Publicado por: sosortomolecular | 20 de Abril de 2014

As bases biológicas do plasma rico em plaquetas  

Resumo

A atrofia óssea dos maxilares, principalmente quando localizada nos rebordos alveolares, represen­ta uma limitação funcional e esté­tica do aparelho estomatognático, pois dificulta ou impede muitas vezes a reabilitação protética por meio de implantes dentários. Para correção dos defeitos ósseos alveolares da maxila e da man­díbula, alguns biomateriais estão disponíveis, entre os quais se des­tacam o enxerto ósseo autógeno e o plasma rico em plaquetas (PRP), este utilizado com a finalidade de incrementar as fases da reparação óssea. O PRP é um material autó­geno obtido da centrifugação do sangue venoso do próprio pacien­te, que oferece uma concentração significativa de fatores de cresci­mento derivados das plaquetas e dos leucócitos. Esses fatores po­dem aumentar a formação e a mi­neralização óssea, induzir células mesenquimais indiferenciadas a se diferenciarem em osteoblastos, desencadear a liberação de outros fatores de crescimento, diminuir a reabsorção óssea, promover a angiogênese e produzir colágeno. Assim, o objetivo deste trabalho foi investigar na literatura as bases biológicas que regem a atuação do PRP, os resultados de pesquisas e de suas aplicações clínicas. Foi  possível observar que o PRP exer­ce influência positiva no processo de reparo ósseo.

Palavras-chave: plasma rico em plaquetas, fatores de crescimento, enxerto ósseo autógeno, recons­trução óssea, atrofia óssea.

Introdução

Para correção dos defeitos ós­seos alveolares da maxila e da mandíbula, bem como de outros situados no complexo maxilofacial, alguns biomateriais podem ser uti­lizados. Entende-se como bioma­terial qualquer substância, droga ou combinação de substâncias de origem natural ou sintética usada para reposição de tecido ou órgão. Dentre os biomateriais mais usa­dos na atualidade, destacam-se1:

1. materiais aloplásticos: hidro­xiapatita sintética, tricálcio fosfato, sulfato e carbonato de cálcio, polímero sintético bio­absorvível, cerâmica de vidro bioativo, membranas para re­generação óssea guiada;

2. materiais heterógenos: osso inor-gânico de origem bovina;

3. materiais homógenos: tecido ósseo humano, proteínas mor­fogenéticas do osso (BMPs);

4. materiais autógenos: enxerto ósseo autógeno e plasma rico em plaquetas.

O enxerto ósseo autógeno ofe­rece vantagens em relação aos di­versos materiais não autógenos, pois não é capaz de desencadear reações imunológicas, não oferece riscos de transmissão de doenças e, sobretudo, é o único material com propriedades osteogênicas (as próprias células ósseas do enxerto mantêm-se vivas e formarão novo tecido ósseo), osteoindutivas (o en­xerto sofre reabsorção e daí são li­berados fatores de crescimento que induzem as células mesenquimais indiferenciadas a se diferenciar em osteoblastos e produzir novo osso) e osteocondutivas (a matriz orgânica do enxerto oferece um ar­cabouço para a proliferação de cé­lulas osteoprogenitoras e posterior aposição de tecido ósseo novo)2.

O PRP é um material autógeno obtido por meio da centrifugação de uma quantidade de sangue venoso do paciente antes do ato cirúrgico. O sangue centrifugado separa as hemáceas do plasma, que é sedi­mentado em porções: plasma pobre em plaquetas (PPP), plasma médio em plaquetas (PMP) e plasma rico em plaquetas (PRP). Este oferece uma concentração significativa de fatores de crescimento derivados de plaquetas e leucócitos. Os fatores de crescimento podem aumentar a formação e a mineralização óssea, induzir células mesenquimais in­diferenciadas a diferenciarem-se em osteoblastos, desencadear a li­beração de vários outros fatores de crescimento, diminuir a reabsor­ção óssea, promover a angiogênese e produzir colágeno através da ati­vação de fibroblastos. Têm-se veri­ficado o potencial do PRP associa­do ao enxerto ósseo autógeno nas reconstruções de rebordos atróficos a fim de estimular e acelerar o pro­cesso de reparo ósseo.

