Publicado por: sosortomolecular | 3 de Junho de 2009

VISÃO QUÂNTICA DA OLIGOTERAPIA

VISÃO QUÂNTICA DA OLIGOTERAPIA

 

Certas interpretações da mecânica quântica, a teoria revolucionária desenvolvida no inicio do século vinte para explicar o comportamento anômalo da luz e dos átomos, estão sendo deturpadas de forma a implicar que apenas os pensamentos são reais e que o universo físico é o produto de uma mente cósmica à qual a mente humana está ligada através do espaço e do tempo. Essa interpretação tem fornecido uma base aparentemente científica para várias alegações de mente sobre a matéria, da PES à medicina alternativa. O “misticismo quântico” forma também parte do sustentáculo intelectual da asserção pós-moderna de que a ciência não pode dizer nada sobre uma realidade objetiva.

A palavra “quantum” aparece freqüentemente na literatura da Nova Era e na mística moderna. Por exemplo, o físico Deepak Chopra (1989) tem promovido com sucesso a noção que ele chama de cura quântica, que sugere que nós podemos curar todos os nossos males pela aplicação de energia mental suficiente.

De acordo com Chopra, esta conclusão profunda que pode ser extraída da física quântica, que ele diz ter demonstrado que “o mundo físico, incluindo nossos corpos, é uma resposta ao observador. Nós criamos nossos corpos como nós criamos a experiência do nosso mundo”. Chopra também afirma que “crenças, pensamentos, e emoções criam as reações químicas que sustentam a vida em cada célula” e “o mundo em que você vive, incluindo a experiência do seu corpo, é completamente ditado por como você aprendeu a percebê-lo”. Assim doença e envelhecimento são uma ilusão e nós podemos atingir o que Chopra chama de “corpo sem idade, mente sem tempo” pela livre força da consciência.

Amit Goswami, no Universo Auto Consciente: Como a Consciência Cria o Mundo Material, argumenta que a existência de fenômenos paranormais é apoiada pela mecânica quântica.

 Fenômenos físicos, tais como a clarividência e as experiências fora do corpo, são exemplos da operação não localizada da consciência… A mecânica quântica dá sustentáculo a tal teoria fornecendo um apoio crucial para o caso da não localidade da consciência.

Uma vez que nenhum indício convincente e reprodutível para os fenômenos paranormais foi descoberto, apesar de 150 anos de esforço, esta é de fato uma base tênue para a consciência quântica.

Embora seja dito que o misticismo existe nos escritos de muitos dos físicos proeminentes do principio do século 20 (Wilber 1984), á moda atual da física mística começa na verdade com a publicação, em 1975, do Tao da Física de Fritjof Capra (Capra 1975).  Capra afirma que a teoria quântica confirmou os ensinamentos tradicionais dos místicos orientais: de que a consciência humana e o universo formam um todo interconectado e irredutível. Um exemplo:

Para o homem esclarecido cuja consciência abarca o universo, para ele o universo se torna seu “corpo”, enquanto o corpo físico se torna uma manifestação da Mente Universal, sua visão interior uma expressão da realidade mais alta, e sua fala uma expressão da verdade eterna e do poder mântrico.

O livro de Capra foi uma inspiração para a Nova Era e “quantum” se tornou o jargão usado para embelezar a espiritualidade moderna pseudocientífica que caracteriza o movimento.

Dualidade Onda-Partícula.

A mecânica quântica é vista, mesmo por muitos físicos, como sendo cheia de mistérios e paradoxos. Os místicos os buscam para apoiar suas visões. A fonte da maioria dessas alegações pode ser traçada à assim chamada dualidade onda-partícula da física quântica: objetos físicos, em nível quântico, parecem possuir propriedades tanto locais, reducionistas, de partícula, quanto propriedade não-locais, holísticas, de onda que se tornam manifestas dependendo da medida da posição ou do comprimento de onda do objeto for medida.

Os dois tipos de propriedades, onda e partícula, parecem ser incompatíveis. A medida de uma quantidade geralmente afetará o valor que a outra quantidade vai ter em uma medição futura, portanto, o valor a ser obtido na medição futura é indeterminado, ou seja, é imprevisível, embora a distribuição estatística de um conjunto de medições semelhantes seja previsível. Dessa forma, a mecânica quântica obtém sua qualidade indeterminada, geralmente expressa em termos do princípio da incerteza de Heisemberg. Em geral, o formalismo matemático da mecânica quântica pode prever apenas distribuições estatísticas.

Apesar da dualidade onda-partícula, a imagem da partícula é mantida na maioria das aplicações da mecânica quântica. Átomos, núcleos, elétrons e quarks são todos considerados como partículas em algum nível. Ao mesmo tempo, as “ondas” clássicas como luz e som são substituídas por fótons e fônons, respectivamente, localizados, quando os efeitos quânticos devem ser considerados.

