Publicado por: sosortomolecular | 8 de Fevereiro de 2015

GLÂNDULAS: HOMEOSTASIA E AUTO-REGULAÇÃO  

Depois que foi esclarecida a importância da glicose nas reações de todas as células do organismo, procuraremos demonstrar os órgãos, tecidos e substâncias envolvidas nos mecanismos de regulação de glicose no organismo, a fim de manter a sua homeostasia.

Homeostasia, definida pelo fisiologista norte-americano Walter Bradford Cannon, em 1916, é a propriedade hereditária do ser vivo de perdurar no tempo, mantendo o equilíbrio morfológico e funcional das suas células e tecidos.

A homeostasia, por sua vez, é mantida por outra propriedade hereditária que é a auto-regulação.

A auto-regulação se manifesta, por exemplo, quando a temperatura do ambiente é elevada, provocando uma dilatação dos capilares, a fim de se eliminar calor do organismo ou, pelo contrário, receber calor através do fornecimento de energia obtida pelo metabolismo de glicose.

“A homeostasia e a auto-regulação do organismo constituem os mecanismos de adaptação e compensação do organismo aos diversos agentes externos, influindo assim, não só na época da manifestação de uma moléstia, como também no modo de evolução e ação terapêutica” (Maffei).

Por isso cada pessoa possui o seu mecanismo de adaptação a fim de manter os seus níveis de glicose dentro de uma faixa de normalidade.

Esta taxa de normalidade, que é sempre estatística, pode variar de 70 a 100mg/ml ou de 80 a 110mg/ml, conforme o método empregado para se dosar a glicemia.

A glicemia é influenciada por uma série de fatores, sendo o principal deles a insulina, seguido de outras, tais como o glucagon, o hormônio do crescimento, os hormônios produzidos pela glândula supra-renal, estrógenos, etc.

Existe um antagonismo, uma oposição entre insulina e os demais hormônios. A insulina age diminuindo os níveis de glicose no sangue contrariamente a todos os hormônios citados que tendem a aumentar estes mesmos níveis.

Esquematicamente:

Glucagon

                                      “Adrenalina” e Nor Adrenalina

                                     Corticóide

Insulina      X

                                     Hormônio de crescimento

                                     T3

                                      E2

                                     ACTH

Deste equilíbrio, resulta a homeostasia ou, pelo contrário, a homeostasia promove este equilíbrio.

Exporemos, a seguir, alguns órgãos e tecidos que secretam todos estes hormônios, bem como seu modo de ação sobre o metabolismo da glicose.

O PÂNCREAS

 O pâncreas é um órgão situado no abdômen superior, sendo composto por dois tipos principais de tecidos:

  1. a) Os ácidos, que secretam suco digestivo no intestino delgado, para ser mais exato, no duodeno.
  2. b) As Ilhotas de Langerhans, que produzem dois hormônios de fundamental importância na manutenção de glicemia, que, por não serem secretados no intestino, são lançados diretamente na circulação sanguínea. Estes dois hormônios são a insulina e o glucagon.

As Ilhotas de Langerhans têm dois tipos de células – alfa e beta – que possuem características diferentes umas das outras.

1- A insulina: A insulina vem do latim (insula = ilha), sendo produzida nas células beta das Ilhotas de Langerhans. A insulina é considerada uma molécula de proteína com baixo peso (peso molecular).

A insulina desencadeia alguns efeitos no metabolismo dos hidratos de carbono (açúcares):

  1. a) Aumento do metabolismo (transformação da glicose), e facilita a entrada do açúcar na célula.
  2. b) Diminuição da concentração de glicose na corrente sanguínea.
  3. c) Aumento das reservas de glicogênio nos tecidos.

A insulina promove a entrada da glicose do sangue para o interior das células, onde a glicose é utilizada como fonte de energia, para produzir todas as reações que o organismo necessita a fim de manter a sua homeostasia.

