Publicado por: sosortomolecular | 23 de Julho de 2012

Synadenium grantii = Leitosa da amozônia

C. Ciências Biológicas – 3. Bioquímica – 6. Bioquímica
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTITUMORAL DO LÁTEX BRUTO DE Synadenium   grantii Hook, `f`: DL50 E TRATAMENTO IN VIVO VIA ORAL.
Robson José de Oliveira Júnior 1   (robson_junr@yahoo.com.br), Carla da Silva Rodrigues Menezes 1 e   Elisângela de Paula Silveira Lacerda 1
(1. Instituto de Genética e Bioquímica – UFU.)
INTRODUÇÃO:
O câncer é um grande problema de   saúde mundial e está emergindo como o maior responsável por mortes dentre as   doenças da era moderna. Muitos produtos de origem natural, como o taxol e os   alcalóides da vinca, têm apresentado grande atividade contra células tumorais   e um importante papel na quimioprevenção contra o câncer. A busca por novas   substâncias com atividade antitumoral é de extrema importância, uma vez que   diversos tipos de tumores são resistentes ou adquirem resistência às drogas   existentes. Synadenium grantii é um arbusto latescente que atinge de 3   a 5 metros, de origem africana, altamente tóxica. Esta planta é conhecida   popularmente como tiborna ou cola-nota, dependendo da região onde se   encontra. A população utiliza seu látex na redução de verrugas, no tratamento   de doenças gástricas e até mesmo no tratamento do câncer. Assim como muitos   outros membros da família euforbiaceae, o látex desta espécie é rico em   diterpenos que são compostos que têm demonstrado atividade contra células   tumorais, além de possuir enzimas proteolíticas que desempenham um importante   papel na patofisiologia de graves doenças como o câncer e até mesmo AIDS. O   objetivo do presente trabalho foi verificar se o látex de Synadenium   grantii apresenta toxicidade em camundongos Swiss e possui atividade   antitumoral sobre a linhagem de células tumorais S 180 (sarcoma 180).
METODOLOGIA:
Foram utilizados camundongos Swiss   machos adultos (30 a 40g), divididos em grupos (n=6), mantidos à temperatura   ambiente, com ciclo luminoso de 12 hr, água e ração ad libitum. O   látex da planta foi coletado em Goiânia-GO, no período da tarde. No teste de   toxicidade aguda DL50 (Dose Letal 50%) os animais receberam 3   tratamentos via oral (por meio de gavage), em intervalos de 24 hr, com volume   de 100μL de látex nas seguintes concentrações: 1; 1:10 e 1:100 (látex:água).   Após 24 hr do último tratamento os animais foram sacrificados e tiveram seus   estômagos retirados para análise macroscópica. O tumor ascítico S180 (sarcoma   180) ATCC-TIB66, mantido em camundongos por repique semanal, foi utilizado   para testar a atividade antitumoral do látex em animais. Um animal do repique   foi sacrificado tendo seu líquido peritoneal aspirado para contaminar os   animais experimentais com 1ml de suspensão celular S180. Após o inóculo das   células, os animais foram divididos em 4 grupos (A, A’,B e B’). Os grupos A e   B receberam tratamento via oral diário com 100μL de látex na concentração de   1:100, imediatamente e após 10 dias da inoculação das células,   respectivamente. Os animais dos grupos A’ e B’ receberam H2O.   Todos os animais eram pesados diariamente. No 7º dia experimental, os animais   do grupo B e B’ foram sacrificados e seus tumores ascíticos foram medidos com   o uso de uma seringa. Após o 15º dia de tratamento o mesmo protocolo foi   seguido para os grupos A e A’.
RESULTADOS:
Para verificar a toxicidade aguda DL50,   os animais foram analisados após 24 horas de término do último tratamento e   não houve o óbito de animais em nenhum dos grupos. O estômago dos animais foi   retirado e não foi observada nenhuma alteração macroscópica. Após o termino   do tratamento in-vivo com o látex de Synadenium grantii, foi observado   um aumento no peso dos animais do grupo B em relação ao grupo controle B’   (média de 3g) e diminuição do peso dos animais do grupo A em relação ao grupo   controle A’ (média de 2,2g). Não houve diferença significativa entre o volume   de tumor entre o grupo B e seu controle B’, no entanto houve uma diminuição   do tumor do grupo A em relação a seu controle A’.
CONCLUSÕES:
Pode-se concluir através do teste de   toxicidade aguda DL50 que o látex da planta não possui toxicidade   relevante, pois além de não ter sido obtida a DL50, não foi   observada nenhuma lesão macroscópica na mucosa estomacal de nenhum dos   animais. No tratamento in-vivo, o aumento do peso dos animais do grupo B em   relação a B’e a semelhança no volume do tumor, também revelam a baixa ou   ausência de toxicidade da planta em camundongos, pois este fato indica que os   animais estavam se alimentando normalmente. Desta maneira, apesar de não ter   reduzido o volume do tumor do grupo B, provavelmente o látex demonstra algum   efeito benéfico, pois foi observado que os animais aumentavam seu peso   mantendo o tumor com o mesmo volume de seu grupo controle B’. O aumento do   peso nos animais do grupo A’ podem ser referentes ao aumento de volume do tumor   em relação ao grupo tratado, desta forma o látex demonstra ter maior eficácia   quando o tratamento é feito no início do tumor. Embora os resultados sejam   promissores, o látex da planta deve ser testado em outras linhagens de   células tumorais, pois a cultura popular utiliza o látex no tratamento de   diversos tipos de cânceres, não fazendo nenhum tipo de distinção entre eles.   Além disso, existe a possibilidade de o exemplar utilizado nos experimentos   possuir látex com menor atividade quando comparado com exemplares coletados   em outras regiões. É necessário que se realizem mais experimentos para   confirmar os dados obtidos.
Instituição de fomento: UFU, CNPq, CAPES.
Palavras-chave: Synadenium grantii; látex;   atividade anti-tumoral.

Anais da 57ª Reunião   Anual da SBPC – Fortaleza, CE – Julho/2005

 


Responses

  1. Is there an RSS feed with the entire content instead of just the teasers?


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