Na mecânica quântica convencional, as propriedades de onda das partículas são representadas formalmente por uma quantidade matemática chamada função de onda, usada para computar a probabilidade de que a partícula será encontrada em uma posição particular. Quando se faz uma medição, e sua posição é então conhecida com grande precisão, diz-se que a função de onda “colapsa”, como ilustrado na Figura 1.

 

Figura 1. A função de onda colapsa na mecânica quântica convencional. Um elétron é localizado passando através de uma abertura. A probabilidade de que ele será, então, encontrado em certa posição é determinada pela função de onda ilustrada à direita da abertura. Quando o elétron é então, detectado em A, a função de onda instantaneamente colapsa de modo que seja zero em B.

Einstein nunca gostou da noção de que a função de onda colapsa, chamando-a de “ação sobrenatural à distancia”. Na Figura 1, um sinal pareceria se propagar com velocidade infinita de A para B para dizer á função de onda para colapsar a zero em B uma vez que a partícula tenha sido detectada em A. De fato, o sinal precisa propagar a velocidade infinita através do universo uma vez que, antes da detecção, o elétron poderia em princípio ter sido detectado em qualquer lugar.

Isso certamente viola a afirmação de Einstein de que nenhuma mensagem pode se mover mais rápido do que a velocidade da luz.

Embora eles geralmente não sejam tão explícitos, os místicos quânticos parecem interpretar a função de onda como algum tipo de vibração de um éter holístico que preenche o universo, tão “real” quanto a vibração do ar que nós chamamos de onda sonora. O colapso da função de onda, no ponto de vista deles, acontece instantaneamente através do universo por um ato de vontade da consciência cósmica.

Pode-se então concluir que o Ser, em seu análogo físico pelo menos, foi “revelado” na função de onda… Toda sensação que nós temos de uma unidade profunda com o cosmos… poderia ser entendida como correlata com a ação da função de onda determinada . . . .

Assim eles seguem Capra ao imaginar que a mecânica quântica une a mente com o universo. Mas o nosso senso interno de “profunda unidade com o cosmos” é dificilmente um indício científico.

A interpretação convencional da mecânica quântica, promulgada por Bohr e ainda mantida pela maioria dos físicos, não diz nada sobre consciência. Ela se preocupa apenas com o que pode ser medido e que predições podem ser feitas sobre como as distribuições estatísticas de conjuntos de medições futuras. Como notado, a função de onda é simplesmente um objeto matemático usado para calcular probabilidades. Construções matemáticas podem ser tão mágicas quanto qualquer outro fragmento da imaginação humana – como a nave estelar Enterprise ou o desenho do Papa-léguas. Em lugar algum a mecânica quântica implica de que a matéria real ou mensagens viagem a velocidades mais rápidas do que a da luz. Na verdade, foi provado ser impossível a propagação de mensagem superluminal em qualquer teoria consistente com a relatividade convencional e com a mecânica quântica.

Interpretações Românticas.

Nem todos ficaram satisfeitos com a interpretação convencional da mecânica quântica, que não oferece explicação alguma para o colapso da função de onda. O desejo de consenso sobre uma interpretação ontológica da mecânica quântica levou a centena de propostas através dos anos, nenhuma ganhando nem mesmo uma maioria simples de apoio entre os físicos ou filósofos.

Impulsionados pela insistência de Einstein de que a mecânica quântica é uma teoria incompleta, que “Deus não joga dados”, têm-se buscado teorias subquânticas envolvendo “variáveis ocultas” que dêem lugar a forças que jazem abaixo dos níveis atuais de observação.  Embora tais teorias sejam possíveis, não se encontrou ainda nenhum indício para forças subquânticas. Alem disso, foram feitos experimentos que tornam quase certos de que nenhuma dessas teorias, se determinadas, deverá envolver conexões superluminais.

Mesmo assim, os místicos quânticos saudaram a possibilidade de haver variáveis ocultas, holísticas, não-locais com o mesmo entusiasmo que mostraram para a função de onda consciente. Da mesma forma, eles abraçaram um terceiro ponto de vista: a interpretação de muitas palavras de Hugh Everett.

Everett mostrou, de forma útil, como era possível eliminar formalmente o colapso da função de onda em uma teoria quântica das medidas. Everett propôs que todos os caminhos possíveis continuam a existir em universos paralelos que se dividem cada vez que é feita uma medição. Isso deixou aberta a porta para os místicos quânticos alegarem que a mente humana age como um tipo de “seletor de canais” para o caminho que é seguido por um universo individual enquanto existe em todos os universos.

 Desnecessário dizer, a idéia de universos paralelos tem atraído seu próprio círculo de proponentes entusiastas, em todos os universos, provavelmente.

Não Localidade Efetiva.