O propósito do presente trabalho é apresentar uma revisão da litera­tura sobre o uso do PRP nas recons­truções ósseas alveolares enfocando as bases biológicas e as vantagens advindas de sua aplicabilidade.

Revisão da literatura

Vários tipos de lesões ósseas ativam a regeneração local por meio da liberação de fatores de crescimento, pois o osso é uma das fontes mais ricas em fatores de crescimento. Entre esses fatores de crescimento detectados no osso, alguns são produzidos por células ósseas e por plaquetas: IGF (fator de crescimento insulínico); TGF-β (fator de crescimento transforma­dor beta) e PDGF (fator de cresci­mento derivado das plaquetas)3.

A freqüente utilização dos im­plantes osseointegrados fomenta estudos sobre enxertos e recons­truções ósseas, abrindo novos hori­zontes para a utilização de bioma­teriais, como a fibrina autógena, também conhecida como PRP, que pode ter efeitos catalisadores pela liberação de fatores de crescimen­to, entre os quais se citam o fator de crescimento derivado de plaque­tas (PDGF) e o fator de crescimento transformante beta (TGF-β). Num estudo utilizando vinte pacientes, com extrações dentárias indica­das, divididos em dois grupos de dez indivíduos, no qual o primei­ro grupo, após extração, recebeu o PRP misturado ao osso autógeno e o segundo grupo foi o de controle, recebendo apenas o osso autógeno, verificou-se que, no grupo em que o PRP foi utilizado, a cicatrização do epitélio e a regeneração óssea ocor­reram mais precocemente do que no grupo em que não se utilizou o plasma rico em plaquetas4.

Durante o processo de repara­ção óssea ocorre ação das plaque­tas, porém, quando se adiciona um concentrado de plaquetas (PRP), o mesmo torna-se mais efetivo, pois a quantidade de fatores de cresci­mento liberada na degranulação plaquetária é diretamente propor­cional ao número de plaquetas exis­tente. Por outro lado, se uma das vantagens da utilização do PRP é o fato de este acelerar a regeneração óssea, aumentando a quantidade de fatores de crescimento local, a desvantagem é o curto tempo de vida das plaquetas, pois a degra­nulação plaquetária inicia-se com três a cinco dias e a ação de seus fatores de crescimento é extinta por volta de sete a dez dias5.

Três fatores de crescimento es­tão contidos no PRP6:

1 – PDGF (fator de crescimento de­rivado das plaquetas): é uma gli­coproteína sintetizada e secreta­da pelas plaquetas, macrófagos e células endoteliais, que come­ça a atuar assim que se liga aos receptores das células. É encon­trado no início da reparação teci­dual e atua na ferida promoven­do mitose celular e levando, con­seqüentemente, a um aumento do número de células. Promove a angiogênese, com o desenvol­vimento de novos capilares, esti­mula as funções dos fibroblastos e osteoblastos e contribui para a diferenciação celular e acele­ração de fatores de crescimento de outras células, como os dos macrófagos. Promove a revas­cularização, o debridamento da ferida, a síntese de colágeno e a regeneração óssea.

2 – TGF-β (fator de crescimento transformador beta): é liberado pela degranulação plaquetária ou secretado pelos macrófagos, produzindo efeito nas células adjacentes, incluindo os fibro­blastos, as stem cells e os pré-osteoblastos. As suas funções são a quimiotaxia, a mitogêne­se das células precursoras dos osteoblastos, a capacidade de estimular a deposição de matriz colágena e a formação óssea. Os TGF-β inibem a formação de os­teoclastos e a reabsorção óssea.

