de diferentes processos metabólicos necessários à formação de energia, agindo como co-fator ou ajudando a acelerar as reações no metabolismo dos carboidratos, das gorduras e fortalecendo ossos e dentes.
Foram realizadas diversas pesquisas sobre a bioquímica do vanadium no metabolismo dos lipídios e constatou-se redução da síntese do colesterol no fígado. Existem evidências que sua ação é mais efetiva quando o nível de colesterol é mais elevado ou quando sua síntese está anormalmente elevada.
O vanadium aumenta o transporte e oxidação de glicose em adipócitos, estimula a síntese de glicogênio no fígado e diafragma e inibe a gliconeogênese nos hepatócitos. Essas atividades insulinomiméticas do vanadium, observadas na ausência da insulina, foram confirmadas e dissociadas de sua habilidade de inibir a ATPase Na+/K+.
Em hepatócitos o vanadium acelera a glicólise e inibe a frutose 2,6, bisfosfatase. Em adipócitos isolados o vanadium estimula o transporte de glicose, mobilizando transportadores da membrana plasmática, e aumentam a liberação de lipoproteína lipase.
No metabolismo do ferro, o vanadium promove sua distribuição e auxilia a sua correção mais rápida nas anemias carenciais quando utilizado em conjunto com sulfato ferroso.
Além disso, o vanadium favorece a mineralização dos ossos e dentes, provavelmente devido à troca do fósforo na molécula de apatita (fosfato de cálcio com flúor) conduzindo ao endurecimento da apatita, estimulando a mineralização da dentina, podendo exercer um efeito protetor contra as cáries.
Indicações terapêuticas:
Calcifica os ossos e dentes, evitando as cáries. O vanadium pode inibir a aparição de tumores espontâneos e, também pode diminuir as propriedades cancerígenas de certas substâncias químicas. Alguns estudos demonstraram que o vanadium destrói as células neoplásicas.
Utilizado como auxiliar na diminuição das taxas de triglicérides e de colesterol do plasma e na redução da quantidade de colesterol que se acumula na aorta.
Doses diárias recomendadas: 20 a 100mcg de V elementar

ZINCO QUELADO
Propriedades Farmacológicas:
O zinco faz parte de mais de 200 enzimas, tais como: carboxipeptidase, anidrase carbônica, fosfatase alcalina, desidrogenase láctica, superóxido dismutase, retinol desidrogenase, transferases, hidrolases, etc. O zinco é fundamental para a síntese e metabolismo de proteínas, DNA, RNA, insulina, etc.
Indicações terapêuticas:
O zinco é indicado em formulações para o aumento da imunidade, para o tratamento de disfunções do aparelho genital masculino (fertilidade e impotência), para fertilidade feminina, na gravidez, na lactação, em recém- nascidos, em crianças em idade de crescimento, em dietas insuficientes de proteínas, como no caso de desnutrição, alcoolismo e em casos geriátricos. Também utilizado como coadjuvante na diminuição dos depósitos de colesterol. Casos de tensão pré-menstrual e depressão pós-parto respondem bem à doses extras de zinco. Também previne a cegueira decorrente do envelhecimento, previne câncer, acelera a cicatrização de feridas, aumenta o desejo sexual, útil no tratamento de acne, previne a queda de cabelo, antiinflamatório e útil no tratamento da artrite reumatóide.
Utilizado freqüentemente em formulações antioxidantes e de suplementação de zinco.
Doses diárias recomendadas: 10 a 60mg de Zn elementar

Publicado por: sosortomolecular | 15 de Novembro de 2016

Infecções dos pés diabéticos, como tratar em casa

Infecções do pé diabético são muito dolorosas e leva a condições médicas que afetam milhares de pacientes todos os anos.

Eles são uma das principais causas por trás amputações das extremidades inferiores.

Quando os tecidos ou pele de membros infectados em pessoas com diabetes, os resultados podem ser graves.

Circulação microvascular em diabéticos é afetada causando uma úlcera pode se formar se a infecção não for tratada corretamente.

Isso faz com que esta resposta sistêmica Síndrome de inflamação. Nesta síndrome, o corpo já não assume a área afetada e amputação é a única opção.

Existem tratamentos formais para infecções do pé diabético, mas, porque eles nem sempre são eficazes, muitas pessoas recorrem a remédios naturais que têm menos efeitos colaterais.

Se este for o seu caso, aqui está uma lista interessante que pode ser de grande ajuda.

  1. Cafeína

Uma das principais razões para infecções do pé diabético, porque o sangue não circula assim, no final, de modo que compostos que combatem a infecção não pode proteger o corpo de úlceras.

Isto ajuda a solucionar alguns dos problemas circulatórios do pé e também aumenta a resposta imune na área.

  1. Aloe vera

Quando você aplica aloe vera topicamente para o local da inflamação ou úlcera, você pode reduzir a dor e desconforto ao eliminar a infecção, graças às suas propriedades antimicrobianas.

Por outro lado, você também pode beber suco de aloe vera para efeitos da estimulação imunológica.

  1. Mel

Esta é ainda a mais doce e popular para muitos problemas de saúde remédio caseiro. Além disso, é muito eficaz quando se trata de infecções do pé diabético ou qualquer outro tipo.

É muito aconselhável aplicar na área e sair.

Graças à sua ação antibacteriana, propriedades antivirais, antiinflamatórias e antioxidantes irão dar um impulso imuno protetora e impedir a propagação da infecção.

  1. Ginseng

Esta lenda é normalmente receita se você tem diabetes porque pode ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue.

Ele também ajuda a melhorar o seu sistema imunológico e prevenir infecções antes que eles ataquem você. É também um suplemento que pode encontrar com muita facilidade.

  1. Astragalus

Por gerações, diferentes culturas no mundo têm usado esta erva por seus benefícios medicinais.

Quando você aplica o talus diretamente sobre a pele, que ajuda a induzir o fluxo sanguíneo e acelerar a cicatrização.

Isto pode ser muito útil quando se trata de infecções do pé diabético, porque ajuda a eliminar a infecção subjacente que pode causar úlceras.

  1. Ruibarbo Raiz

Embora hoje esta erva não é muito usado, usado com frequência, é utilizado há milhares de anos.

Ele contém um composto chamado emodina, que possui propriedades antiinflamatórias e antimicrobianas surpreendentes.

Aplicação tópica de uma preparação de raiz de ruibarbo na área afetada pela úlcera pode rapidamente neutralizar a infecção e diminuir o tamanho da ferida antes que provoca grandes problemas.

  1. Magnésio

As variações no nível de base de minerais em seu corpo pode contribuir para a frequência com que você apresenta infecções.

Quando você tem deficiência de magnésio pode trazer má gestão da diabetes e seu sistema imunológico é mais fraco do que o normal, então vamos infecções causam feridas profundas.

Tudo que você tem a fazer é incluir alimentos ricos em magnésio em sua dieta. Entre elas estão:

Espinafre – As sementes de abóbora – feijão carioca – cacau em pó – abacate – banana

  1. Os produtos da soja

Os benefícios que têm produtos à base de soja foram conhecidos durante muito tempo. Quando se trata de estimular o fluxo de sangue, uma mistura de soja e gengibre e pode fazer maravilhas para o seu sistema circulatório.

Isso é importante quando se trata de infecções do pé diabético, porque os compostos imunizantes não alcançar seus pés, se o sangue flui errado.

  1. Zinco

A primeira linha de defesa contra a infecção é o seu sistema imunológico. Sem zinco seu corpo não será capaz de produzir anticorpos e outros compostos que estão lutando para se manter saudável.

Este mineral também acelera a recuperação e cicatrização de úlceras, o que dificulta a formação de infecções.

  1. Psyllium

Tanto o vermelho e o psyllium preto são comumente usados para melhorar a saúde eo bem-estar das pessoas quando elas têm diabetes.

Graças às suas propriedades pode ajudar a regular a glicose e insulina e colocada sob controlo de muitos dos efeitos secundários da diabetes.

Tudo isso ajuda a reduzir muito a possibilidade de que sofrem de infecção e pé úlceras, por isso é uma das ervas que nós recomendamos que você sempre tem em seu armário de remédios.

Publicado por: sosortomolecular | 9 de Novembro de 2016

Pensar Molecular: O Oxigênio é o Início e o Fim da Vida

O “pensar molecular” em doenças degenerativas, imunológicas, infecciosas e ambientais é muito facilitado pelo conceito de “moléculas envelhecedoras” (oxidantes) e “moléculas conservadoras” (antioxidantes). À primeira vista parece complicado, mas vou explicar melhor e você vai entender tudo direitinho. Tem bastante a ver com o oxigênio.

As moléculas envelhecedoras são a família de moléculas que causam ou facilitam as mudanças na fisiologia ou na fisiopatologia molecular do envelhecimento e da agressão, causados por infecções ou agentes ambientais. Moléculas conservadoras são a família de moléculas que promovem a neutralização da atividade envelhecedora das moléculas e previnem a agressão molecular causada pelas moléculas envelhecedoras.

Oxigênio é o inicio da vida. Oxigênio é o fim da vida.

Os tecidos e células necessitam de oxigênio para viver. Isso entendemos bem no nosso estudo básico da ciência. Por outro lado, os tecidos e as células são também “envelhecidos” pelo oxigênio no processo de vida. Embora esse detalhe seja indiscutível, na prática médica diária é ainda pouco compreendido. A oxidação é um processo espontâneo, enquanto a redução requer gasto energético.

Qual é a linguagem da agressão molecular?

Oxidação.

Qual é a linguagem da recuperação molecular?

Redução.

Qual é a linguagem do processo de envelhecimento?

Agressão Oxidativa Molecular

Existem duas teorias prevalentes sobre envelhecimento. Na primeira teoria, a dos radicais livres, espécies altamente reativas de oxigênio seriam a causa do envelhecimento celular. Radicais livres, é claro, são produzidos pelo processo de oxidação.

Na segunda teoria do envelhecimento, protein cross-linkage, várias permutações de moléculas protéicas causadas pelo cross-linking (ligamento em forma de rede) são vistas como as causadoras do envelhecimento. Novamente, protein cross-linking, por si só, depende da agressão oxidativa. Então, ambas as teorias estão claramente implicadas na bioquímica do envelhecimento.

Oxidação espontânea

Oxidação espontânea é o fenômeno de base do processo de envelhecimento. O processo bioquímico e celular envolvido no envelhecimento inicia-se lentamente, sendo preservada a saúde pelas moléculas conservadoras. Nesse processo oxidativo pode haver doenças e envelhecimento precoce.

Este é o meu modo de entender saúde e estado de doença: todas as nossas estratégias terapêuticas para doenças degenerativas e imunológicas resumem-se em atuar diretamente reduzindo a oxidação molecular.

Como o processo oxidativo molecular causador de agressões pode ser reduzido?

Reduzindo as agressões dos agentes ambientais químicos.

Minimizando o potencial microbiano.

Diminuindo os desencadeadores de alergia.

Esta é a verdadeira Terapêutica Preventiva. É onde o modelo prevalente do tratamento das doenças com drogas, estabelecido para diagnostico morfológico, falha. A agressão molecular oxidativa é a verdadeira “lesão molecular” na patogênese das doenças.

O estudo da dinâmica molecular nos dá a visão dos eventos eletromagnéticos e moleculares antes de se iniciar a lesão celular e tecidual. Esta é a diferença essencial entre Medicina Clássica e a Prática Molecular.

Rudolph Virchow, o criador da Patologia, publicou seu clássico livro Patologia Celular em 1858, nos livrando dos caminhos restritos da patologia medieval. Agora, a “patologia celular” não nos diz como as doenças começam. Por isso, Terapia Preventiva Molecular é a aplicação dos princípios da terapêutica ambiental, terapêutica nutricional e terapêutica da atividade física.

Lesões Moleculares

O claro entendimento das lesões moleculares inicialmente envolve a exploração de novo conhecimento em diversos campos de pesquisa científica. Já o claro entendimento das bases moleculares e energéticas das síndromes clínicas, causadas por lesões moleculares, exige familiarização com vários aspectos estabelecidos na genética. Alguns exemplos são passagens bioquímicas de defesa molecular, resposta molecular a agentes ambientais, ativação e inativação das enzimas, alterações do sistema imune e da molécula essencial de traços genéticos (parentesco) na biologia humana.

Do projeto de genoma humano, se esperava a solução de diversos mistérios como o dos causadores genéticos de doença, mas já se passaram mais de 15 anos e pouco mudou. Isso porque a epigenética é muito clara, mostrando que somente 10% das doenças têm causas genéticas. As outras 90% são causadas por agressores ambientais e estilo de vida adotado.

Portanto, precisamos pensar na agressão oxidativa como os causadores reais da “doença molecular”, apoiada nos campos da Terapia Ambiental e Nutricional, e reconhecer como os genes são mudados (e mutilados) pelos agentes químicos (xenobióticos) e causam doenças. A partir daí, prevenir e tratar essas desordens.

Não se pode mais pensar numa terapêutica de que para cada sintoma há um medicamento químico, pois isso não atende mais a nossa realidade. É coisa do passado.

Não podemos tratar uma pessoa do 3º milênio, exposta a agressores ambientais e a uma alimentação que nos sustenta a vida, mas não nos dá saúde, usando cabeças do século 20… e conhecimentos do século 19.

A prevenção é a melhor terapêutica!

Referências bibliográficas:

Livro: Prevenção: A Medicina do Século XXI. Wilson Rondó Jr. Editora Gaia 2000

Livro: Revolução na saúde. Serge Jurassunas. 2006

Livro: Wellness Against All Odds. Sherry A. Rogers. 2008

 

Publicado por: sosortomolecular | 3 de Novembro de 2016

NUTRACÊUTICOS NAS FUNÇÕES ARTICULARES E ÓSSEAS DO ORGANISMO

Os nutracêuticos são partes de um alimento que proporciona benefícios médicos e de saúde, incluindo a prevenção e/ou tratamento da artrose.

Tais produtos podem abranger desde os nutrientes isolados, suplementos dietéticos na forma de cápsulas e até os produtos beneficamente projetados como os produtos herbais e alimentos processados tais como cereais, sopas e bebidas.

Os principais nutracêuticos aliados no tratamento da artrose são: silício, fósforo, zinco, magnésio, cálcio, manganês, vitamina C, colágeno tipo 2 (UCII), colágeno hidrolisado, osteosil, CMM, molibdênio e os suplementos vitamínicos e minerais.

Zinco, diversos aspectos do metabolismo celular são dependentes do zinco. Aproximadamente 700 enzimas dependem do zinco para realizar reações químicas essenciais a nossa sobrevivência.

O mineral tem papel importante, por exemplo, no crescimento, na resposta imune do organismo, na função neurológica e na reprodução. É um potente antioxidante e tem um papel fundamental na reparação celular.

Além dessas funções, o zinco atua na estrutura das proteínas e membranas celulares e também está envolvido na expressão dos genes, na síntese de hormônios, principalmente o Hormônio do Crescimento – GH e na transmissão do impulso nervoso.

A carência deste mineral pode gerar uma atrofia muscular, osteoporose e problemas de cicatrização.

O manganês é parte constituinte de diversas enzimas e atua como ativador de outras tantas. Entre outras ações, funciona como antioxidante, ativa enzimas que participam do metabolismo hepático dos carboidratos, aminoácidos e colesterol, e colabora na formação da cartilagem e ossos.

A distribuição do manganês é grande nos tecidos e líquidos do organismo. O papel metabólico do manganês é considerável, pois ativa numerosas enzimas implicadas na síntese do tecido conjuntivo, na regulação da glicose e na proteção das células contra os radicais livres.

O manganês é reparador da cartilagem através da ativação de uma enzima vital aos condrócitos (Células que formam a cartilagem articular). O manganês melhora a viscoelasticidade do líquido sinovial e da ativação e resistência às pressões dos sinoviócitos (células do líquido sinovial).

A vitamina C é um potente antioxidante e estimulante imune vital para a proteção das articulações. Também tem poderosos efeitos antiinflamatórios.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Monash, na Austrália, mostrou que uma alimentação rica em frutas com vitamina C pode combater a artrose.

Os estudos foram feitos durante dez anos com 293 homens saudáveis e com idades acima de 50 anos. Os resultados mostraram que aqueles que ingeriram frutas com grandes quantidades desta vitamina, apresentaram menor risco de desenvolver a artrose no joelho.

As últimas pesquisas sobre o papel do silício no organismo descobriram que este elemento se encontra em vários tecidos no organismo: na pele, nas unhas, no esmalte dos dentes, nas cartilagens, nos ligamentos e nos ossos.

O silício estimula nestes tecidos a regeneração das fibras de colágeno e elastina, portanto ele é um elemento indispensável para a reconstrução e regeneração do tecido articular, sem silício não há síntese de fibras de colágeno ou elastina e saúde articular pode ser comprometida.

Resultados de um estudo, publicado no Journal Bone Mineral Metabolism, demonstraram que a suplementação com silício demonstrou melhorar a densidade, o conteúdo mineral e o colágeno do tecido ósseo, bem como as propriedades mecânicas desse tecido. É de fato sugerido que a remodelagem do osso subcondrial tem função na progressão da artrose. Sendo assim, os produtos que agem sobre os ossos podem ser potencialmente ativos na artrose.

O cálcio é o segundo mineral mais abundante do corpo humano, e em sua maioria está concentrado nos nossos ossos e dentes.

Além de manter ossos e dentes fortes, outras funções do cálcio são: ajuda no metabolismo do ferro; alívio de insônia; diminui o risco de fraturas; importante função no sistema nervoso; ajuda na manutenção de peso, e diminui o risco de câncer de cólon.

O magnésio é outro mineral muito importante no controle da artrose, é necessário para a absorção de cálcio, fósforo, potássio e sódio, além de ser indispensável para o metabolismo de vitamina C.

O magnésio inibe a calcificação patológica que pode ocorrer na artrose (osteofitose) e é muito importante na manutenção do metabolismo das articulações, pois é fundamental para a formação do colágeno em nosso organismo, responsável por mais de 400 funções enzimáticas..

O fósforo é um mineral vital para as funções básicas do organismo. O seu principal papel, em conjunto com o cálcio, está na formação e na manutenção dos ossos e dentes.

O cálcio e o fósforo são considerados conjuntamente porque constituem a maior parte dos minerais dos ossos. Estão intimamente relacionados e uma deficiência ou excesso de um irá interferir na utilização do outro.

O fósforo é responsável pela manutenção do PH sanguíneo e dos fluidos corporais, além de estar fortemente envolvido na força muscular e manutenção do peso.

O colágeno, principalmente o hidrolisado tipo II, é o principal elemento que confere resistência à cartilagem articular e está presente em vários tecidos do corpo.

A suplementação de colágeno hidrolisado tipo II pode contribuir para melhorar a dor e aumentar a mobilidade e a função articular. A suplementação com colágeno pode reduzir a administração de analgésicos em pacientes com artrose moderada.

Recentemente um estudo publicado por pesquisadores de Montreal no Canadá, mostrou a importância da suplementação com colágeno tipo II em pacientes com artrose.

Os pesquisadores avaliaram a quantidade de enzimas inflamatórias e o colágeno presente em cartilagens e concluíram que na artrose a quantidade de colágeno diminui, ao passo em que as enzimas inflamatórias aumentam.

Para facilitar a absorção e a biodisponibilidade orgânica, deve optar-se por suplementos nutricionais que incluam na sua composição o colágeno hidrolisado tipo II.

Referências:

Perea S. Nutritional management of osteoarthritis. Compend Contin Educ Vet. 2012 May;34(5):E4. Review.

Rosenbaum CC, O’ Mathúna DP, Chavez M, Shields K. Antioxidants and antiinflammatory dietary supplements for osteoarthritis and rheumatoid arthritis. Altern Ther Health Med. 2010 Mar-Apr;16(2):32-40. Review.

Zhang W, Moskowitz RW, Nuki G, et al. OARSI rec¬ommendations for the management of hip and knee osteoarthritis, Part III. Changes in evidence following systematic cumulative update of research published through January 2009. Osteoarthritis Cartilage. 2010;18:476-499.

Dejica VM, Mort JS, Laverty S, Antoniou J, Zukor DJ, Tanzer M, Poole AR. Increased type II collagen cleavage by cathepsin K and collagenase activities with aging and osteoarthritis in human articular cartilage. Arthritis Res Ther. 2012 May 14;14(3):R113.

 

Older Posts »

Categorias