O mundo quântico é admitidamente diferente do mundo da experiência cotidiana que obedece às regras da mecânica clássica Newtoniana. Algo alem do senso comum normal e a física clássica é necessária para descrever os processos fundamentais dentro dos átomos e núcleos. Em particular, deve ser dada uma explicação para a não localidade aparente, o “salto quântico” instantâneo, que tipifica a natureza incomum dos fenômenos quânticos.

Apesar da alegação muito ouvida de que as partículas quânticas não seguem caminhos bem definidos no espaço-tempo, os físicos de partículas elementares têm utilizado exatamente esse quadro por cinqüenta anos. Como isso é conciliado com o salto quântico que parece caracterizar as transições atômicas e fenômenos similares? Nós podemos ver agora, no diagrama do espaço-tempo mostrado na Figura 2.

 

Figura 2. Não localidade efetiva. Como um “salto quântico” aparentemente instantâneo pode ser feito entre dois pontos no espaço. Um par elétron-pósitron é criado em C por uma flutuação quântica do vácuo. O pósitron aniquila um elétron em A, desfazendo a flutuação original do vácuo de modo que há mudança zero de energia. O elétron, portanto parece ter feito um salto quântico instantâneo de A para B. A distancia AB é comparável ao comprimento de onda associado com a partícula, assim um comportamento de onda “holístico” acontece.

À esquerda, um elétron (e-) está se movendo ao longo de um caminho bem definido. Um ar elétron-pósitron é produzido no ponto C por uma flutuação quântica do vácuo, permitida pelo princípio da incerteza. O pósitron aniquila o elétron original no ponto A enquanto o elétron do par continua além do ponto B. Uma vez que todos os elétrons são indistinguíveis, parece como se o elétron original tivesse saltado instantaneamente de A para B.

Na Figura 2, todas as partículas envolvidas seguem caminhos definidos. Nenhuma se move mais rápido que a velocidade da luz. Ainda assim o que se observa é operacionalmente equivalente a um elétron se movendo a uma velocidade superluminal, desaparecendo em A e aparecendo simultaneamente em um ponto distante B. nenhum experimento pode ser executado no qual o elétron à esquerda possa ser distinguido daquele à direita. Um cálculo simples mostra que a distancia AB é da ordem do comprimento de onda (de Broglie) da partícula. Desse modo, a natureza de onda “holística” das partículas pode ser entendida de um modo que não requer movimento superluminal e certamente nenhuma intervenção da consciência humana.

Alem do mais, uma vez que o salto quântico é aleatório, nenhum sinal de outro efeito causal é transmitido superluminalmente. Por outro lado, uma teoria determinista baseada em forças subquânticas ou variáveis ocultas é necessariamente superluminal.

Assim a mecânica quântica, como praticada convencionalmente, descreve os saltos quânticos sem um salto quântico drasticamente além do senso comum. Certamente nenhuma alegação mística é justificada por quaisquer observações relacionadas aos processos quânticos.

Conclusão.

A mecânica quântica, a peça central da física moderna, é mal-interpretada como implicando que a mente humana controla a realidade e que o universo é um todo conectado que não pode ser entendido pela redução usual às partes.

Entretanto, nenhum argumento ou indicio decisivo requer que a mecânica quântica tenha um papel central na consciência humana ou que forneça conexões holísticas instantâneas através do universo. A física moderna, incluindo a mecânica quântica, permanece completamente materialista e reducionista enquanto é consistente com todas as observações científicas.

O comportamento aparentemente holístico e não local dos fenômenos quânticos, como exemplificado por uma partícula parecendo estar em dois lugares ao mesmo tempo, pode ser entendido sem descartar a noção do senso comum das partículas seguindo caminhos definidos no espaço e no tempo ou exigindo que sinais viagem mais rápido que a luz.

Nenhum movimento ou sinalização superluminal foi alguma vez observado, em concordância com o limite definido pela teoria da relatividade. Alem do mais, as interpretações dos efeitos quânticos não precisam demolir a física clássica ou o senso comum para tornar se inoperante em todas as escalas – especialmente na escala macroscópica na quais os humanos funcionam. A física Newtoniana, que descreve com sucesso virtualmente todos os fenômenos macroscópicos, segue suavemente o limite de muitas partículas da mecânica quântica. E o senso comum continua a se aplicar na escala.


Responses

  1. Muito bem explicado e providencial. Deixei um link para cá em um texto que publiquei em meu blog. Parabéns!

    • Boa noite Vitor
      É bom poder compartilhar com outros alguma coisa que nos foi dado, espero poder ajudar bastante, mantenha contato em caso de necessidade.
      Prof. Paulo Edson

  2. Pouca sabedoria, apesar de científico!

    • Boa noite E
      O que move o mundo são as perguntas e não as respostas, como voce é sábio (a), não deve ter nada a ou, quase nada a aprender.
      Prof. Paulo Edson


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