3 – IGF (fator de crescimento de­rivado da insulina): produz au­mento da população de osteo­blastos, acelerando a deposição óssea. Atua também nas célu­las precursoras dos osteoblastos e nos osteoblastos do endósteo, as quais são células que atuam na fase I de reparação dos en­xertos ósseos.

Quando foram comparadas 44 reconstruções mandibulares usan­do PRP com outras 44 reconstru­ções sem a utilização de PRP, cons­tatou-se diferença significativa no grupo que usou PRP, pois a repa­ração óssea neste grupo foi 2,16 vezes maior nos primeiros dois me­ses, 1,88 vezes maior do terceiro ao quarto mês e 1,62 vezes maior do quinto ao sexto mês6.

Tanto na cicatrização do enxer­to ósseo autógeno como no reparo de fratura, existe um influxo ini­cial de elementos hematopoiéticos a partir do osso saudável circun­dante. Por isso, é provável que as plaquetas, citocinas e fatores de crescimento derivados das plaque­tas estejam presentes durante os estágios precoces da cicatrização. O gel de plaquetas é um produto derivado da mistura de PRP com trombina bovina e cloreto de cálcio a 10%, no qual a trombina bovinaem presença de cálcio cliva fibri­nogênio em fibrina e ativa o fator XIII, desencadeando a formação organizada do coágulo7.

O objetivo terapêutico da uti­lização de fatores de crescimento em cirurgias bucais é melhorar a capacidade de regeneração, que em muitas situações é um processo in­suficiente para permitir a completa reparação dos tecidos moles e du­ros. Os fatores de crescimento re­gulam o processo de diferenciação celular, bem como a mitogênese e quimiotaxia, sendo muito utilizado como agente hemostático e como os­teocondutor. O uso do PRP melhora a propriedade osteocondutora e per­mite a agregação plaquetária, pre­cedendo a formação de um coágulo estável. A integridade das plaque­tas após o procedimento de prepa­ração do PRP, bem como a liberação de grânulos α, que contém os fato­res de crescimento, foram mantidas após a ativação do concentrado8.

O PRP é um elemento impor­tante nas reconstruções maxilares, visto que intensifica a regeneração óssea e minimiza os efeitos da reab-sorção do enxerto na fase inicial de integração. Os autores descrevem que o PRP é uma preparação au­tógena, com alta concentração de plaquetas, obtida a partir da cen­trifugação do sangue total, poden­do este plasma ser geleificado atra­vés da adição de trombina bovina e/ou cloreto de cálcio. Os fatores de crescimento, encontrados nas plaquetas, são polipeptídios que funcionam como mediadores natu­rais, regulando eventos celulares relacionados à regeneração teci­dual, quimiotaxia, diferenciação e proliferação celular, bem como síntese de matriz. As plaquetas foram identificadas como uma fon­te de PDGF, TGF-β1 e TGF-β2. O PDGF induz a mitose e a libera­ção de citocinas para quimiota­xia de precusores de osteoblastos, ao passo que o TGF-β1 e o TGF-β2 funcionam como quimiotáticos e mitogênicos de pré-osteoblastos, induzindo a secreção de colágeno, iniciando a cicatrização óssea, ini­bindo osteoclastos e favorecendo a deposição da matriz9.

Pesquisas realizadas demons­traram que a obtenção do PRP ocorre por meio da centrifugaçãodo sangue autógeno, combinado com trombina e cloreto de cálcio, resultando na produção de um gel viscoso, capaz de ser combinado com o enxerto ósseo. O PDGF e a TGFβ são fatores de crescimento derivados de plaquetas que, sozi­nhos ou combinados, aumentam a vascularização tecidual, promo­vem a proliferação fibroblástica, aumentam o padrão de colágeno, a produção do tecido de granulação e acentuam a osteogênese. O PDGF é ativador de células mesenqui­mais, ao passo que o TGF-β ativa os fibroblastos para a formação do colágeno10.

