Publicado por: sosortomolecular | 8 de Julho de 2009

RESUMO HISTÓRICO E VISÃO ASSOCIATIVA

A primeira utilização conhecida dos oligoelementos em terapia humana remonta ao XIII século. Nesta época, após os trabalhos de Arnaud de Villeneuve, um médico, Basile Valentim, tratou com esponjas queimadas o bócio endêmico que assolou a Suíça.
Ele precisou esperar até 1819 e os trabalhos de Coindet para descobrir que esta terapia original aportava o iodo necessário à correção das carências devidas ao solo dessas regiões.
As primeiras verdadeiras pesquisas sobre os elementos traços são as de Gabriel Bertrand no fim do século passado. Em 1912, ele demonstrou a necessidade do manganês no meio de cultura para desenvolver um fungo, a Aspergillus niger. Em 1922, forneceu a prova de que o cobalto é necessário ao crescimento do camundongo, fazendo a mesma constatação para o manganês, em 1928.
Em 1935, MacCraft mostrou que as porcas submetidas a um regime pobre em cobre reproduziam leitões anêmicos que não se podiam tratar pela simples adição de ferro (ao invés, era necessário corrigir a carência de cobre, que intervém na síntese da hemoglobina).
Foram estas as primeiras correções de carências que ocasionavam doenças e que foram corrigidas pela adição deste ou daquele oligoelemento. Descobriu-se que o cobalto curou a anemia que dizimava os rebanhos de bovinos australianos (Aston 1937) e que o cobre melhorava a qualidade da lã das ovelhas (Marston, 1952).
No homem, as primeiras experiências terapêuticas foram feitas em 1932, por Menetrier. Ele se interessava há muito tempo pela medicina do terreno, tendo defendido sua tese em 1939 (sob o título de “Considerações Sobre as Receptividades às Doenças”), obtendo no mesmo ano a medalha de prata e o prêmio Bouloumié. No final de 1943, organizou o Centro de Estudos Biológicos. Deixou-nos, em “A Medicina das Funções”, o testemunho sempre atual:
 “Por necessidade, a medicina se opôs ao mais evidente, ao mais imediato: a doença que ameaça diretamente a vida. No plano das infecções, assim como no domínio dos distúrbios anatomo-patológicos, tóxicos ou acidentais, enfim em todos os casos onde o primeiro papel do médico é de se opor, de aliviar e de tratar, pode-se afirmar atualmente que a arte e a ciência terapêutica trouxeram soluções eficazes e incomparavelmente superiores aos processos antigos. Pode-se também certificar que os progressos dos meios de diagnóstico dão à espécie humana, garantias desconhecidas há alguns decênios”.
Seguramente, se nós subscrevemos como absoluta a necessidade de uma anamnese bem conduzida, não podemos rejeitar as perspectivas novas que nos trouxeram os mais recentes exames, colocados à nossa disposição (scanner, ecografias, exames biológicos e outros).
Mas é verdade que o paciente reclama, cada vez mais, de não ter sido entendido pelo profissional de saúde.
É necessário deixar novamente de lado o “monólogo do doente”, no início da avaliação/consulta, e saber colher a história clínica de seus sintomas.
O que faz o sucesso da homeopatia, quaisquer que sejam as provas a favor e contra a sua fundamentação é, sobretudo, a anamnese homeopática, que se interessa por todos os sintomas e particularidades do paciente, considerando-o como um ser global.
Para Menetrier: “Existem diáteses e terrenos que dão uma unicidade a uma multiplicidade de sintomas”.
Estas diáteses, para as quais detalharemos os aspectos clínicos, “constituem uma entidade etiológica que pode ser provada pela ação plurisintomática de um oligoelemento ou de um agrupamento de oligoelementos específicos”. Os agrupamentos quando equilibrados mantêm a unicidade de cada elemento, e geram também ações ímpares da junção, melhor ainda quando associado a vitamina (as) no mesmo meio (hidroglicérico) criando uma harmonia cadenciada.
O Dr. Henri Picard, que preconizou a terapia por oligoelementos em milhares de casos, nos seus últimos anos de trabalho, abandonou o dogma das diáteses, tanto que dava a seus pacientes reumáticos — que constituíam a maioria deles — um número variado de oligoelementos, o que poderia ser substituído por agrupamentos, sendo a melhor e mais revolucionária atitude terapêutica.


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