Um dos poucos tecidos ou órgãos que não necessitam da insulina para absorver a glicose é o sistema nervoso central, principalmente o cérebro, o que demonstra a imensa importância da glicose para nutrir um dos nossos órgãos mais nobres.

O coração parece possuir mecanismos semelhantes ao do cérebro.

Transportando a glicose da circulação sanguínea para as células, a insulina produz uma hipoglicemia, isto é, promove uma queda de açúcar no sangue.

Procuramos então, demonstrar que nas células do cérebro a glicose entra direto no interior da célula, sem o concurso da insulina. A glicose é tão importante para o cérebro que a natureza dotou as células cerebrais de um mecanismo de absorção de glicose independente do concurso da insulina.

Parece também, que a insulina entra no mecanismo de mobilização das reservas de glicose no fígado, por exemplo, transformando a glicose armazenada, agora com o nome de glicogênio em glicose mesmo.

Este processo recebe o nome de glicogenólise (glicogeno = glicogênio; lise = quebrar, romper), que consiste em quebrar ou promover a lise da molécula de glicogênio, que é composta por várias moléculas de glicose, nas suas unidades de origem que é a própria glicose.

Uma insulina imperfeita ou uma baixa quantidade de insulina pode ocasionar o estado contrário à hipoglicemia, gerando a hiperglicemia, quase sempre representado pelo Diabetes Mellitus.

2- O Glucagon: o glucagon é, igualmente à insulina, considerada uma molécula de proteína com baixo peso molecular.

Por sua vez, o glucagon é produzido nas células alfa das Ilhotas de Langerhans. O glucagon é produzido não só pelo pâncreas, mas também pelos gânglios linfáticos, pele, língua, baço, duodeno e fígado.

O glucagon possui um efeito elevador da glicemia, promovendo uma hiperglicemia, através da glicogenólise hepática, isto é, promovendo a quebra do glicogênio armazenado no fígado, transformando-o em glicose, que é lançada na circulação sangüínea, quando o organismo necessita.

A rigor, o glucagon não exerce uma oposição ou antagonismo à insulina, mas funciona como complemento desta, pois mobiliza o glicogênio do fígado, colocando na circulação sangüínea uma maior quantidade de glicose para a ação de insulina, equilibrando a ação dos hormônios, com o intuito de manter a glicose dentro de uma faixa de normalidade.

As demais glândulas endócrinas, como veremos a seguir, atuam de modo antagônico às Ilhotas de Langerhans – sistema insular.

Por possuírem uma ação oposta, contrária ao sistema insular, estas demais glândulas foram denominadas de sistema contra-insular.

Acho que deu para sentir o quanto é importante para o organismo o metabolismo de glicose, se assim não fora não estariam envolvidos tantos mecanismos reguladores e contra-reguladores, a fim de se manter este delicado equilíbrio.

AS SUPRA-RENAIS

 As supra-renais são duas glândulas em forma de “chapéuzinho” que ficam em cima dos rins (supra = cima; renais = rins), como o próprio nome indica, porém “nada” têm a ver com os rins. Digo nada entre aspas, porque o organismo é um todo harmônico que age e interage entre si.

A supra-renal é dividida em duas partes, a medular e a cortical, de origem diferente.

1- A parte medular da supra-renal origina-se do sistema nervoso e secreta os hormônios epinefrina, norepinefrina, que para facilitar denominaremos a todos de Adrenalina e Nor Adrenalina.

A adrenalina age no organismo elevando a taxa de glicose no sangue, promovendo a glicogenólise do fígado e dos músculos e liberação da insulina bloqueada.

A glicogenólise, como já ressaltamos, é a quebra de glicogênio armazenado no fígado ou nos músculos, em unidades menores (glicose) para as necessidades do organismo.

O papel principal da adrenalina se faz mister nos casos de emergência como medo, luta, dor, stress, cirurgias e emoções…

É a adrenalina a grande responsável pela famosa frase “correr ou lutar”, frente a um perigo.