Os fatores de crescimento de­rivados das plaquetas são PDGF, TGFβ e IGF; embora liberados conjuntamente pelos grânulos α plaquetários, apresentam épocas definidas de atuação. O PDGF é o principal fator envolvido no início do reparo tecidual, atuando dire­tamente na diferenciação celular e na angiogênese. O TGFβ aprimora a diferenciação celular e estimula a maturação celular; já o IGF fina­liza a maturação e programa, pelo estímulo de outras células, a conso­lidação do processo cicatricial11.

A utilização do PRP como en­xerto auxiliar nas cirurgias ren­construtivas ósseas apresenta vantagens, pois se consegue uma redução de tempo na formação de novo osso e, por ser um preparado autógeno, não permite a transmis­são de doenças infecto-contagiosas, nem o risco de reações imunogê­nicas. Ainda, os fatores de cres­cimento promovem reepitelização, angiogênese e síntese da matriz extracelular e o PRP, quando mis­turado ao cloreto de cálcio e à trom­bina bovina, pode ser associado ao osso autógeno ou a biomateriais5.

Inúmeras técnicas vêm sendo sugeridas para a reconstrução man­dibular, observando-se na maioria a utilização do plasma rico em pla­quetas. Tais técnicas possuem van­tagens e desvantagens e podem ser usadas em pacientes selecionados. Uma pesquisa para avaliar o repa­ro ósseo em 28 cabras foi realizada, dividindo os animias em dois gru­pos de 14 animais cada. O primeiro grupo foi submetido à ressecção de um segmento ósseo do ângulo da mandíbula, promovendo, assim, um defeito ósseo. Para reconstruir esse defeito provocado foi utilizado o mesmo fragmento ósseo ressecado, este fixado rigidamente por meio de placas e parafusos, e preenchido com enxerto ósseo particulado da crista. O segundo grupo recebeu o mesmo tratamento, porém no enxerto ósseo particulado foi acrescentado o PRP. Realizaram-se radiografias imedia­tamente após a cirurgia e, nos tem­pos 3, 6 e 12 semanas, os animais foram sacrificados e as mandíbulas, retiradas para realização de novas radiografias e exames histológicos. Verificou-se que até a terceira sema­na o grupo que não utilizou o PRP não apresentou diferença significa­tiva na reparação óssea, havendo somente na 12ª semana a indicação de cicatrização óssea com incidên­cia de obliteração de espaços ósseos e perfuração da cortical óssea. Já no grupo que utilizou o PRP, logo na sexta semana ocorreu o evento cita­do, mostrando cicatrização signifi­cativamente mais rápida. Pôde-se afirmar, então, que houve formação óssea abundante em ambos os gru­pos, porém no grupo que utilizou o PRP foi mais rápida. Os resultados obtidos neste trabalho corroboram com outros resultados de aplicação clínica do PRP12.

O PRP é uma fonte autógena de fatores de crescimento, obtida a partir de uma centrifugação do sangue total, com o que se obtém um concentrado plaquetário. Essa técnica produz uma concentração de plaquetas 338% maior do que o encontrado no sangue humano. Esse material pode ser combinado ao material de enxerto ósseo, pro­movendo a formação óssea no local enxertado. Acredita-se que fatores de crescimento, como o PDGF, TGF-β, IGF, FGF e BMPs, apresentam aspectos comuns, incluindo a capa­cidade de se ligar a receptores es­pecíficos na superfície das células alvo, estimulando e/ou regulando uma variedade de eventos celula­res como diferenciação, migração, proliferação e habilidade de atuar localmente. Através da adição do PRP no local da ferida, a duração do processo de regeneração é re­duzida, além de apresentar tecido ósseo de melhor qualidade13.

O PRP foi descrito como uma fonte autógena de fatores de crescimento, que pode ser obtido a par­tir de uma amostra de sangue do paciente processado numa centrí­fuga. A associação do PRP a um material de enxerto oferece vanta­gens, como aumento no padrão de maturação; aumento na densidade óssea do enxerto; melhora na cica­trização dos tecidos moles; promo­ção da angiogênese; regulação do processo celular, da mitogênese, da quimiotaxia e do metabolismo da diferenciação celular. Normal­mente, as plaquetas presentes no sangue são responsáveis pela he­mostasia e pelo início da regenera­ção tecidual frente a um trauma. Durante o procedimento de enxer­to ósseo, as plaquetas liberam dois fatores de crescimento primários: o fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF), o qual se une às células endoteliais, iniciando o crescimento capilar, e o fator β de transformação de crescimento (TGF-β), que se liga aos osteoblas­tos, dando início à mitose celular e estimulando a produção de osteói­de. A aplicação do PRP num en­xerto ósseo está relacionada ao au­mento na contagem de plaquetas no local, aumentando a disponibi­lidade destas para iniciarem uma série de eventos regenerativos, via PDGF e TGF-β14.

Os fatores de crescimento agem nas células, diferenciando-as e oti­mizando suas ações em áreas que necessitam do reparo. Composto por um grupo de polipeptídeos, formam o grupo dos mediadores biológicos que regulam eventos celulares importantes no reparo tecidual, bem como na proliferação celular, incluindo diferenciação, quimiotaxia e formação de matriz. O TGF promove a transformação dos fibroblastos em cultura celular, modulando sua proliferação. O IGF é o fator de crescimento mais abun­dante na matriz óssea, que produz osteoblastos e estimula a formação de osso, pois induz a proliferação celular, a diferenciação e a síntese de colágeno tipo I. O FGF (fator de crescimento fibroblástico) estimula a proliferação de capilares endote­liais, fibroblastos, queratinócitos e mioblastos. A sinalização celular aos fatores de crescimento é media­da por receptores de membrana es­pecíficos, nas superfícies das células sobre as quais atuam, inibindo ou aumentando a prolife­ração e diferenciação celular15.

Discussão

Desde a década de 1980 tem-se observado uma evolução na recons­trução óssea, com perspectivas nos fatores de crescimento. Inúmeras técnicas têm sido elaboradas. Na maior parte delas observa-se a uti­lização do plasma rico em plaquetas (PRP) como uma fonte autógena de fatores de crescimento, com o objeti­vo de melhorar a capacidade da re­generação óssea6,8,12,14.

Os principais fatores de cres­cimento oriundos do PRP são o PDGF, o TGF e o IGF. O PDGF é uma glicoproteína, sintetizada e secretada por macrófagos e células endoteliais, sendo o primeiro fator de crescimento a surgir na ferida; inicia a cicatrização tecidual, a regeneração e a reparação óssea. Dentre as suas principais funções estão a mitogênese (aumentando a população de células cicatriciais) a angiogênese (mitose de células en­doteliais em capilares funcionais), e a ativação de células mesenqui­mais e macrófagos (desbridamen­to da ferida e fonte secundária de fatores de crescimento para dar continuidade à reparação e à re­generação óssea). Os fatores de crescimento TGF-β1 e TGF-β2 são os mais genéricos envolvidos na reparação geral do tecido conjunti­vo e na regeneração óssea. Atuam na quimiotaxia e na mitose de pre­curssores de osteoblastos, aumen­tam a deposição de matriz de colá­geno e têm a capacidade de inibir a reabsorção óssea. O IGF acelera a deposição óssea, em razão da sua capacidade de aumentar o número de osteoblastos10,13.

O enxerto ósseo autógeno é um biomaterial que oferece vantagens em relação a outros materiais, por sua capacidade de não desenvolver reações imunológicas e não trans­mitir doenças e, principalmente, por ser o único que possui proprie­dades osteogênica, osteoindutiva e osteocondutiva1,14.

A principal vantagem da asso­ciação do PRP ao enxerto ósseo é o aumento da velocidade da reparação óssea, reduzindo o tempo necessário para a osseointegração4,5,12,14.

O PRP promove um aumento na contagem de plaquetas no local da ferida, aumentando a disponibi­lidade delas para iniciarem a cas­cata de eventos regenerativos13,14.

Uma maior formação óssea pode ser observada quando se acrescenta PRP ao enxerto ósseo, demonstrando um aumento na densidade e na quantidade de osso, e uma diminuição da reabsorção do enxerto ósseo9,12. Essa associação também resultou na formação de osso de melhor qualidade8,13.

A utilização do gel de plaque­tas, por ser um preparado autóge­no, não oferece riscos de transmis­são de doenças infecto-contagiosas, bem como elimina o risco de rea­ções imunológicas4.

A consistência gelatinosa do gel de plaquetas facilita o manuseio do enxerto ósseo particulado, dando-lhe suporte e forma, facilitando sua colocação na área a ser reconstruí­da e mantendo-o no leito receptor, sem o risco de extrusão8,9,13.

Histologicamente, a utilização do PRP em enxertos ósseos pro­move proliferação de fibroblastos, aumento na taxa de formação de colágeno, aumento na mitose ce­lular de osteoblastos, angiogênese, quimiotaxia, diferenciação celular e ação homeostática8,14.

Considerações finais

O plasma rico em plaquetas (PRP) é um biomaterial autógeno com alta concentração de plaque­tas, obtido a partir da centrifuga­ção do sangue total. Os principais fatores de crescimento encontrados no PRP são PDGF, TGF-β e IGF. Os fatores de crescimento, deri­vados das plaquetas aumentam a mitose e diferenciação celular; pro­movem a angiogênese, a formação e a mineralização óssea; induzem as células mesenquimais indife­renciadas a diferenciarem-se em osteoblastos; ativam fibroblastos; aumentam a síntese de colágeno; desencadeiam a liberação de vá­rios outros fatores de crescimento; diminuem a reabsorção óssea; ini­bem a ação dos osteoclastos. A associação do PRP a enxertos ósseos autógenos produz uma aceleração no processo de reparo ósseo.

­Abstract

The bone atrophy of the jaws, mainly when located in the alveo­lar ridge, it acts for the patients as functional and aesthetic limitation of the stomatognathic system, be­cause it impedes or difficults, so­metimes, the prosthetic rehabilita­tion through dental implants. For correction of the defect alveolar bone of the mandibular and ma­xilla, some biomaterials are avai­lable and, among them, stand out the autologous graft bone associate to the platelet-rich plasma (PRP), that last one, with the purpose of increasing the phases of the bone repair. PRP is an autologous mate­rial, obtained through the centrifu­gation of autologous venosus blood; it offers a significant concentration of derived growth factors platelets and leukocytes. The growth factors can increase the formation and bone mineralization, to induce me­senchymals cells differentiates in osteoblasts, to promote liberation of other growth factors, to reduce the bone resorption, to promote the angiogenesis and to produce collagen. The objective of this issue was to investigate in the literature the biological basis that shape the performance of the PRP, results of researches and of clinical applica­tions of PRP. It was possible to ob­serve that PRP influences positive­ly the process of bone repair.

Key words: platelet-rich plasma, growth factors, autologous bone graft, bone reconstruction, bone atrophy.

Referências

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Responses

  1. Pena que o povo que precisa desses tratamentos estão excluídos de todo o processo de regeneração porque o tratamento é de alto custo. Ou estou enganada, Prof. Paulo Edson?

    Boa noite! Abraços!

    • Boa noite Sonia
      Realmente não é tão barato, pois o que te leva a adoecer, são produtos químicos: medicamentos, pesticidas, agrotóxicos, adubação química, uso de hormônios na ração animal, alimentos refinados: trigo, leite, açúcar, etc…Quanto custa isso para adoecer?
      Bem menos é o valor para te restaurar, fazer o novo, quanto mais cedo resolver mudar o que de adoece, menos vai gastar.
      Prof. Paulo Edson

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