2- A córtex da supra-renal produz os corticoesteróides, principalmente o cortisol, a aldosterona e os hormônios sexuais.

O cortisol diminui a utilização da glicose e estimula a gliconeogênese (glico = glicose; neo = nova; gênese = gerar), isto é, promove o aumento da glicose a partir de substâncias que não o hidrato de carbono, no caso proteínas e gorduras, ou seja, promover uma (nova = neo) via de formação de glicose a partir dos aminoácidos das proteínas e gorduras.

Este mecanismo, gliconeogênese, entra em ação principalmente nos jejuns prolongados, quando estes aminoácidos (unidades de proteínas) e gorduras degradadas pelo HGN, adrenalina e cortisol, tornam-se mais disponíveis para que possam ser transformados em glicose.

A TIREÓIDE

A tireóide é uma glândula situada no pescoço em forma de “gravata borboleta”, produtora de um hormônio que regula todas as funções do organismo.

Os hormônios da tireóide têm uma ação indireta sobre o metabolismo da glicose; se a sua função está aumentada, pode haver aumento da glicemia ou, pelo contrário, se a sua função está diminuída pode haver diminuição da glicemia.

ÓRGÃOS DO PESCOÇO:

1- Glândula parótida;

2- Carótida;

3- Jugular interna;

4- Traqueia;

5- Glândula tireóide.

A HIPÓFISE

 A hipófise é uma glândula endócrina situada na base do cérebro e, assim como a supra-renal, é constituída de 3 partes, uma anterior e outra posterior: a parte anterior é de natureza epitelial. A parte posterior é de origem nervosa. Ambas as partes produzem vários hormônios.

O lobo ou parte anterior da hipófise produz várias substâncias que são contrárias à insulina, designada diabetógenos ou hiperglicemiantes (hiper = elevada; glicemia = taxa de açúcar no sangue).

Costuma-se dizer que a hipófise é a “rainha” das glândulas endócrinas, posto que todo equilíbrio hormonal é intermediado por ela.

1- Hormônio de crescimento: como o próprio nome diz, está ligado ao crescimento do organismo.

Possui, porém, uma ação que eleva a taxa de glicose no sangue (hiperglicemiante) diminuindo a sua utilização por parte dos tecidos dos órgãos, mantendo o seu nível elevado. Age impedindo a ação da insulina.

2- Hormônios luteotróficos: agem primariamente e estimulam a formação do corpo lúteo nos ovários e as células produtoras de hormônios masculinos nos testículos.

Sobre a glicemia, estes hormônios possuem um efeito semelhante ao hormônio do crescimento, porém bem muito menos intenso.

3- A corticotrofina: é também uma substância secretada pela parte anterior da hipófise, cuja função é estimular as glândulas supra-renais a produzir os corticoesteróides, que promovem a gliconeogênese, já explicado na parte referente às supra-renais.

Trata-se, portanto, de uma ação indireta, posto que aumenta a glicemia, não por sua própria ação, porém através da estimulação das supra-renais.

4- Hormônios tireotróficos: estes hormônios elevam a concentração ou o nível de glicose no sangue, aumentando a secreção da tiroxina pela tireóide, aumentando a gliconeogênese, embora menos intensamente que os glicocorticóides.

A ação conjunta dos hormônios da hipófise possui uma ação diabetogênica ou hiperglicemiante.

Parece que o hormônio do crescimento possui um efeito mais intenso do que os demais hormônios da hipófise.

Já a diminuição destes hormônios antagônicos à insulina reduz a glicemia.

Apenas para aclarar ainda mais, o antagonismo existente entre a insulina e os demais hormônios pode ser esquematizado da seguinte forma:

“Adrenalina”

Corticoesteróides                     Glicemia

INSULINA     X                Hormônios da tireóide =         Normal

Hormônio do crescimento

T3

E2

ACTH

Qualquer desequilíbrio, para menos ou mais de um dos lados, deslocará a glicemia para um dos lados em questão.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: